APTA Regional lança Rede Agroecológica Regional, voltada a fomentar agricultura de base ecológica

A APTA Regional, órgão de pesquisa vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de SP, promove, nos dias 29 e 30 de novembro, em São Paulo, evento de lançamento da R.A.R – Rede Agroecológica Regional. A iniciativa congrega diversos grupos e atores relacionados à agroecologia no Estado de SP e pretende ser um agregador e espaço de interação.

“A R.A.R. será uma rede de trabalho com foco na pesquisa e transferência do conhecimento e na conversa entre agroecologia e o agro de uma maneira geral”, conta o diretor-geral da APTA Regional, Daniel Gomes. Conforme explica, a rede já vem se estabelecendo informalmente, mas o respaldo institucional possibilita novo alcance para os projetos voltados ao tema. “A nossa intenção é fortalecer as ações de agroecologia. Para fazer essa roda girar, vamos formalizar esse trabalho conjunto de desenvolvimento da agricultura ecológica no Estado de SP”, complementa o diretor.

Além da APTA Regional e de outros Institutos de Pesquisa da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), Gomes menciona que estão envolvidas com a ideia a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), a Defesa Agropecuária (CDA), e a Codeagro (também órgãos da Secretaria de Agricultura), o Centro Paula Souza e a iniciativa privada. O gestor destaca ainda a participação ativa de coletivos de agricultores, de coletores de sementes, e de grupos de atuação local, como as redes de agrofloresta do Vale do Paraíba e do Pontal do Paranapanema e a Rede Agroecológica Caiçara em Ubatuba. “O trabalho já existe, estamos aumentando a articulação entre os atores”, reforça.

Evento de lançamento trará referências no assunto

Para o lançamento de uma rede de tamanha importância, a APTA Regional organizou um evento especial totalmente voltado para a agroecologia paulista, que terá lugar na sede do Instituto Biológico (IB), situado na Vila Mariana, em São Paulo.

“O evento da R.A.R. vai ter por objetivo discutir e irradiar os conceitos da agroecologia, assim como as práticas e as tecnologias que estão sendo desenvolvidas no Estado de SP”, relata a pesquisadora da APTA Regional de Pindamonhangaba Sandra Maria Pereira da Silva, uma das organizadoras. “Também iremos dar destaque às várias linhas de pesquisa que temos nas nossas unidades com esse viés dos conceitos da agroecologia”, acrescenta.

Sandra informa que este primeiro seminário trará quatro temáticas, divididas por período nos dois dias do encontro. “Os temas são a produção de florestas agroecológicas, os desafios da produção de alimentos agroecológicos, a questão das legislações e regulamentações, e uma temática mais específica, que são as plantas e os fungos de comer e de curar”, elucida a pesquisadora.

Gomes, por sua vez, ressalta que as palestras e rodas de conversa contarão com grandes nomes ligados à agroecologia e produção ecológica em SP. “Na APTA Regional, temos uma equipe de ponta que trabalha com agroecologia, na produção de alimentos, de sementes, e na difusão de tecnologias agroecológicas”, comenta, lembrando também da participação de profissionais de igual calibre de outras entidades.

O diretor pontua que o evento terá foco total na sustentabilidade, característica intrínseca da agroecologia, começando pela não utilização de descartáveis. “Teremos um coffee break totalmente agroecológico, elaborado pelo coletivo Mulheres do Gau, que tem foco na eco gastronomia”, acrescenta Gomes.

O gestor da APTA Regional diz que a recepção inicial da proposta da R.A.R. pelo público tem deixado a equipe bem animada e que o evento deve ser uma forma de atrair para o diálogo mais produtores rurais, membros da comunidade acadêmica e pessoas comprometidas com a agroecologia. “Começamos com a ideia de uma pequena reunião, mas a necessidade e a demanda sobre o fortalecimento da temática fez virar um evento, que será o marco inicial de um grande trabalho”, finaliza Gomes.

 

Sobre a Agroecologia

De acordo com a pesquisadora Sandra – citando um dos maiores especialistas mundiais no tema, o pesquisador da Universidade da Califórnia Miguel Altieri – a agroecologia tem como proposta desenvolver agroecossistemas de baixo custo e baixo impacto ambiental e que sejam biodiversos, multifuncionais e resilientes frente às mudanças climáticas, com serviços econômicos, sociais e ambientais embutidos. É importante também que sejam sistemas que atendam a economia local e regional, baseados nos conceitos de bioeconomia e sistemas de comercialização de circuitos curtos.

“Os princípios agroecológicos envolvem práticas localmente adaptadas em vários processos, como acúmulo de matéria orgânica, reciclagem de nutrientes, regulação da biota local, melhoramento da saúde das culturas e incremento da fertilidade do solo”, detalha a pesquisadora da APTA Regional. “Envolve também alta produtividade local, melhoramento da resiliência e desenvolvimento dessas culturas, sementes e variedades”, completa.

A especialista elucida que a agroecologia é um conceito amplo e plural, onde cabem diferentes modelos de agricultura que compartilham dos preceitos que descreveu. “Quando falamos em produção orgânica, agricultura regenerativa, agricultura sintrópica etc, tudo isso surge da agroecologia”, assegura. Para Sandra, as instituições de pesquisa têm papel essencial e grande potencial na promoção da agricultura de base ecológica. “Existe uma demanda por bioinsumos e fertilizantes naturais que sejam desenvolvidos no próprio país, por exemplo. Tudo isso vai envolver pesquisa científica com esse olhar integrado da produção, que é a base da agroecologia”, finaliza a pesquisadora.

SERVIÇO
Lançamento R.A.R. Rede Agroecológica Regional

Data: 29 e 30 de novembro de 2022, 08h – 17h30
Local: Auditório José Reis – Instituto Biológico (5º andar).
Endereço: Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 1252. Vila Mariana, São Paulo-SP
Presencial e gratuito, mediante inscrição (clique aqui).
Para conferir a programação completa, acesse este link.