Três pesquisas desenvolvidas pela APTA receberão o Prêmio Josué de Castro

O prêmio é voltado para soluções concretas no combate à fome e para a promoção da segurança alimentar e nutricional

 

A Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, teve três trabalhos premiados na categoria “Pesquisa Científica” do Prêmio Josué de Castro de Combate a Fome e a Desnutrição. O prêmio é promovido pela Secretaria de Agricultura, por meio do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável. O resultado foi divulgado em 4 de outubro de 2016, no Diário Oficial do Estado de São Paulo. A premiação será realizada no dia 14 de outubro de 2016, na sede da Secretaria, em São Paulo, às 9h.

O Prêmio Josué de Castro tem o objetivo de identificar, certificar, premiar e difundir iniciativas voltadas à formulação de soluções concretas para o combate à fome e a promoção da segurança alimentar e nutricional. Na edição deste ano, os projetos desenvolvidos pela APTA ocuparam as três primeiras posições na categoria “Pesquisa Científica”.

 O projeto “Inclusão do Pescado na Alimentação Escolar no Município de Itanhaém”, desenvolvido pelo Instituto de Pesca (IP-APTA), foi classificado como a melhor pesquisa científica. Na segunda colocação ficou o trabalho da APTA Regional no “Manejo de ambiente e ao solo para cultivo de folhosas de Verão” e em terceiro lugar a pesquisa “Manejo ácaro-rajado com uso de predadores de diversas culturas”, desenvolvida pelo Instituto Biológico (IB-APTA). O projeto do IP-APTA receberá uma “Salva de Prata”, e os trabalhos da APTA Regional e IB-APTA receberão a “Menção Honrosa”.

Também foi reconhecido o mérito de outros dois trabalhos apresentados pela APTA, que ficaram entre os melhores classificados nas duas categorias do prêmio. O projeto “Anticorpo Igy como aditivo alimentar natural funcional, em substituição ao uso de antibióticos em dietas para ruminantes”, desenvolvido pelo pesquisador do Polo Regional de Ribeirão Preto da APTA, Geraldo Balieiro Neto, ficou na sexta colocação na categoria “Pesquisa Científica”. Na categoria “Programa ou Projeto de Política Pública”, o Programa de Sanidade em Agricultura Familiar (Prosaf), sob-responsabilidade de Harumi Hojo, pesquisadora do IB, ficou em oitavo lugar.

O coordenador da APTA, Orlando Melo de Castro, comemorou os resultados e ressaltou a essencialidade das pesquisas desenvolvidas pelas unidades da APTA nas questões econômicas, ambientais e sociais.É um grande reconhecimento para a APTA ter as três melhores classificações na categoria “Pesquisa Científica”. Mostra que nossos trabalhos estão no caminho certo, ajudando no desenvolvimento do agronegócio para o pequeno, médio e grande produtor rural”, afirma. A Agência desenvolve anualmente cerca de 1.500 projetos de pesquisa e é considerada a maior instituição de pesquisa estadual do Brasil e a segunda maior do País.

Para o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, a premiação reforça o compromisso da APTA de desenvolver e transferir conhecimentos e tecnologias para os agricultores paulistas. “As pesquisas melhoram a renda no campo e permitem a oferta de alimentos para a população. Esse reconhecimento mostra que estamos seguindo as diretrizes do governador Geraldo Alckmin de dar atenção aos pequenos produtores e disponibilizar alimentos saudáveis e seguros para a população”, afirma.

 

Conheça os projetos premiados

O projeto “Inclusão do Pescado na Alimentação Escolar no Município de Itanhaém”, desenvolvido pelo Instituto de Pesca, vencedor da categoria “Pesquisa Científica” do prêmio, tem contribuído para melhora a alimentação de alunos da rede municipal de ensino de Itanhaém, no litoral paulista. Por meio da tecnologia de Carne Mecanicamente Separada (CMS) de pescado, alimentos ricos em proteína animal de qualidade e Ômega 3 são servidos na merenda escolar de alunos de dois a 60 anos de idade de duas escolas do município. O projeto piloto atende comunidades menos favorecidas e em situação de insegurança alimentar.

A possibilidade de obtenção de CMS faz com que categorias de pescado pouco valorizadas sejam melhor aproveitadas, reduzindo em até 30% o desperdício de carne em comparação com a técnica de filetagem, dependendo da espécie de peixe e seu tamanho, entre outros fatores. “A parceria envolve a orientação técnica do instituto para a elaboração da estrutura da futura Unidade de Beneficiamento de Pescado (UBP) da cidade, que visa à produção de CMS para ser oferecida na nas escolas em forma de blocos congelados, que serão utilizados na preparação de pratos como macarrão à bolonhesa”, afirma Cristiane Neiva, pesquisadora do IP e responsável pelo projeto.

 

Folhosas no verão

O projeto “Manejo do Ambiente e do Solo para o Cultivo de Folhosas de Verão”, desenvolvido no Polo Regional de Presidente Prudente da APTA, envolve o manejo do ambiente e do solo para o plantio de hortaliças no verão, época chuvosa onde há grande perda de solo, o que resulta em redução de produtividade e degradação do solo.

No manejo do ambiente foram estudadas diferentes telas de sombreamento associadas ao não revolvimento do solo. No manejo do solo foi avaliado o “Plantio direto de diferentes variedades de alface e rúcula em Brachiaria ruziziensis cultivada nos canteiros antes do plantio das hortaliças”. Os resultados do trabalho mostraram elevada redução de plantas daninhas com a palha da Brachiaria ruziziensis no cultivo dessas hortaliças.

“Isso implica em redução da mão de obra para capina, sendo que o produtor pode utilizar esse tempo para outras atividades da horta. As variedades estudadas mostraram-se adaptadas sistema. Houve ainda benefícios do plantio direto na qualidade física do solo e redução da temperatura do solo, o que para o cultivo no verão é muito importante”, afirma Andréia Cristina Silva Hirata, pesquisadora da APTA responsável pelo trabalho.

Ao longo dos cultivos houve aumento da produtividade no plantio direto sobre B. ruziziensis em relação ao plantio convencional, além de conservação dos canteiros, os quais ficaram protegidos das chuvas abundantes do período. O cultivo na palha de braquiária protegeu as folhas do respingo de chuva no solo. “Isso pode até reduzir uma operação pós-colheita que é a de lavagem da alface para tirar a terra aderida nas folhas que ocorre no plantio convencional. O trabalho está sendo transferido aos agricultores. Em um dia de campo, tivemos a participação de 102 produtores”, explica a pesquisadora.

A pesquisa também analisou o uso de telas de sombreamento para a produção de hortaliças nesta época do ano. Os pesquisadores analisaram a produção de alface, agrião e cebolinha, três das hortaliças mais consumidas pelos brasileiros. No agrião, por exemplo, as telas de sombreamento aumentaram em cerca de 60% a massa fresca da planta, em relação ao cultivo em pleno sol. A alface teve melhora na qualidade, com folhas maiores e mais macias, características apreciadas pelos consumidores. 

Ácaro-rajado

O ácaro-rajado, Tetranychus urticae Koch, é considerado uma das pragas principais do morangueiro no Brasil, atacando as folhas da planta, que se tornam bronzeadas, secam e caem, com consequente queda na produção. As altas infestações com a praga ocorrem principalmente durante o período de frutificação da cultura e as perdas da produção podem chegar a 80%. Além disso, a praga reduz em até um mês a vida útil da planta.

O controle do ácaro-rajado é realizado quase que exclusivamente com o uso de produtos químicos. Segundo o pesquisador do IB, Mário Eidi Sato, o principal grupo de inimigos naturais de ácaro-rajado é representado por ácaros predadores da família Phytoseiidae. “O ácaro predador da espécie Neoseiulus californicus tem se mostrado bastante promissor, reduzindo em até 100% a infestação em áreas comerciais de morangueiro”, afirma. O IB realizou trabalho com agricultores familiares de Monte Alegre do Sul, Socorro, Atibaia, Jarinu e de outros municípios do Estado de São Paulo.

O controle biológico proporciona a redução do uso de agrotóxicos e contribui para a sustentabilidade ambiental e segurança do consumidor e trabalhador do campo.

Por Fernanda Domiciano

Assessoria de Imprensa – APTA

(19) 2137-8933

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