Pesquisadores da APTA instalam unidade demonstrativa para plantio de batata em assentamento rural da região de Bauru

 

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) e da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), montou uma unidade demonstrativa para cultivo de batata inglesa em um assentamento rural na região de Bauru, interior paulista. O objetivo da unidade foi o desenvolvimento de tecnologias adaptadas à realidade dos produtores de assentamentos da região. A implantação da unidade se mostrou rentável para os assentados, oferecendo mais uma opção de produto para comercialização dos agricultores familiares. Os principais canais de comercialização desses produtos são programas públicos de aquisição de alimentos e vendas diretas, como feiras livres.

A unidade demonstrativa foi instalada em um assentamento rural localizado  entre os municípios de Pederneiras e Bauru, em abril de 2015. Foi realizado o plantio de 12 genótipos de batata, com tecnologias desenvolvidas pelo Instituto Agronômico (IAC) e a Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Itararé da APTA. Todo o manejo da cultura foi desenvolvido dentro da realidade de um assentamento rural. As batatas foram colhidas em agosto de 2015, 106 dias após o plantio. “No período de produção a quantidade e a frequência de utilização de fungicidas e inseticidas foi reduzida, Na unidade demonstrativa foi realizada apenas uma pulverização durante o ciclo de desenvolvimento das plantas, enquanto em cultivos tradicionais, com cultivares de batata importadas, são feitas em média de 10 a 15 pulverizações”, afirma Raquel Nakazato Pinotti, pesquisadora do Polo Regional de Bauru da APTA.

No período, a equipe técnica do projeto coletou informações de custos em todas as etapas da produção, desde o preparo do solo até a classificação dos tubérculos após a colheita. O destaque foi para combinação de fatores como a utilização de variedades rústicas e broto de batata semente livre de vírus e redução no uso de defensivos agrícolas, o que possibilitou maior rentabilidade para os agricultores.

Os custos de produção chegaram a R$ 18.370 e a receita com a venda de 19.300 quilos de batata foi de R$ 27.020, gerando um lucro de R$ 8.649,85. O retorno do investimento foi de 47%, considerando que o ciclo da cultura é de quatro meses, em comparação com o custo de aplicação de investimento na poupança, que ficou em torno de 3% no mesmo período da cultura.

“As informações coletadas da atividade ocorreram na realidade do produtor agrícola em assentamento rural, com irrigação e maior utilização de mão de obra nos tratos culturais. Diversos produtores tiveram interesse na cultura e alguns estão em processo inicial do plantio. A região de Bauru possui diversos grupos de assentamentos, com 150 famílias, aproximadamente”, explica Raquel.

Segundo a pesquisadora, os resultados da unidade mostraram que o investimento na cultura da batata com genótipos nacionais é economicamente viável para a realidade da agricultura familiar da região de Bauru. “Principalmente, para os produtores de assentamentos rurais que possuem mercado garantido para a comercialização com o preço definido, que evita a dinâmica da cadeia produtiva da batata inglesa”, afirma.

O objetivo da instalação da unidade foi relatar a experiência de sua implantação, principalmente sob os aspectos agronômicos e econômicos, para uma região não tradicional na produção de batata e nas condições de uma agricultura em assentamento rural. “O fomento da plantação de batata tem o objetivo de ampliar a oferta do portfólio dos produtos para melhorar a rentabilidade em pequenas áreas de produção. Os produtores rurais buscam aumento da renda por ter a sustentabilidade econômica, ambiental e social das atividades rurais em assentamentos ou na agricultura familiar”, diz Raquel.

A região de Bauru, historicamente, possui representatividade e competência na produção de hortaliças, principalmente de folhosas em pequenas propriedades familiares, como nos assentamentos rurais. “Essas propriedades possuem características típicas para o desenvolvimento da olericultura. A escolha da batata inglesa foi apresentada como mais uma alternativa de oferta de produto para esses produtores assentados”, explica Raquel.

Por Fernanda Domiciano

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