Pesquisadores da APTA dão dicas ao agricultor de como iniciar o cultivo de maracujá

Para produtores terem sucesso no cultivo do maracujá, pesquisadores da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, dão algumas dicas antes de eles implantarem a cultura. A APTA, por meio do Instituto Agronômico (IAC-APTA) e Polos Regionais, realiza pesquisas com maracujá com o objetivo de encontrar soluções para problemas que atingem a cultura e promove eventos de transferência de tecnologia e conhecimento.

A primeira dica dos especialistas é a escolha da área de cultivo. De acordo com José Carlos Cavichioli, pesquisador do Polo Regional de Adamantina da APTA, os agricultores precisam estar atentos se a área escolhida tem boa drenagem, solos de adequada fertilidade, se não apresentam camada impermeável, pedregosa ou endurecida a menos de dois metros de profundidade.

“Quando possível, é necessário checar se a área não possui histórico de morte prematura de plantas, doenças associadas a fungos do solo, como Fusarium, bactérias e nematoides, que se manifestam e dizimam rapidamente as plantas quando entram em produção”, afirma Cavichioli. Se o histórico for constatado, é necessário que o produtor utilize mudas enxertadas, como o maracujá-de-veado (Passiflora gibertii). Outra dica é verificar se nas proximidades há pomares em produção contendo plantas com sintomas do vírus do endurecimento dos frutos.

Após a escolha da área, o produtor deve realizar o manejo adequado antes de inserir a cultura. A dica é realizar a adubação verde, de espécies como Crotalaria juncea, Crotalaria spectabilis e mucuna anã, que aumentam a capacidade produtiva do solo, a quantidade de armazenamento de água e o fornecimento de nitrogênio fixado diretamente na atmosfera. “O uso do adubo verde também aumenta a amplitude de variação térmica diuturna, protege contra os agentes erosivos, como chuvas e ventos, aumenta o teor de matéria orgânica e intensifica a atividade biológica do solo”, explicou o pesquisador.

A análise e o preparo do solo são outras dicas importantes. Analisar quais nutrientes precisam ser corrigidos no solo é barato, econômico e evita prejuízos depois que a cultura já tiver sido implantada. Após corrigir as quantidades de nutrientes, o produtor deve prepará-lo corretamente. “O mais recomendado é que se utilize o plantio direto ou cultivo mínimo, pois reduzem os riscos de erosão e contribuem para a conservação do solo”, diz Cavichioli.

A próxima etapa, indicam os especialistas, é instalar os quebra ventos. De acordo com Cavichioli, o vento é muito prejudicial para o maracujazeiro. Dependendo da velocidade, pode dificultar o crescimento da planta no fio do arame do sistema de sustentação ou quebrar a planta ainda em formação. “Em algumas situações, o vento causa o tombamento de linhas inteiras da cultura e é responsável por lesões nas folhas, que servem como entrada para algumas doenças. Antes da implantação do pomar, é necessário providenciar o quebra-vento, que pode ser feito com capim napier, em três laterais ao redor e dento da área com maracujá, caso haja muitas ruas”, afirma o pesquisador.

Escolha

Depois de realizar todos esses processos, o agricultor pode escolher a melhor cultivar de maracujá para plantar, dos diversos programas de melhoramento genético existentes no Brasil. O Instituto Agronômico é referência em pesquisas para desenvolvimento de novas cultivares de maracujá. 

“As cultivares IAC 273 e IAC 277 são destinadas ao mercado de frutas frescas. A IAC 275 é mais indicada para a agroindústria, por produzir frutos com casca muito fina, coloração interna alaranjado-intensa e teor superior de sólidos solúveis totais, entre 14 e 16º de brix, características interessantes na obtenção de sucos e néctares”, explica.

Os pesquisadores alertam também para aquisição de mudas e sementes ou produção de mudas pelo próprio agricultor. Cavichioli explicou que as mudas são consideradas o insumo mais importante na implantação do pomar. “O produtor pode produzi-las a partir de sementes selecionadas ou adquiri-las em viveiros credenciados pelo Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e inscritos no Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem). O uso de telados antiafídeos é fundamental para evitar a infecção pelo vírus do endurecimento dos frutos”, afirma.

As dicas completas, com todos os detalhes, podem ser acessadas no artigo “Cultivo de maracujá: Aspectos a serem observados antes da implantação da cultura”, de autoria de José Carlos Cavichioli, Laura Maria Molina Meleti, pesquisadora do IAC, e Nobuyoshi Narita, pesquisador do Polo Regional de Presidente Prudente.

De acordo com o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, a APTA tem forte inserção regional, por meio de seus polos de pesquisa. Essa característica permite que os produtores estejam atentos às demandas da região e possam desenvolver e transferir tecnologia para os agricultores aumentarem a produção. “Uma das diretrizes do governador Geraldo Alckmin é aproximarmos a pesquisa científica do setor produtivo, com foco principalmente ao agricultor familiar”, afirma.

Por Fernanda Domiciano

Assessoria de Imprensa - APTA

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