Pesquisador da APTA orienta pecuaristas a diagnosticar a mastite no rebanho bovino

 

           A mastite é um problema muito comum nos rebanhos bovinos. A doença pode causar danos irreversíveis ao úbere das vacas, que não terão sua capacidade de produção plena, quando comparadas àquelas que se mantiverem saudáveis. O pesquisador da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, que atua no Polo Regional de Bauru, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), Luiz Florencio Franco Margatho, orienta os pecuaristas sobre o diagnóstico visando controle da doença. O impacto econômico causado pela mastite é a perda na produção de leite que pode variar entre 5% e 25% englobando a queda de produção de leite, refugo de leite pela usina e descarte durante o tratamento.


            Por definição, a mastite é uma inflamação nas glândulas mamárias, geralmente de origem infecciosa. “Epidemiologicamente, divide-se em mastite contagiosa e ambiental, sendo a contagiosa definida pela forma de transmissão de animal para animal e localização intramamária”, afirma Margatho. A ambiental é definida desta forma pelo patógeno estar localizado no próprio local de criação e as bactérias infectarem o úbere da vaca a partir do ambiente.

         O diagnóstico precoce da doença é vital para a eficiência do controle, já que a mastite pode ser transmitida de um animal para outro. “O diagnóstico da mastite é feito para localizar os animais infectados dentro do rebanho que devido à transmissibilidade são um risco potencial para a saúde das outras vacas”, afirma o pesquisador da APTA. São três os testes que os produtores podem fazer para diagnosticar a doença: prova da caneca, Califórnia Mastite Teste (CMT) e contagem de células somáticas (CCS).

           O primeiro deles, a prova da caneca deve ser realizado diariamente pelo ordenhador, antes de cada ordenha. A técnica é simples, sem custo e permite detectar a mastite clínica, visível, nos primeiros jatos de leite. “Grumos, mudança de coloração, leite aguado e com pus ou sangue são facilmente percebidos na caneca de fundo escuro. Além dessas alterações, o úbere parece inflamado, fica dolorido, quente, visualmente com maior volume e avermelhado”, explica Margatho.


          Com o diagnóstico da mastite clínica, o produtor deve começar a intervenção terapêutica, no início da doença. Em caso de demora em iniciar o tratamento, a doença pode evoluir. Em um estágio mais tardio, as chances de recuperação do úbere diminuem e o prognóstico do animal se agrava.


            O CMT é realizado na sala de ordenha, pelo menos uma vez ao mês. O método é usado para detecção da mastite subclínica e é um indicador direto da CCS no leite nos programas de controle da mastite. “Para realização do CMT, o leite é misturado ao reagente, em proporções idênticas, com aproximadamente dois mililitros de leite e dois de reagente. Caso se forme um gel, a reação é considerada positiva. Quanto mais gelatinoso, maior a intensidade da reação”, afirma.


            De acordo com o pesquisador, todo animal pode estar infectado, quando uma ou mais amostras de leite forem reagentes ao CMT. A contagem de células somáticas é empregada para o diagnóstico da mastite subclínica e no monitoramento da saúde da glândula mamária. “A CCS é realizada apenas em laboratório especializado, credenciado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), por processos diretos por meio de exames em aparelhos eletrônicos com análise do leite de tanques e de vacas”, diz o pesquisador. Em São Paulo este exame é realizado pela Clínica Leite da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), em Piracicaba.


       “Uma das ações das unidades de pesquisa da APTA é transferir tecnologia e conhecimento para o produtor. Esta também é uma orientação do governador Geraldo Alckmin”, afirma Arnaldo Jardim, secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.


Linha de ordenha


       O pesquisador da APTA orienta que o produtor rural faça a chamada linha de ordenha em sua propriedade. A ideia é definir a sequência dos animais que passarão pela sala de ordenha, separando os sadios dos doentes. “Isso diminui a transmissão da doença, a taxa de novas infecções, a prevalência da mastite e a contagem de células somáticas no rebanho”, afirma Margatho.

            Na linha de ordenha as fêmeas devem ser agrupadas de acordo com a saúde da glândula mamária. Os primeiros animais a entrarem na sala de ordenha devem ser os sem mastite de primeira cria. A seguir as vacas saudáveis que nunca tiveram mastite, depois as sadias que já apresentaram a doença e foram curadas,  acompanhadas pelas vacas-problemas com mastite subclínica e, por último, vacas com mastite clínica, ordenhadas em latão separado para que se possa descartar corretamente o leite.


       “A linha de ordenha é uma importante ferramenta para auxiliar o produtor no controle das mastites, evitando a transmissão. Juntos, produtores e técnicos devem ter o compromisso de estabelecer a linha de ordenha e monitorar constantemente a saúde do rebanho”, explica o pesquisador da APTA.


Por Fernanda Domiciano

Assessoria de Imprensa – APTA

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