Parceria une APTA de Campos do Jordão e universidade argentina

inauguracaocampos17/09/2015 Parceria une APTA de Campos do Jordão e universidade argentina A truta arco-íris, que reúne a maioria das pesquisas conduzidas na Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), em Campos de Jordão, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, motiva uma parceria entre a pesquisa paulista e a Universidad Nacional de Gral San Martin (UNSAM), na Argentina. O convênio com a instituição argentina foi firmado por meio de um acordo entre o Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (Conicet) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). O projeto tem  o objetivo de estudar as células germinativas da truta arco-íris, peixe-rei e medaka, usada como modelo experimental. O projeto é desenvolvido por Ricardo Shohei Hattori, pesquisador da FAPESP que realiza seus trabalhos na Unidade da APTA, em Campos do Jordão.

O objetivo da pesquisa é avaliar, em truta arco-íris, peixe-rei e medaka, a influência de fatores ambientais e endócrinos na proliferação, diferenciação ou apoptose (morte celular programada) das células germinativas, responsáveis pela origem dos ovócitos e espermatozoides. A pesquisa, com caráter básico, poderá ajudar a melhorar o processo de produção desses peixes. O projeto de intercâmbio, com duração de dois anos e previsão de intercâmbio de pesquisadores doutores, integra as pesquisas com biotecnologia em truta realizadas na UPD da APTA e que contam com pesquisador do Programa Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes da FAPESP. Hattori passará duas semanas em UNSAM, por ano, durante dois anos. Dois pesquisadores da universidade argentina ficarão na UPD da APTA, em Campos do Jordão, pelo mesmo período.

“A influência dos fatores ambientais nas células germinativas de peixes é pouco estudada e pouco conhecida. O principal foco do trabalho é o estresse térmico. Queremos descobrir seus efeitos na dinâmica das células germinativas”, afirma Hattori. Segundo o pesquisador, já é de conhecimento que altas temperaturas podem inibir a diferenciação das células germinativas e até induzir a morte destas, mas os detalhes destes mecanismos ainda não são muito claros. Hattori explica que conhecer melhor a influência dos fatores é fundamental para a otimização da produção de trutas especialmente em regiões tropicais.

O secretário de Agricultura e Abastecimento, Arnaldo Jardim, destacou a importância do estudo realizado pela APTA. “Orientados pelo governador Geraldo Alckmin, os nossos institutos de pesquisa trabalham para desenvolver tecnologias que melhorem a produção de nossos produtores rurais, criando oportunidades para os pequenos, médios e grandes produtores rurais”, afirma.

As tecnologias paulistas de produção de truta estão em todas as regiões onde há truticultura no Brasil, como São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina. Por ano, a APTA produz cerca de dois milhões de ovos de truta, disponibilizados a cerca de 80 truticutores e que resultarão em 420 toneladas do peixe.

 Apesar de ainda incipiente, a aquicultura argentina apresenta grande potencial de crescimento. A truta arco-íris e o peixe-rei representam as principais espécies continentais de importância econômica no país. Segundo Hattori, esta colaboração  pode gerar resultados mútuos para ambas as instituições.

Biotecnologia em pesquisa com truta

O projeto de intercâmbio integra as pesquisas de biotecnologia em truta realizadas na UPD da APTA de Campos do Jordão. A adoção de modernas ferramentas, como a biotecnologia, traz para a Unidade a possibilidade de reduzir o tempo para chegar a resultados desejados e baixar custos de execução das pesquisas.

No estudo sobre controle do sexo das trutas, já em desenvolvimento na APTA, será utilizado o gene sdY, descoberto em 2012, na França, que agiliza a identificação do sexo de trutas e viabiliza o resultado em 90 dias. O método adotado atualmente requer 27 meses. O sdY foi o terceiro gene de determinação sexual em peixes descoberto no mundo.

“Com o uso desse gene, podemos identificar aos três meses os animais masculinizados com genótipo XX e, assim, eliminar aqueles machos que têm o gene masculino. Com o uso do teste de progênie – técnica usada atualmente – é possível fazer essa identificação após 27 meses”, explica Ricardo Shohei Hattori, pesquisador do Programa Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes da FAPESP, que em 2014 iniciou os trabalhos na APTA. Hattori fazia parte do projeto de pesquisa na universidade Tokyo University of Marine Science and Technology (TUMSAT), em Tokyo, que descobriu o gene de determinação sexual no peixe-rei.

Nesse estudo, os pesquisadores visam identificar se o tratamento hormonal para a masculinização de fêmeas genotípicas foi realizado com sucesso, ou seja, se todos os animais do lote são machos XX – que só gerarão fêmeas. Outra vantagem dessa tecnologia é a redução dos custos de cultivo para o produtor, que pode eliminar mais rapidamente os peixes indesejados e gastar menos em ração. “Tudo será possível por meio de um teste de PCR", diz Hattori. A previsão é que os resultados fiquem prontos em três horas, tempo estimado para a realização da análise da amostra levada pelo truticultor à APTA. “Esta é uma tecnologia inovadora”, comenta o pesquisador.

Esta é uma das três linhas de pesquisa, dentro do novo projeto da Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento da APTA apoiado pela FAPESP. As outras duas envolvem a caracterização genética das linhagens dos salmonídeos da UPD e transplantes de células germinativas

Para a realização dos projetos, foi montado um laboratório de biotecnologia na Unidade, em Campos do Jordão. Os recursos FAPESP totalizam R$ 600 mil para infraestrutura, aquisição de equipamentos e materiais de consumo. O projeto prevê ainda intercâmbio de alunos com a universidade japonesa TUMSAT.

Projeto Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes

A finalidade do Programa Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes (JP-FAPESP) é criar oportunidades de trabalho para jovem pesquisador ou grupo de jovens pesquisadores de grande potencial, de preferência em centros emergentes de pesquisa, como no caso de Hattori, que terminou seu pós-doutorado no Japão e atua, desde 2014, na Unidade de pesquisa da APTA, instituição com tradição de pesquisa.

Segundo informações da FAPESP, com este programa, espera-se fortalecer o sistema estadual de pesquisa, favorecendo a nucleação de novos grupos de estudo, que atuem em temas modernos e com inserção internacional, ainda não cobertos por pesquisadores no Estado de São Paulo.

Por Fernanda Domiciano

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Assessoria de Imprensa – APTA

Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

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