APTA premia cachaças de São Paulo nas categorias branca/descansada, envelhecida, premium e extra premium

 

                Cachaças artesanais produzidas no estado de São Paulo foram premiadas durante o concurso Cachaça com Ciência, realizado pela Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Jaú, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Ao todo, 12 cachaças foram premiadas nas categorias branca/descansada, envelhecida, premium e extra premium. Cada categoria teve três cachaças premiadas com as medalhas de ouro, prata e bronze. Confira a lista completa das vencedoras abaixo. O resultado do concurso foi divulgado em 15 de setembro de 2017, durante o IV Encontro DNA – Desenvolvendo Nosso Agronegócio, na UPD de Jaú da APTA.

            O concurso Cachaça com Ciência contou com a participação de 58 rótulos de cachaças produzidas por 18 alambiques de Itupeva, Paraibuna, Jaú, Fernão, Dois Córregos, Pederneiras, Lençóis Paulista, São Paulo, Mirassol, Bocaina, Pratânia, Dracena, Capivari e Torrinha. A expectativa é que a APTA realize outras edições do concurso.

            As bebidas foram avaliadas por sete jurados experientes na avaliação sensorial de cachaças, em 14 de setembro de 2017, seguindo normas internacionais. “Foi realizado um teste às cegas que avaliou diferentes características da bebida, que envolveu apreciação visual, olfativa e gustativa”, explicou Cauré Portugal, diretor cientifico e responsável pela startup Smart Yeast, empresa que elaborou o protocolo e conduziu a competição. As amostras das cachaças avaliadas e as fichas de avaliação rubricadas pelos jurados e presidente do júri ficarão guardadas na APTA por um ano.

            O objetivo do concurso foi além de premiar as melhores bebidas, auxiliar os produtores na melhoria do processo de produção das cachaças. “O reconhecimento da qualidade do produto pode ser um incentivo aos produtores para que eles tenham um processo de obtenção da cachaça artesanal de modo cada vez mais tecnificado. Além disso, é uma oportunidade para eles divulgarem seus produtos”, afirmou Gabriela Aferri, pesquisadora da APTA e chefe da UPD de Jaú da Agência. “Alguns produtores chegam a relatar que a procura pela cachaça cresceu em até 30% após conquistarem medalhas em concursos”, completou Valmira Cruzeiro, técnica da APTA.

            O produtor da cachaça Vecchio Albano, Miguel Zoca, premiado com a medalha de prata na categoria extra premium, concordou com a avaliação da técnica da APTA. Para ele, a premiação no concurso Cachaça com Ciência vai agregar valor ao seu produto. “Tenho uma propriedade de oito hectares em Torrinha, que produzo cachaça, café e ovelhas. A produção de cachaça começou como um hobby há dez anos e hoje a bebida é importante para agregar renda a minha propriedade. Receber uma medalha nesse concurso é muito emocionante”, afirmou Zoca, que produz atualmente cinco mil litros da bebida por ano, distribuída em São Paulo e Minas Gerais. O produtor trabalha em um projeto para aumentar sua capacidade de produção para 30 mil litros anuais.

Falhas no processo de produção são identificadas na análise sensorial

            Segundo Portugal, durante a análise sensorial é possível identificar defeitos no processo de produção desde o manejo da matéria-prima, passando pela fermentação e destilação da cachaça. “A não adoção de boas práticas na produção, o uso de canas não sadias, fermentações mal conduzidas, destilações mal feitas e uso de aparelhos em más condições tendem fatalmente a denunciar defeitos organolépticos na bebida, diagnosticados pela análise sensorial”, explicou.

            A ideia do concurso, de acordo com Portugal, foi chamar atenção dos produtores na adoção das boas práticas para produção da bebida e incentivá-los a registrar seus produtos. “Abrimos a exceção de receber a inscrição de produtores que não têm suas cachaças registradas. Quisemos com isso mostrar para esses produtores que os produtos deles são bons e precisam estar regularizados”, disse.

            “Iniciativas como essa são importantes para valorizar o trabalho dos produtores paulistas e orientá-los sobre como podem melhorar a produção. Essas são recomendações do governador Geraldo Alckmin”, disse Arnaldo Jardim, secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Cachaça agrega valor à propriedade, mas é necessária qualificação

            A produção de cachaça pode ser uma forma de diversificar a produção e agregar valor ao produtor rural. A APTA incentiva a prática por meio da realização de treinamentos que ensinam todo o processo de produção da bebida. A participação de cursos como esse, na visão de Portugal, é importante para os produtores que querem começar a produzir cachaça. “Muita gente acaba começando a produção de cachaça de forma improvisada. Recomendamos que os produtores participem antes de cursos como os oferecidos pela APTA e por outras instituições para começar a produção da maneira correta”, explicou.

            A dica para os produtores que querem ingressar na atividade é entender melhor as questões relacionadas ao plantio e manejo da cana-de-açúcar, colheita, fermentação e destilação para produzir uma bebida de boa qualidade. “O processo de produção da cachaça pode parecer simples, mas possui muitos detalhes que vão refletir na qualidade do produto”, afirmou Portugal.

Experimente

            Para o consumidor que quer comprar boas cachaças artesanais a dica é se orientar pelos concursos, mas também experimentar os diversos tipos de cachaça e de madeiras usadas no processo de envelhecimento da bebida. “A dica é treinar o paladar. O universo da cachaça é muito amplo, com produtos diferentes, com propostas diferentes. O consumidor deve experimentar para treinar o paladar e identificar as bebidas que o agradam”, orientou o diretor cientifico e responsável pela startup Smart Yest.

Confira a lista das cachaças premiadas no concurso Cachaça com Ciência

Categoria branca/descansada

Medalha de ouro: cachaça JP, produzida por Fernando Tonoli

Medalha de prata: cachaça Engenho São Luiz, produzida por Luiz Gustavo Filho

Medalha de bronze: cachaça Itupeva Cristal, produzida por Fernando Tonoli.

Categoria envelhecida

Medalha de ouro: cachaça do Rei, produzida por Reinaldo Annicchino

Medalha de prata: cachaça Itupeva Amburana, produzida por Fernando Tonoli

Medalha de bronze: Cachaça Genuina, produzida por Luiz Antonio Guaraldo.

Categoria premium

Medalha de ouro: cachaça Wiba Blend de Carvalhos, produzida por Wilson Roberto de Barros

Medalha de prata: cachaça Catarina Única, produzida por André Fioravante

Medalha de bronze: cachaça Taperinha Original, produzida por Fernando A. M. Steimann

Categoria extra premium

Medalha de ouro: cachaça Itupeva Carvalho 5 anos, produzida por Fernando Tonoli

Medalha de prata: cachaça Vecchio Albano, produzida por Miguel Zoca

Medalha de bronze: cachaça Engenho São Luiz, produzida por Luiz Gustavo Filho.

 

Por Fernanda Domiciano

Assessoria de Imprensa – APTA

(19) 2137-8933

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