APTA expõe tecnologias em feira de negócios e inovação para agricultura familiar

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), participará da Feira de Inovação e Negócios da Agricultura Familiar Organizada (FEICOMEX), de 27 a 31 de outubro de 2015, em Jaú, interior paulista. Durante o evento, tecnologias da APTA para produção de sorgo-vassoura, açúcar mascavo e cana forrageira, usada na alimentação animal, serão apresentadas aos agricultores familiares, que poderão aprender como são feitas vassouras caipiras.

O coordenador da APTA, Orlando Melo de Castro, afirma que a participação em eventos como este é importante para transferir conhecimentos e tecnologias para os produtores rurais. “Podemos mostrar a diversidade de pesquisas que realizamos e como elas podem contribuir para agregar renda e qualidade de vida aos agricultores”, afirma.

O secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, também considera importante essa proximidade da pesquisa com os produtores rurais, usuários das tecnologias geradas em campos experimentais e laboratórios. “A FEICOMEX é uma feira de negócios e relacionamento para empresas e profissionais que atuam na agricultura familiar, associações e cooperativas agrícolas. Mostrar para esse público nossas ações é fundamental, pois leva conhecimento e tecnologia para quem os utiliza, uma recomendação do governador Geraldo Alckmin.”

Sorgo-vassoura

A variedade de sorgo-vassoura IAC 10V60 Tietê será exposta durante a FEICOMEX. O material, ideal para a produção de vassoura caipira, foi registrado pelo Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), em 2015. Agora, os pesquisadores do Instituto poderão disponibilizar aos agricultores semente genética de alta qualidade. Além da IAC 10V60, o Instituto registrou as variedades IAC 10V70 Saltinho e IAC 10V50 Campinas.

A variedade de sorgo-vassoura IAC 10V60 Tietê apresenta panículas com 60 centímetros de palha flexível, o que a torna ideal para a produção de vassouras caipiras. “Quanto mais comprida a palha, mais interessante para o consumidor, pois a vassoura dura mais”, explica o pesquisador do IAC, Eduardo Sawazaki. A IAC 10V60 produz em média 1,5 tonelada de palha seca, por hectare, e pode ser cultivada em todas as regiões do País. O sorgo-vassoura é cultivado em pequenas áreas, requer mão de obra considerável e rende mais por área do que algumas culturas tradicionais.

A vantagem da produção de sorgo-vassoura para os pequenos e médios produtores rurais está em sua agregação de valor. “Cada vassoura caipira tem um custo de produção de R$ 6 a R$ 10. Para a produção de uma unidade, são usados 600 gramas de palha de sorgo, daí o interesse por esses materiais”, afirma Sawazaki. Os preços da palha e da vassoura estão em elevação há vários anos.

A variedade IAC 10V60 já é utilizada pelos produtores paulistas, principalmente no município de Tietê. Com o registro no MAPA, o IAC pode começar a disponibilizar sementes de alta qualidade, melhorando a produção dos agricultores. Os interessados nas sementes podem entrar em contato com o Instituto. A  planta é rústica e dispensa a aplicação de defensivos agrícolas. “O sorgo-vassoura produz panículas de boa qualidade mesmo quanto cultivado em solos marginais supridos moderadamente por nutrientes e tolera bem monoculturas repetidas em uma mesma área”, explica Dulcineia Elizabete Foltran, pesquisadora da APTA, integrante das pesquisas com a gramínea. Segundo a pesquisadora, o período chuvoso na fase de amadurecimento das panículas pode afetar a qualidade da palha devido à ação de fungos.

A espécie foi introduzida no Brasil pelos imigrantes europeus e se espalhou pelo País. Na década de 30, existiam 17 fábricas de vassoura caipira no Estado de São Paulo e parte da palha utilizada era importada da Argentina, Itália e Uruguai. Essa indústria floresceu até o surgimento da fibra sintética, quando as vassouras de plástico foram tomando conta do mercado e as fábricas de vassoura de sorgo desaparecendo. “A produção de fibra e a técnica de confecção da vassoura foram preservadas em algumas localidades. Em Tietê, essa atividade é mantida por mão de obra familiar, especialmente pelos membros mais velhos”, explica Dulcineia.

Açúcar mascavo

A APTA apresentará açúcar mascavo produzido a partir de cinco variedades de cana desenvolvidas pelo Programa Cana IAC. O açúcar mascavo pode ser uma importante fonte de renda para os canavicultores, por ter alto valor agregado. Para se ter ideia, um quilo de açúcar refinado custa em torno de R$ 2 no supermercado. O mesmo peso do açúcar mascavo pode custar de  R$ 14 a R$ 20. “É um produto destinado a um nicho de mercado que tem crescido nos últimos anos. Pode ser uma importante fonte alternativa de renda para o pequeno e médio produtor de cana”, afirma Elisangela Marques Jeronimo Torres, pesquisadora da APTA.

No setor de produção do açúcar mascavo ainda predominam conhecimentos informais, tácitos, havendo carência de informações técnicas. Diante disso, a pesquisa da APTA, desenvolvida na Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Jaú, em parceria com Programa Cana, tem o objetivo de avaliar variedades de cana-de-açúcar, mais adequadas para a obtenção de açúcar mascavo, visando maior qualidade do produto e agregação de valor.

“Buscamos contribuir com informações que, possivelmente, atenderão às necessidades dos produtores de açúcar mascavo, como ajustes tecnológicos ao processo de produção em escala artesanal, para a obtenção de um produto com padrão de qualidade que atenda às necessidades e demandas do mercado consumidor”, afirma Elisangela. A pesquisa tem utilizado as variedades de cana IACSP 97-4039, IACSP 93-3046, IACSP 95-5000, IACSP 96-3060 e IACSP 95-5094.

O produto é obtido por meio da evaporação do caldo da cana. Além do seu pode adoçante, tem em sua composição pequenas quantidades de nutrientes, como ferro, potássio e zinco.

Cana forrageira

A variedade de cana IACSP933046, desenvolvida pelo Programa Cana do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, pode ser chamada de multinfuções, por ter dupla aptidão, o que a torna apta para a alimentação animal e produção de etanol, açúcar, incluindo o mascavo, rapadura e aguardente. Com esse perfil, atende a pequenos, médios e grandes produtores. Em um programa de melhoramento genético convencional, como o mantido pelo Programa Cana do IAC, esse resultado é considerado um sucesso no processo de seleção porque foi desenvolvido material que reúne características bromatológicas e agroindustriais que compreendem as várias necessidades do setor e atendem à pecuária e ao setor sucroenergético.

A IACSP933046 apresenta 58% de digestibilidade, apenas dois pontos percentuais a menos do que a variedade IAC862480, desenvolvida especificamente para a finalidade forrageira. “A IACSP933046 apresenta 58% de digestibilidade in vitro da matéria seca e 51% de fibra em detergente neutro (FDN), frente aos 60% de digestibilidade e 48% de FDN apresentados pela cultivar IAC862480; as duas apresentam teores de sacarose acima de 15%, o que é desejável e, portanto, apresentam relação FDN/Pol entorno de 3,4”, explica o pesquisador do IAC, Ivan Antonio dos Anjos.

Essa cana com dupla aptidão pode ser colhida por um período longo, que vai da segunda quinzena de maio até outubro, quando há escassez de pasto para o gado. “A cultivar tem período ótimo de colheita crescente, ou seja, à medida que o período de colheita se estende, a cana fica mais rica em sacarose e o teor de FDN é reduzido. Isso favorece a digestibilidade da fração fibrosa e, consequentemente, o maior consumo do volumoso”, esclarece o pesquisador do IAC, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA).

Pesquisadores do IAC em conjunto com a Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento da APTA de Jaú e o Centro de Inovação, Empreendedorismo e Extensão Universitária (Unicetex), da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP estão realizando um estudo socioeconômico sobre cana forrageira.

Os interessados em cana forrageira, como produtor rural, técnico, alunos e professores, podem acessar o questionário e colaborar com o levantamento. O questionário pode ser preenchido no linkhttp://www.iac.sp.gov.br/areasdepesquisa/cana/pesquisa_cana_forrageira.php. Quanto maior o número de pessoas que responderem, melhor. Por isso, pensamos em utilizar uma plataforma eletrônica que está à disposição das pessoas o tempo todo, não importa o local”, afirma Gabriela Aferri, pesquisadora da APTA que integra o projeto Cana Forrageira do IAC. O questionário poderá ser respondido até julho de 2016, quando está prevista a análise de dados.

FEICOMEX

A FEICOMEX é uma feira de negócios e relacionamento para as empresas e profissionais que a atuam no setor de agricultura familiar, associações e cooperativas  agrícolas.

Durante o evento, será apresentada a importância do associativismo, cooperativismo e da agricultura familiar. Segundo a organização do evento, o Estado de São Paulo possui 325 mil unidades agrícolas, sendo 80% delas pequenas e médias propriedades de base familiar.

Texto: Fernanda Domiciano e Carla Gomes (MTb 28156)

Assessoria de Imprensa – APTA

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