APTA apresenta tecnologias paulistas na Coopershow

Feira será realizada entre 27 e 29 de janeiro, em Cândido Mota,

interior do Estado

Tecnologias e inovações paulistas serão expostas pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Instituto Agronômico (IAC), Instituto de Pesca e das unidades regionais da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), durante a décima edição da Coopershow. A feira será realizada entre 27 e 29 de janeiro de 2016, em Cândido Mota, interior paulista, pela Coopermota Cooperativa Agroindustrial. Pesquisadores da APTA apresentarão tecnologias em milho safrinha, como o consórcio de milho com braquiária e monitoramento de doenças, cana-de-açúcar, fruticultura, mandioca para indústria e mesa e piscicultura.

A Coopershow é um evento tradicional na região do Médio Paranapanema e reúne produtores rurais, principalmente ligados à Coopermota, técnicos e estudantes de ciências agrárias e interessados em conhecer as novidades para o setor. “A APTA vai expor tecnologias que estão diretamente ligadas à vocação da região, que é produtora de grãos, cana, mandioca e frutas e a segunda maior região produtora de peixes no Estado de São Paulo” afirma o pesquisador da Secretaria, que atua na APTA, Sergio Doná.

Segundo o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, a participação de eventos como esse é importante para aproximar as pesquisas desenvolvidas pelos Institutos dos produtores rurais. “Esta é uma recomendação do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin”, afirma.

Consórcio aumenta produtividade da soja em 20%

A conservação do solo, o aumento de produtividade de grãos e a alimentação do rebanho no inverno são algumas das inúmeras preocupações do produtor rural. O Consórcio entre Milho e Plantas Forrageiras, desenvolvido nas condições regionais do Médio Paranapanema pelo IAC, pode aumentar em até 20% a produtividade da soja cultivada em sucessão à cultura do milho safrinha, além de servir de forragem para os animais na entressafra e contribuir para melhorar a qualidade do solo.

A técnica consiste em semear a braquiária na entrelinha do milho com espaçamento de 90 centímetros. A máquina semeadora-adubadora distribui simultaneamente as sementes de braquiária e milho safrinha que ficam com 45 cm de espaçamento entre si. Em lavouras de milho com espaçamento reduzido, a melhor alternativa é o uso da terceira caixa específica para as sementes de braquiária. “A implantação do consórcio é de baixo custo. Em média, o investimento em sementes de capim-braquiária está próximo de R$ 30 por hectare”, afirma o pesquisador da Pasta, que trabalha no IAC, Aildson Pereira Duarte.

Outro beneficio destacado por Duarte é o fornecimento de plantas forrageiras na entressafra para as atividades de bovino e ovinocultura nas regiões produtoras de milho safrinha. “Ressalte-se que a braquiária é de boa qualidade porque o capim é pastejado ou ensilado no estágio vegetativo”, afirma o pesquisador.

Brachiaria ruziziensis, que é a mais indicada para o consórcio com o milho safrinha, possibilita o aumento da ciclagem de nutrientes, especialmente de potássio. “São acumulados cerca de 25 a 30 kg de potássio (K2O) por tonelada de massa seca da parte aérea que, após a dessecação com glifosato, são rapidamente mineralizados e contribuem para a nutrição da soja cultivada em sucessão”, afirma Duarte.

Na maioria dos casos, o consórcio produz pelo menos 1,5  tonelada por hectare de massa seca de capim e, consequentemente, recicla 38  kg de K2O por hectare. Além disso, a palha da Brachiaria ruziziensis aumenta a cobertura do solo e suas raízes, que são numerosas e muito ramificadas, e melhoram a estrutura do solo, resultando em maior disponibilidade de água para as plantas em estiagens moderadas.

Monitoramento de doenças foliares no milho

O Instituto Agronômico, juntamente com o Instituto Biológico e os Polos Regionais, realiza há duas décadas o monitoramento das doenças no Estado de São Paulo e o estudo da resistência das principais cultivares de milho às doenças foliares, além de sua resposta a fungicidas. Este acompanhamento contínuo permite conhecer as principais doenças de ocorrência regional e auxilia no posicionamento de cultivares resistentes a patógenos, reduzindo a necessidade do uso de fungidas. Orankingdas cultivares mais produtivas regionalmente e com melhor sanidade foliar, tanto na safra de verão como na safrinha, é divulgado todos os anos no sitewww.zeamays.com.br.

Sistema de Mudas Pré-brotadas (MPB) de cana

O público da Coopershow poderá conhecer o Sistema de Mudas Pré-brotadas (MPB) de cana, uma tecnologia de multiplicação, desenvolvida pelo IAC, que contribui para a produção rápida de mudas e promove salto na qualidade fitossanitária, vigor e uniformidade de plantio.

Outro importante benefício do MPB está na redução da quantidade inicial de material de propagação que vai a campo. Para o plantio convencional de um hectare de cana, o consumo de mudas cai de 18 a 20 toneladas para duas toneladas no MPB. Isso significa que, ao menos, 18 toneladas que seriam enterradas como mudas vão para a indústria produzir açúcar e etanol. Além da economia e dos impactos positivos na logística, o sistema permite que novas cultivares e seus ganhos cheguemrapidamenteao produtor.


Variedades de cana-de-açúcar

O Instituto Agronômico também vai expor na Coopershow variedades de cana com alta produtividade, elevado teor de sacarose, adaptadas à colheita mecânica e adequadas às condições da região do Médio Paranapanema. As variedades apresentam estabilidade fenotípica e algumas são responsivas aos ambientes favoráveis, adaptadas, praticamente, a todas as regiões de cultivo da região Centro-Sul do Brasil, com possibilidades de colheita nas diversas épocas do ano, favorecendo o manejo e agregando ganhos ao setor sucroenergético. 

Mandioca

A região do Médio Paranapanema é a maior produtora de mandioca para indústria do Estado de São Paulo, respondendo por 50% da produção estadual de raiz e 70% da produção de fécula. A principal variedade de mandioca para indústria plantada na região é a IAC 14, que produz cerca de 25 toneladas por hectare no primeiro ciclo e 35 t/ha no segundo. “A IAC 14 é a variedade de mandioca mais processada pelas indústrias da região”, afirma, Sergio Doná. Também será exposta na feira a variedade IAC 90, bastante cultivada no Estado de São Paulo e no Mato Grosso do Sul.

A variedade de mandioca para mesa IAC 576-70, mais conhecida como “Amarelinha”, também será exposta na Coopershow. O material está em 100% dos campos paulistas, por ser mais produtiva e resistente a doenças e ter alto valor nutricional. “A IAC 576-70 contribui fortemente para a segurança alimentar nas áreas periféricas das regiões urbanas, pois produz o dobro das variedades antigas cultivadas em pequenas hortas de baixa renda nas referidas regiões. Atualmente, o material do IAC é cultivado em todas as cidades do Estado de São Paulo”, afirma Teresa Losada Valle, pesquisadora do IAC. Os materiais mais antigos produzem cerca de 15 toneladas por hectare, enquanto a Amarelinha produz 30.

A IAC 576-70 destaca-se pelo alto valor nutricional. Ela tem 220 Unidades Internacionais (UI) de vitamina A, diante de 10 UI de vitamina A presentes nas variedades de polpa branca. É quase 20 vezes mais. Novas pesquisas do IAC, ainda em andamento, já conseguiram quadruplicar esse índice, e há clones com cerca de 800 UI de vitamina A.

Fruticultura

O pesquisador da APTA Sergio Doná apresentará na Coopershow resultados de pesquisa em que foi avaliado o desempenho produtivo de diferentes cultivares de pêssego e da videira ‘Niágara Rosada’, enxertada em diferentes porta-enxertos. Serão apresentadas informações sobre produtividade, época de melhor produção, colheita e ocorrência de doenças e pragas, como a mosca-das-frutas, observadas nos experimentos.

Doná também apresentará resultados de projeto de pesquisa que avaliou o desempenho de diferentes porta-enxertos e cultivares de uva e pêssego, sob irrigação, com potencial para serem utilizados por produtores da região do Médio Paranapanema. “O objetivo do trabalho foi gerar informações para a utilização racional de água nessas culturas na região”, afirma o pesquisador da APTA.

Piscicultura

As principais espécies de peixes cultivadas no Estado de São Paulo serão expostas em aquários de cerca de 500 litros pelo Polo Regional do Médio Paranapanema, o Instituto de Pesca e a Piscicultura Bonanza, parceira das pesquisas realizadas pela APTA.

O público terá informações sobre as principais espécies cultivadas, como tilápia, pacu, piauçu, matrinchã, pintado, dourado, piracanjuba e carpa, e as tecnologias desenvolvidas pelo Instituto de Pesca e APTA Regional. “Vamos levar a pesquisa aplicada para a cadeia produtiva do pescado”, afirma Luiz Marques da Silva Ayroza, diretor-geral do Instituto de Pesca.

Por Fernanda Domiciano
Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios 
19  - 2137-0616/0613

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