APTA apresenta sistema de cultivo que integra produção de lambari com hortaliças

A Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) apresenta um novo sistema de produção com a integração de lambari e hortaliças durante o III Curso de reprodução induzida e técnicas de cultivo do lambari, que será realizado em 30 e 31 de outubro, em Cachoeira de Emas, distrito de Pirassununga, interior paulista. A alternativa sustentável de produção integrada, chamada aquaponia, é pesquisada no mundo todo, sobretudo utilizando a tilápia como espécie de peixe principal. Há cerca de seis meses os pesquisadores da APTA iniciaram projeto com o uso de lambari. Segundo eles, com o sistema, os produtores podem ter duas fontes de renda em um mesmo espaço e reduzir o consumo de água. Para se ter uma ideia, na aquaponia há redução de até 95% da quantidade de água necessária para a produção de peixes, em comparação com sistemas tradicionais de piscicultura. Também há economia considerável de água na produção de hortaliças quando comparado com o cultivo tradicional, em canteiros de terra, pois na aquaponia não há perdas de água por infiltração no solo. O lambari agrega mais uma vantagem ao sistema: precisa da metade do tempo que a tilápia, por exemplo, para ter tamanho comercial. O novo conceito de produção que está sendo introduzido pela APTA no Estado de São Paulo, agrupa todas as vantagens da produção intensiva de lambari com a hidroponia, em que as plantas não têm contato com o solo e são cultivadas em água e/ou substrato, dentro de estufas. Neste ambiente, há diminuição na ocorrência de pragas e doenças e proteção de intempéries climáticas e ataques de aves. Os resultados são plantas com melhor qualidade e redução de até 80% no uso de agrotóxicos. Em alguns casos, o controle químico é totalmente dispensado. O projeto de aquaponia da APTA consiste em utilizar os resíduos do sistema de produção do lambari para o cultivo hidropônico. Com isso, é possível cultivar peixes e plantas gastando até 95% menos de água. “Na aquaponia não há necessidade de renovação de água, pois as plantas capturam esse excesso de nutrientes. A perda de água dentro de um sistema aquapônico em condições normais se dá unicamente por evaporação e transpiração das plantas. A intensidade da perda varia conforme o microclima onde o cultivo está instalado”, afirma Fernando André Salles, pesquisador da APTA, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. A ideia dos pesquisadores é introduzir o sistema em São Paulo, por ser um Estado bastante populoso e possuir demanda crescente por alimentos e por água. A tecnologia é utilizada em países como Estados Unidos, Canadá e Austrália. “A agricultura é uma atividade extremamente dependente de água para conseguir adequada produtividade de alimentos, o que acaba competindo com recursos hídricos para a população urbana. Qualquer técnica que consiga reduzir a quantidade de água na produção de alimentos é extremamente bem-vinda”, afirma Salles. O uso de lambari para o sistema também é interessante, já que 70% da produção nacional de lambari é para abastecer o mercado paulista. O peixe é usado, principalmente, como isca viva na pesca esportiva. A principal diferença entre o uso do lambari e outros peixes é o tempo  necessário para atingir tamanho comercial. O lambari precisa de três a quatro meses, enquanto espécies como a tilápia, precisam de oito meses. “Os resultados em termos de produção é que podemos ter maior número de ciclos ao longo do ano”, afirma o pesquisador da APTA, Fábio Sussel. Soma-se a isso, a redução do tempo de cultivo das hortaliças, facilitação da mão de obra e reaproveitamento dos nutrientes presentes na solução aquosa. Para se ter ideia, o custo de fertilizante para produzir mil plantas está estimado entre R$ 30,00 a R$ 40,00. O custo total de produção por planta na hidroponia varia de R$ 0,20 a R$ 0,40. Para o consumidor, a vantagem está no maior tempo de conservação das folhosas e facilidade na higienização, pois não há contato com o solo. Segundo Sussel, os pesquisadores da APTA estão, a princípio, propondo a produção aquapônica em módulo familiar, ou seja, em compartimentos de 1m³ onde se trabalha com 600 litros de água e é possível produzir 400 lambaris e três  ciclos de hortaliças em três meses. Esse modelo representaria uma opção prática, moderna e sustentável de produzir alimentos de qualidade no próprio quintal. “No entanto, em sistemas comerciais de aquaponia, o lambari é mais rentável quando comparado com outras espécies, por ter valor agregado por unidade, já que é comercializado como isca viva para a pesca esportiva, não havendo perdas e nem custos com abate e processamento”, explica. Entenda como funciona o sistema No sistema aquapônico é possível produzir qualquer hortaliça de fruta ou folhosas, além de outras espécies de plantas de valor econômico, como estévia e plantas aromáticas e medicinais. “Não há restrição quanto às espécies de peixes, desde que sejam adaptadas a condições de confinamento, como as trutas e as tilápias”, diz Salles. Salles explica que a proteína presente na ração é metabolizada para formação do tecido muscular do peixe, porém, parte é excretada diretamente pelas brânquias dos animais na forma de amônia ou é perdida por meio das fezes. A amônia, mesmo em baixas concentrações, é tóxica para o peixe. ”No sistema de produção aquapônica, a amônia presente na água passa por um filtro biológico onde ocorre a nitrificação, transformando-a em nitritos e, subsequentemente, em nitratos, este último produto, de baixa toxicidade para os peixes, é prontamente absorvido pelas plantas na produção hidropônica”, explica. Além dos nitratos, a mineralização dos dejetos dos peixes fornece às plantas boa parte dos elementos necessários ao crescimento, como o fósforo, cálcio e ferro, entre outros. Com isso, não há a necessidade do uso intensivo de fertilizantes químicos. A tecnologia poderá ser utilizada por pequenos, médios e grandes produtores. Os pesquisadores da APTA trabalham em conjunto com técnicos de extensão da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) para fomentar e divulgar os resultados das pesquisas, que devem começar a ser disponibilizados em dois anos. “Estamos em fase embrionária do trabalho científico, que no futuro servirá para apoiar tecnicamente o sistema para que o produtor o utilize com racionalidade e sustentabilidade”, afirma Salles. 

Produção de lambari Estima-se que a produção nacional de lambari totalize 120 milhões de unidades, por ano. São Paulo é o maior produtor, com 80 milhões por ano, seguido de Mato Grosso, Minas Gerais, Goiás e Paraná. Praticamente 100% da produção são destinados ao mercado de isca viva para pesca esportiva, atividade que vem crescendo nos últimos anos. “Apesar de historicamente os rios de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul terem fama de piscosos, o grande mercado de pesca esportiva hoje encontra-se em São Paulo, especialmente para pesca de corvina e tucunaré. Cerca de 70% da produção nacional de lambari são para abastecer o mercado paulista”, explica Sussel. De acordo com o pesquisador, o produtor de lambari recebe, na propriedade, cerca de R$ 0,17 pela unidade de peixe e tem custo de produção de R$ 0,06. O intermediário revende para as pousadas por R$ 0,25 a R$ 0,30 e as pousadas revendem para o pescador esportivo por R$ 0,50 a unidade. “Há cinco anos a lambaricultura se profissionalizou. Mesmo com aumento expressivo da produção ano a ano, nunca foi possível atender à demanda, já que a pesca esportiva cresce em maior velocidade. É comum faltar lambaris nas pousadas em feriados prolongados. Este ano, por conta da estiagem, a produção será menor e certamente faltará lambari para a pesca esportiva”, afirma Sussel.

Evento O III Curso de reprodução induzida e técnicas de cultivo do lambari será realizado de 30 a 31 de outubro de 2014, na Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento da APTA de Pirassununga, no distrito de Cachoeira de Emas. Serão 14 palestras ministradas por pesquisadores da APTA, além das atividades práticas como seleção de matrizes e indução hormonal. Serviço III Curso de reprodução induzida e técnicas de cultivo do lambari Data: de 30 a 31 de outubro de 2014 Local: UPD da APTA de Pirassununga Endereço: Av. Virgilio Baggio, 85, Cachoeira das Emas – SP Mais informações: 19 – 3565-1200

Texto: Fernanda Domiciano
Assessoria de Imprensa - APTA
Edição: Carla Gomes (MTb 28156)

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