Pesquisas da APTA com búfalos auxiliam no desenvolvimento do Vale do Ribeira

 bufalos arte

 

A Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, mantém no município de Registro uma das únicas unidades de pesquisa brasileira a trabalhar exclusivamente com búfalos. Os trabalhos desenvolvidos há 29 anos na Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento (UPD) de Registro da Agência contribuem para fomentar a bubalinocultura brasileira e desenvolver o Vale do Ribeira, região que exibe a menor taxa de urbanização, o menor Produto Interno Bruto (PIB) e os mais baixos índices de riqueza do Estado de São Paulo.


A agropecuária é a segunda atividade mais importante da região, perdendo apenas para o setor de serviços. Dados extraoficiais apontam um total de 23 mil cabeças de búfalos distribuídas em 200 propriedades do Vale do Ribeira, colocando-a como região com maior rebanho bubalino do Estado de São Paulo. A bubalinocultura é horizontalizada em pequenas e médias propriedades.

“Por estas características e pelo limitado acesso às tecnologias pelos produtores familiares, delineamos o projeto de nutrição, controle produtivo, sanitário e reprodutivo de búfalas leiteiras. O objetivo é implantar melhorias na unidade de pesquisa para, com isso, torná-la Unidade Modelo de Pesquisa, Desenvolvimento e Difusão de Tecnologias para a Região do Vale do Ribeira”, afirma Nelcio Antonio Tonizza Carvalho, pesquisador da Secretaria que atua na APTA. As pesquisas têm como foco a nutrição adequada dos animais, suplementação mineral correta, controle sanitário e produtivo e conduta apropriada dentro das recomendações técnicas.

  

A ideia é que o produtor familiar se espelhe na unidade da APTA para aumentar a produtividade de seu rebanho, melhorando suas condições socioeconômicas. “O progresso da atividade do produtor se reflete em maior remuneração, possibilidade de empregar toda a família na atividade e geração de novos empregos para a população. Neste contexto, permite que os envolvidos na atividade sejam incluídos na sociedade de maneira digna e tenham melhor qualidade de vida”, explica o pesquisador.

 

Os trabalhos são conduzidos em parceria com o Departamento de Reprodução Animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) da Secretaria, órgãos municipais, associações e empresas privadas.

 

Inseminação artificial

Um dos trabalhos inovadores conduzidos na unidade é a chamada inseminação artificial em tempo fixo (IATF). Com a contribuição das pesquisas desenvolvidas na UPD, atualmente é possível utilizar esta biotecnologia em novilhas búfalas em larga escala e, desta forma, aumentar a velocidade do ganho genético em uma propriedade.

 

Em junho de 2016, Carvalho apresentou os trabalhos da Unidade no maior congresso da área de reprodução animal do mundo, o 18th International Congress on Animal Reproduction (ICAR), realizado em Tours, na França. O pesquisador expôs o trabalho Strategies to Overcome Seasonal Anestrus in Water Buffalo. “Nossa participação neste evento foi de suma importância para a instituição, pois pudemos apresentar os trabalhos desenvolvidos na Unidade para a comunidade científica de todo o mundo. Apresentamos a palestra no Symposium Buffalo Reproduction junto das maiores autoridades mundiais em reprodução de búfalos. Além da apresentação oral, foi publicado um artigo de revisão na revista Theriogenology”, afirma Carvalho.

 

 A pesquisa da APTA possibilitou a sincronização da ovulação para a IATF de búfalas ao longo do ano com eficiência satisfatória, mesmo em regiões e até mesmo países em que os búfalos apresentam evidente sazonalidade reprodutiva. Com o emprego do protocolo da Agência é possível obter, aproximadamente, 50% de prenhes, tanto no outono e inverno, que são estações reprodutivas favoráveis, quanto na primavera e verão, considerados desfavoráveis. Sem a utilização da tecnologia, a taxa de prenhes em época desfavorável é de no máximo 25%. A tecnologia é utilizada em todo o Brasil e também no exterior.


“A tecnologia permite associar o emprego da inseminação artificial com a desestacionalização dos partos, tão importante para evitar a concentração fisiológica dos partos e da produção de leite. Isso contribui para o abastecimento da demanda contínua de leite para a indústria láctea de búfalos”, afirma o pesquisador.


Carvalho explica que os búfalos são poliéstricos estacionais de dias curtos. Desta forma, no período chamado de anestro sazonal, em que as búfalas não apresentam comportamento estral (cio) e não acontece a ovulação, ocorre comprometimento da função reprodutiva. Antes do trabalho desenvolvido pela APTA há 15 anos, as búfalas se reproduziam apenas nas estações reprodutivas consideradas favoráveis à espécie (outono e inverno), devido à produção do hormônio melatonina, responsável pela produção e liberação de outros hormônios envolvidos com a reprodução.

  

“Por esse motivo, os animais concentravam a produção de leite em determinado período do ano, o que é ruim para todo o setor produtivo. Com o trabalho da APTA, hoje existe a possibilidade de tornar mais linear a produção de leite, pois por meio da administração de fármacos, tornou-se possível a realização da IATF durante todo o ano. As búfalas podem parir e entrar em lactação durante todos os meses do ano”, diz o pesquisador.


Por Fernanda Domiciano

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