UNIDADE SEDE DO POLO REGIONAL SUDOESTE PAULISTA/APTAREGIONAL COMPLETA 70 ANOS DE PESQUISAS

 

Área reúne desenvolvimento de novas variedades de aveia preta – usada na alimentação animal
 
Em seus 70 anos ininterruptos de pesquisas, comemorados em 8 de fevereiro de 2013, a Unidade Sede do Polo Sudoeste Paulista, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), contribui para o desenvolvimento do agronegócio na região Sudoeste do Estado de Paulo. A antiga Estação Experimental do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, atualmente chamada de Polo Sudoeste Paulista/APTA Regional, continua participando ativamente dos trabalhos do Instituto. Exemplos recentes são o lançamento da variedade de triticale IAC-6 Pardal e a descoberta da presença de isoflavona no feijão, fitoestrógeno que pode prevenir doenças coronárias e crônicas, bem como ser usado na reposição hormonal pelas mulheres. Ao todo, a unidade da APTA Regional já participou das pesquisas para lançamento de 50 variedades IAC de feijão, trigo, triticale, aveia e batata.
 
Os pesquisadores mantêm os trabalhos de melhoramento genético de citros, uva, feijão, milho, batata e cereais de inverno, sendo um deles o desenvolvimento de novos materiais de aveia preta, usados na alimentação animal, cobertura do solo e na integração agricultura-pecuária. Os trabalhos ainda não estão finalizados, mas os pesquisadores esperam lançar em breve variedades com melhor produtividade e mais tolerantes a doenças do que as presentes no mercado.
 
De acordo com a diretora do Polo, Vera Lucia Nishijima Paes de Barros, a aveia preta é uma espécie muito versátil, que pode ser utilizada na alimentação de bovinos, em pastagem cultivada de inverno, como melhoradora de pastagens naturais ou como cobertura, visando o plantio direto. A gramínea é considerada uma das principais forrageiras de inverno do País. A variedade não é consumida pelos humanos devido à coloração mais escura, porém, é bastante utilizada na alimentação animal. “A aveia preta tem excelente valor nutritivo, podendo atingir até 26% de proteína bruta no início do pastejo, tem ainda boa palatabilidade e digestibilidade de 60% a 80%”, afirma a pesquisadora da APTA, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
 
No Polo Sudoeste Paulista/APTA Regional, localizado em Capão Bonito, é mantido um banco de germoplasma de aveia – coleção de plantas indispensáveis às pesquisas agrícolas com o melhoramento genético. Após seleção e cruzamentos, os pesquisadores trabalham com as linhagens de aveia preta, os quais apresentam bom potencial para o uso em forragem, cobertura do solo e com boas características agronômicas.
 
Segundo Barros, apesar de a aveia preta ser uma gramínea forrageira de fácil implantação e utilização, a produção de sementes com qualidade e quantidade necessárias tem ficado abaixo da demanda. Isso porque os agricultores ou pecuaristas colhem o grão oriundo do rebrote das pastagens e o reutiliza nas propriedades. As sobras são colocadas no mercado como sementes de aveia comum. “Esses grãos têm baixa qualidade genética e fisiológica e não há controle de gerações. Por isso, é necessário, por meio da ciência, disponibilizarmos aos produtores sementes de qualidade”, afirma.
 
O trabalho tem o objetivo de obter materiais mais produtivos e tolerantes às principais doenças da cultura, como a ferrugem da folha e do colmo, além do helmintosporiose. “Visando à produção de sementes, será possível que os produtores diminuam o uso de defensivos agrícolas e, consequentemente, reduzam os custos de produção”, afirma Barros. De acordo com a pesquisadora da APTA, existem variedades de aveia branca selecionadas para produção de forragem, porém, elas são mais sensíveis a doenças.
 
Por deixar grande quantidade de palha na cobertura do solo, a aveia preta é recomendada para o plantio direto na palha e na rotação de culturas. São atribuídas a essa gramínea os efeitos físicos e alelopáticos que reduzem a infestação de plantas invasoras, diminuindo até mesmo o número de capinas. “A aveia preta, antes destinada somente à cobertura verde e morta do solo, passou a ser utilizada para fins forrageiros devido ao aumento da importância da integração entre a lavoura e a pecuária. Na região Sudoeste de São Paulo, as pastagens nativas são as principais fontes para a alimentação animal, porém, durante o inverno elas não crescem e ficam envelhecidas e queimadas por conta das geadas. Dessa forma, elas não suprem a necessidade para a manutenção do peso dos animais”, explica Barros.
 
A planta se adapta a vários tipos de solo e responde bem à adubação, principalmente ao nitrogênio e ao fósforo. A aveia preta suporta o estresse hídrico e a geada, melhora a absorção de nutrientes pelas plantas subsequentes e disponibiliza teores adequados de manganês e zinco para o cultivo orgânico de hortaliças. “Como pastagem, a aveia tolera pisoteio e até três cortes, além de ocupar grandes áreas ociosas no inverno e ter menor ciclo vegetativo”, afirma a pesquisadora da APTA.
 
70 anos
O Polo Sudoeste Paulista, localizado em Capão Bonito, é uma unidade regional da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Sua missão é gerar e transferir conhecimento para o desenvolvimento sustentável do agronegócio regional, focado na diversidade agropecuária. A Unidade de Capão Bonito era uma Estação Experimental do IAC. A partir de 2002, com a reforma administrativa, tornou-se Polo e passou a intensificar os trabalhos com pesquisadores do IAC, do Instituto de Economia Agrícola (IEA), do Instituto Biológico (IB) e com empresas das cadeias do agronegócio. Sob esse novo regime, o Polo tem dez anos, mas a unidade existe há sete décadas. Ao longo desse período, foram desenvolvidas 50 variedades IAC, com participação da Unidade. Os materiais têm elevada qualidade nutricional, alta produtividade, elevada resistência fitossanitária e menor exigência hídrica. O Polo atende 29 municípios do interior de São Paulo.
 
Suas atividades priorizam a diversidade do agronegócio e o atendimento ao produtor, de forma a incentivá-lo a ofertar produtos de alimentos básicos – feijão, arroz, milho, soja e cereais de inverno –, além de frutas de clima temperado e subtropical – pêssego, ameixa, nectarina, pera, uva, laranja e tangerina.
 
“São 70 anos de ações de sucesso na pesquisa agrícola regional, no Estado de São Paulo, sempre considerando a diversidade edafoclimática dos municípios em sua área de abrangência. A região Sudoeste do Estado é caracterizada por ser reduto clássico da pequena e da média propriedade agrícola e da produção de alimentos básicos para consumo interno. Sob este ponto de vista, no decorrer dos 70 anos, a Unidade vem implantando e consolidando propostas de ações coletivas às pesquisas, visando melhorias das condições socioeconômicas dos produtores familiares paulistas”, afirma Barros.
 
 
 
Texto
Fernanda Domiciano
Assessoria de Imprensa – APTA
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