UNICAMP: PESQUISADORA UTILIZA GÁS ETILENO PARA AMADURECIMENTO DO TOMATE

01/12/2005
 
Nos Estados Unidos e Europa é comum realizar o processo de amadurecimento do tomate de mesa com gás etileno – hormônio natural produzido por plantas e que não causa nenhum efeito deletério no organismo humano. Nestes locais, são inúmeras as cultivares em que se adota o processo, já que os efeitos e conseqüências da aplicação do gás etileno são bastante conhecidos. Com isso, é possível obter uma qualidade aceitável do produto nestes países. No Brasil, no entanto, pouco se sabe a respeito. Uma pesquisa feita nos laboratórios da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri) da Unicamp promete pôr fim ao desconhecimento da técnica. A engenheira Caroline Andreuccetti testou o tratamento em duas cultivares do tomate brasileiro: Débora e Andréa.

Nos experimentos a pesquisadora aplicou, em fluxo contínuo por 48 horas, o gás no tomate ainda verde e, na seqüência, armazenou em câmeras de refrigeração a 20oC. Após o tratamento, Caroline já observou alteração na coloração. O gás em contato com os frutos produziu o amadurecimento de forma homogênea. “A técnica permitiu acelerar o processo em até dois dias. Para a comparação, procedemos o resfriamento de parte dos tomates sem a aplicação do gás”, explica. Depois de terminado o processo, a pesquisadora realizou análise das modificações químicas e físicas para comparar com os padrões preconizados para a qualidade do produto.

A dissertação de mestrado de Caroline, denominada “Avaliação da qualidade do tomate de mesa tratado com gás etileno”, orientada pelo professor Marcos David Ferreira, foi apresentada em outubro, na Feagri e faz parte de um projeto para melhoria na eficiência no sistema de colheita e beneficiamento, o Projeto Unimac. No trabalho, ela detalha que na cultivar Andréa não houve nenhum tipo de modificação. “Somente constatamos o amadurecimento de maneira uniforme”, destaca. Já no caso da cultivar Débora, além da uniformidade no amadurecimento, houve menor perda de massa no lote em que o gás etileno foi aplicado. Também se observou maior teor de açúcar. “Isto indica que há potencial para que se realize o tratamento com a cultivar Débora e não para a cultivar Andréa”, esclarece.

A pesquisa realizada por Caroline traz inúmeras informações sobre a resposta das cultivares com a aplicação do etileno no país, onde só é utilizada a técnica para o amadurecimento da banana. Por isso, as novas descobertas irão possibilitar ao produtor maior referência na hora de realizar o processo para o controle das demandas de mercado.

 

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