TRATORAÇO: REUNIÃO HOJE DEVE COMPLETAR NEGOCIAÇÕES

30/06/2005
Encontro marcado para hoje pela manhã entre lideranças do Tratoraço e os ministros da Agricultura, Roberto Rodrigues, da Fazenda, Antônio Palocci, parlamentares e o líder do governo no Senado, Aloísio Mercadante, deverá encerrar o processo de negociação com os produtores rurais.

A expectativa foi revelada ontem à noite por Mercadante, após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto. “Sempre há espaço para buscar uma solução. Há uma crise no setor agrícola e o Estado precisa intervir no sentido de preservar a renda agrícola e continuar impulsionando a agricultura, que tem tido um desempenho extraordinário no Brasil batendo todos os recordes de produção, saldo comercial e geração de empregos”.

O senador Mercadante entrou na negociação com os produtores rurais a pedido do presidente da Comissão de Agricultura do Senado, senador Sérgio Guerra. Junto com os ministros Antônio Palocci e Roberto Rodrigues, recebeu do presidente ontem à noite delegação para negociar com os produtores rurais na tentativa de resolver as pendências que ainda ficaram da reunião ocorrida na manhã de ontem no Planalto.

“Há somente dois pontos pendentes: o preço do arroz e o problema da prorrogação das dívidas”, disse. O senador reconheceu o aumento dos custos de produção de alguns produtos e declarou que, apesar das restrições fiscais severas, o governo já atendeu uma parte importante das reivindicações e espera concluir o processo em uma negociação democrática e respeitosa.

Conforme comunicado da CNA, o líder do PSDB no Senado, senador Arthur Virgílio, disse, de sua parte, ter ficado muito preocupado com o quadro relatado durante a reunião no Planalto. “Notei os líderes do movimento muito preocupados e o governo não querendo uma conversa imediata, até com certa legitimidade, para não parecer rendição. Mas espero que o entendimento se faça até para que a agricultura continue dando as alegrias que dá à balança comercial brasileira”.

Balanço positivo – O presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado do Mato Grosso (Famato) e coordenador do Tratoraço – o Alerta do Campo, Homero Alves Pereira, considerou positivo o fato de o governo ter atendido parte das propostas apresentadas pelo setor agropecuário. Após audiência com o presidente Lula, Homero Pereira fez um balanço das conquistas até aquele momento.

O governo autorizou a liberação de R$ 4 bilhões de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), sendo R$ 3 bilhões via BNDES, para que os produtores possam cumprir seus compromissos junto às indústrias fornecedoras de insumos, máquinas e equipamentos agrícolas. “Foi uma conquista interessante, porque os juros são baixos, de 8,75% ao ano, e a indústria vai assumir a diferença dos juros de mercado”.

O coordenador do Tratoraço informou ainda que o governo também aprovou a importação de agroquímicos de países do Mercosul. “Essa medida vai melhorar a nossa competitividade, pois implicará em redução dos custos de produção”, comentou. Ele acrescentou que, em alguns casos, os produtores brasileiros compram agroquímicos até 100% mais caros que os concorrentes.

Homero Pereira também ressaltou os avanços no item “seguro rural”. Segundo ele, o governo está disposto a subvencionar um terço do prêmio e, além disso, aprovou a criação de um fundo de catástrofe, que teria recursos da ordem de R$ 62 milhões para a próxima safra, chegando a R$ 200 milhões em três anos. “Não se trata de um fundo perdido, porque ele se retroalimenta, quando o produtor paga a sua parte do prêmio”, explicou.

O governo também acenou com a possibilidade de liberar as garantias oferecidas pelos produtores por ocasião do Programa Especial de Saneamento de Ativos (Pesa) e da securitização para que eles possam acessar os recursos do novo plano agrícola e pecuário.

Homero Pereira disse que a participação dos produtores no Tratoraço superou todas as expectativas, chegando a cerca de 25 mil, bem acima dos 15 mil previstos. O número de tratores na Esplanada também saltou de uma previsão inicial de 2 mil para mais de 3 mil. “Esperamos que, a partir do Tratoraço, o governo possa tratar a agricultura de forma diferente, entendendo as particularidades do setor”.

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