SEMINÁRIO DISCUTE PRODUÇÃO DE FLORES E PLANTAS ORNAMENTAIS NO VALE DO RIBEIRA (SP)

 

O Polo Vale do Ribeira/APTA Regional, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, e o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (SEBRAE-SP) realizam, nos dias 29 e 30 de abril, em Pariquera-Açu (SP), o “Seminário Plantas Ornamentais e Flores Tropicais”, com o apoio da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI/SAA), da Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA/SAA), Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP), Sindicatos Rurais e Prefeituras Municipais.  O evento é destinado a produtores rurais, técnicos, pesquisadores, estudantes e outros interessados no setor.

O objetivo do evento é apresentar informações técnicas sobre a produção e pós-colheita de plantas ornamentais e flores tropicais. As palestras vão abordar temas como potencial e tendências de mercado, controle de doenças, fertirrigação, colheita e pós-colheita, legalização de viveiros de mudas, nota fiscal e CNPJ do produtor, clínica fitopatológica e associativismo, além de minicursos.

Importância econômica

Segundo o pesquisador Edson Shigueaki Nomura, do Polo Vale do Ribeira/APTA Regional, a produção de flores e plantas ornamentais na região teve início na década de 1960, principalmente com a produção do antúrio pelos produtores Sojiro Shimizu e Tosuke Sassaki. Eles realizaram visitas às outras regiões produtoras onde adquiriram mudas de antúrio, formando as suas primeiras matrizes. A partir destas, cruzamentos entre plantas foram realizados e mudas foram distribuídas por toda a região. Um dos agricultores beneficiados foi Takeshi Oki, do município de Iguape, que atualmente é um dos maiores produtores de antúrio no Brasil, com cerca de cinco hectares de viveiro.

O antúrio é, atualmente, a principal espécie de flor tropical cultivada na região, com cerca de 25 hectares distribuídos pelos municípios de Iguape, Pariquera-açu e Registro, conta Nomura. “Apesar da grande área de produção, falta um programa de padronização das flores para atender as exigências das empresas exportadoras, além da falta de interesse desses produtores em investir no mercado externo. O tradicionalismo arraigado e os altos custos de produção desestimulam os produtores em investir na aquisição de variedades selecionadas e montagem de viveiros mais adequados para atender os padrões de qualidade para exportação.”

Outras espécies cultivadas na região do Vale do Ribeira são as helicônias, alpínia e zingiberáceas, mas com pouca expressão, observa o pesquisador. “Geralmente são produzidas com pouco investimento e comercializadas mudas para a composição de parques e jardins. Apesar disso, vem crescendo o interesse no seu cultivo como flor de corte, devido as suas variações de cores e formas exóticas e ao sucesso da produção na região do Nordeste, que atraem cada vez mais o mercado internacional.”

Em termos de valor da produção de flores, plantas ornamentais e gramas, o Polo Vale do Ribeira ocupa a quarta posição no Estado, com R$ 9,92 milhões (3,0% do total), atrás da sede da APTA Regional e dos Polos Leste Paulista e Sudoeste Paulista (dados de 2002). Isto chama a atenção, diz Nomura, “pois esta região se caracteriza por apresentar um dos mais baixos indicadores socioeconômicos, devido à histórica ausência de infra-estrutura básica, topografia acidentada e grandes áreas preservadas da Mata Atlântica (92%). Apesar de reduzida área de exploração agrícola, o setor está em plena expansão, principalmente na produção de árvores, palmeiras nativas e exóticas, antúrios, helicônias etc.”.

Tendência

As flores tropicais têm condições de se firmar no mercado mundial, diz Nomura, “pois as condições naturais (solo e clima) que o Brasil desfruta são importantes armas para o aumento de nossa participação, de modo tranqüilo e seguro. Além desses fatores oferecidos pela natureza, temos a mão-de-obra de algumas etnias que há gerações lidam com flores e proximidade aos principais centros consumidores.”

A produção de flores e plantas ornamentais em recipientes (vasos e sacos) de diversos tamanhos e cultivados em substrato adequado para o seu desenvolvimento é uma tendência mundial, devido à grande preocupação com a preservação dos recursos naturais, observa o pesquisador. “As inovações permanentes de produtos e processos devem ser constantes e uma obrigação de todos os produtores. Entretanto, esse processo está ocorrendo lentamente na região do Vale do Ribeira, com a apresentação de produtos fora dos padrões do mercado cada vez mais exigente em qualidade.”

Para a melhoria da qualidade das flores e plantas ornamentais na região do Vale do Ribeira, Nomura defende investimento em cursos e capacitação para técnicos e produtores, desde o planejamento da produção até a comercialização, principalmente no sentido de promover o associativismo. Além disso, propõe financiamentos mais adequados aos produtores e linhas de fomento para as pesquisas.

O seminário será realizado no Recinto de Exposições de Pariquera-Açu. Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail iolanda@apta.sp.gov.br A programação completa está disponível na agenda de eventos do site www.apta.sp.gov.br

Assessoria de Comunicação da APTA

José Venâncio de Resende

(11) 5067-0424

 

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