SECRETARIA DE AGRICULTURA COMEMORA 75 ANOS DE UNIDADE DE PESQUISA DE JAÚ

 

A Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Jaú (UPD Jaú), vinculada à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (APTA-SAA), comemora 75 anos em evento na sexta-feira (dia 7 de dezembro), a partir de 10 horas. Aguarda-se a presença da secretária Mônika Bergamaschi na solenidade, que contará ainda com o coordenador da APTA, Orlando Melo de Castro, produtores rurais e autoridades locais e regionais.
Na oportunidade, será lançado o livro “Terra Roxa – Vida e Ciência na Estação Experimental de Jaú”, de José Renato de Almeida Prado e Léa De Ungaro de Almeida Prado, que apresenta um registro destes 75 anos.
Localizada estrategicamente no centro do Estado de São Paulo, a UPD Jaú atua, principalmente, na cadeia de produção de cana-de-açúcar. Possui seis pesquisadores que estudam novas oportunidades nas seguintes linhas de pesquisa: irrigação e fertilização da cultura de cana-de-açúcar; fluxo de gases do efeito estufa; fisiologia do estresse na cana-de-açúcar; processamento em cana-de-açúcar e frutas; cana-de-açúcar na alimentação de ruminantes; alimentação de ovinos e bovinos; impacto ambiental na tilapicultura em tanque-rede.
 
Os pesquisadores da Unidade tem experiência nas áreas de tecnologia de alimentos, com ênfase em tecnologia de produtos de origem vegetal e produção de bebidas (agroindústria, cachaça de alambique, licores, pós-colheita e processamento de frutas e hortaliças); agronomia (ênfase em fertilidade do solo, adubação, fisiologia vegetal, fitotecnia e fitopatologia); zootecnia (ênfase em produção animal); fisiologia vegetal (estresses abióticos); e recursos pesqueiros/aquicultura (avaliação de estoques pesqueiros e da capacidade suporte de águas interiores para a piscicultura em tanques rede).
Histórico
 
Em abril de 1937, a prefeitura de Jaú adquiriu uma gleba de terra de 30 alqueires paulistas (72,6 hectares), com o intento de doá-la ao governo do Estado de São Paulo, para que ali se instalasse um campo de demonstração de agricultura e pecuária. Por meio do Decreto nº 8.952, de 2 de fevereiro de 1938, o interventor federal no Estado de São Paulo, José Joaquim Cardozo de Mello Neto, autorizou a Fazenda do Estado a adquirir, por doação da municipalidade de Jaú, o terreno para a instalação de um campo de demonstração de cultura agrícola.
De acordo com os autores do livro, os agricultores locais buscavam alternativas que permitissem diversificar a exploração da terra e métodos de modernização dos cultivos já existentes. Os que persistiram com a cafeicultura tiveram de pensar na “modernização” dos métodos de cultivo. Qualquer que fosse o rumo escolhido, por gosto ou necessidade, recomendaria que fossem buscar auxílio e orientação na pesquisa.
Nesse processo, foi considerada efetiva a atuação do engenheiro agrônomo José Cassiano Gomes dos Reis (falecido recentemente). Os trabalhos no campo de demonstração começaram no mês de novembro de 1937. Em 22 de outubro de 1939, um domingo, a cerimônia inaugural do Campo de Demonstração contou com a presença do interventor federal em São Paulo, Adhemar de Barros.
Em janeiro de 1942, com a reorganização dos serviços da Secretaria da Agricultura, o antigo Campo de Demonstração de Jaú passou a responder à Divisão de Fomento Agrícola e teve suas atividades redirecionadas. No início de 1943, seu status foi alterado para Subestação Experimental, com suas atividades subordinadas à Divisão de Experimentação e Pesquisas (Instituto Agronômico).
Hélio de Moraes
O jovem agrônomo Hélio de Moraes foi nomeado para comandar os serviços no município. A transformação ocorreu em fevereiro.
Nos primeiros anos de funcionamento, o campo de demonstração de Jaú teve seus blocos e parcelas ocupados por diversos ensaios para efeito de demonstração. Cuidava também de promover a distribuição e multiplicação de sementes e mudas aos lavradores da região. Além disso, na década de 1940, houve ampliação da Estação Zootécnica (Posto de Monta) para atender, com reprodutores (asinino, equino, bovino e caprino), à crescente demanda por coberturas. Na sequência, foi introduzida a inseminação artificial.
A partir da década de 1940, Jaú passa a integrar a rede de experimentação em melhoramento genético do IAC, na área da cafeicultura. Com isso, a então Estação passou a receber visitantes de todas as regiões produtoras de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, “para conhecerem os notáveis resultados obtidos com os trabalhos referentes à cultura cafeeira e, também, em busca de sementes”, narram os autores do livro.
Decretos dos então governadores Adhemar de Barros (19.611/1950) e Lucas Nogueira Garcez (22.013/1953) declararam de utilidade pública três áreas destinadas à ampliação da antiga “Estação Experimental Hélio de Moraes”. No final de 1953, dezesseis anos depois do início dos trabalhos no local, a unidade de Jaú recebia eletricidade.
Cana-de-açúcar
No final da década de 1950, a antiga Estação Experimental também passou a dar atenção à cultura canavieira. Chegava a informar às usinas sucroalcooleiras da região que dispunha de mudas oriundas do IAC.
A partir da década de 1960, o café, eixo da economia local, entraria em declínio irreversível, cedendo definitivamente seu lugar à cana-de-açúcar, relatam os autores do livro. As pesquisas voltaram-se à canavicultura, e quem mais acompanhou essas modificações foi o jovem agrônomo, Mário Percio Campana, o primeiro jauense a chefiar a antiga Estação Experimental.
Os trabalhos com cana-de-açúcar, intensificados depois de 1965, ganharam mais agilidade a partir de 1980. Campana, antevendo a importância de Jaú participar do desenvolvimento da tecnologia de cana, manifestou-se junto ao IAC o desejo de apoiar os projetos, pois seria oportuno que o município pudesse contar com informações geradas na própria região.
A antiga Estação Experimental de Jaú voltaria a ocupar lugar estratégico no cenário da pesquisa, com o plantio do primeiro campo de “seedling” de cana-de-açúcar. Nas últimas décadas, foram lançadas as variedades, desenvolvidas pela antiga Estação, IAC82-3062, IAC87-3396, IAC93-3046, IACSP95-3028 e IAC96-3060. A UPD Jaú é parceira do Programa de Melhoramento de Cana do IAC até os dias atuais.
A UPD Jaú fica na Rodovia Deputado Leônidas Pacheco Ferreira, 304 – Jaú – SP.
Assessoria de Comunicação da APTA
José Venâncio de Resende
(11) 5067-0424
 
 

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