PÓLO APTA CENTRO OESTE: APTA FAZ PESQUISAS COM VARIEDADES DE CANA

28/01/2008

 

A Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) Regional Centro-Oeste, com sede em Jaú, vai iniciar experimento para identificar as variedades de cana-de-açúcar mais tolerantes à seca e à acidez do solo. Os resultados poderão permitir diminuição do uso de corretivos nas áreas de plantio, reduzir a necessidade do emprego de irrigação nos canaviais e possibilitar ganhos em produtividade.
Os estudos são realizados desde 2005, como parte da tese de doutoramento da pesquisadora científica Samira Domingues Carlin, sob orientação de Durvalina Mathias dos Santos, no câmpus da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV) da Unesp em Jaboticabal, em parceria com a Apta. Agora, as pesquisas terão seqüência na Fazenda Experimental de Jaú, com testes utilizando as variedades mais plantadas na região, como a IAC 91-5155 e IAC 91-2195.
Samira estuda as conse-qüências da falta de disponibilidade hídrica e a toxidade de alumínio nos solos, fatores que limitam a produtividade da cana em todo o País. “Mais de 70% dos solos brasileiros apresentam elevadas quantidades de alumínio, que prejudicam o desenvolvimento do sistema radicular da planta”, comenta. “Já a falta de chuva limita em 90% o crescimento da cultura”, complementa.

Simulação

A investigação dos mecanismos fisiológicos empregados pelas plantas em resposta aos estresses ambientais e à acidez do solo será realizada por meio de experimento a ser montado na casa de vegetação da Apta. Serão simuladas três situações, com variedades plantadas em condições severas de falta de água e solos com extrema acidez, um nível moderado e outro com ambiente adequado.
“Pretendemos identificar as variedades mais tolerantes às condições adversas”, explica a pesquisadora. “Os resultados contribuirão para evitar o uso excessivo de corretivos, que podem prejudicar o meio ambiente”, diz Samira. Variedades resistentes à seca também facultarão aos produtores cultivar seus canaviais em regiões em que a disponibilidade de água no solo não seja abundante.
Em Jaú, conforme a agrônoma, o solo predominante é o latossolo vermelho distrófico, que é considerado bom, com potencial hidrogeniônico (pH) entre 4,5 e 5,5. “Não é considerado um solo muito ácido”, avalia. A acidez do solo é a ocorrência de elementos em níveis tóxicos, como alumínio e manganês, que prejudicam o crescimento da maioria das plantas. Solos muito ácidos são os que têm pH menor que 5,5.

 

Pesquisadores montam laboratório em Jaú

 

Os pesquisadores da Apta Samira Carlin e Marcelo de Almeida Silva vão montar este ano, na Fazenda Experimental de Jaú, um laboratório de fisiologia dos estresses abióticos em cana-de-açúcar, para estudar a fotossíntese da planta, temperatura das folhas e clorofila, entre outros aspectos.
“Vamos trabalhar juntos para buscar maior produtividade às variedades”, explica Samira. “O pesquisador Marcelo Silva passou um ano no Texas, realizando seu pós-doutorado e trouxe bagagem muito rica de informações”, comenta. “Com os resultados de todas as pesquisas em mãos, vamos reunir os produtores de cana de Jaú e da região e transmitir tudo a eles para que possam utilizar as informações da melhor forma possível”, conclui a pesquisadora.

 

Fonte: Jornal O Comércio de Jahu

Publicada no dia 27/01/2008

 

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