PINHÃO MANSO: APTA DESENVOLVE PESQUISA COM PRODUÇÃO INTEGRADA DE BIODIESEL NO VALE DO PARAÍBA

15/07/2008

Por Cleide Elizeu

O pinhão manso vem ganhando destaque, entre as plantas oleaginosas (como a mamona e o girassol), por sua alta capacidade de produzir óleo para o biodiesel. A possibilidade de essa oleaginosa perene, rústica, indicada para cultivo em áreas marginais e não destinada à alimentação humana, ser usada como matéria-prima alternativa para a produção de combustível despertou o interesse dos produtores da região do Vale do Paraíba.

Por esse motivo, os Institutos da APTA (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios), vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento - em parceria com a Associação dos Amigos dos Bairros Rurais (AABR), sediada no município de Taubaté (SP), e o núcleo de sementes da CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) -, estão iniciando o projeto “Pinhão Manso: alternativa econômica, social e ambiental para a produção integrada de biodiesel”. O projeto, que foi aprovado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), vai pesquisar a produção integrada do pinhão manso à pecuária, uma das principais atividades da região.

Segundo a pesquisadora Cristina Castro, do Pólo APTA Vale do Paraíba, o estudo irá gerar e validar tecnologias e processos para que a cultura da oleaginosa seja uma alternativa de renda aos produtores e pecuaristas da região. Além disso, busca-se reduzir o impacto ambiental gerado pelas áreas de produção de eucaliptos que abastecem a indústria de papel e celulose.

O projeto, iniciado em março deste ano, é composto de três etapas. Nesta sua fase inicial, está sendo feito um diagnóstico socioeconômico, tecnológico, cultural e do ambiente da região do Vale do Paraíba. Com os dados deste diagnóstico, serão estimados o custo de produção e o balanço energético do pinhão manso para a região. A pesquisadora explica que estes dados têm extrema importância para a formação da cadeia produtiva e para a determinação do preço final deste produto que ainda não está totalmente inserido no mercado comercial.

Sistema Integrado

Na segunda etapa do projeto, serão monitorados três sistemas de produção silvopastoril, que combinam a produção de árvores, a pastagem e o gado numa mesma área de forma integrada. Os pesquisadores irão avaliar o desenvolvimento do plantio do pinhão manso, sob diferentes espaçamentos, integrado nas propriedades com bovinos de leite, corte e de ovinos.

Além disso, os pesquisadores irão também monitorar o pinhão manso em sistema de produção de monocultura, onde três tipos de leguminosas perenes serão usados como cultura de cobertura após a colheita das sementes de pinhão, ou seja, nos intervalos de tempo em que o solo não é cultivado.

A pesquisadora explica que o projeto apresentará seu resultado final em 2010, quando será finalizada a terceira etapa do estudo. Dessa forma, será determinada a qualidade do produto, por meio da certificação de sanidade e composição química das sementes colhidas nas lavouras experimentais.

Todo o projeto será executado nas propriedades particulares dos produtores da região do Vale do Paraíba, na cidade de Taubaté, onde já existem duas usinas de extração de óleo para biodiesel. A pesquisadora Cristina Castro enfatiza que o projeto visa, sobretudo, auxiliar os produtores interessados, atendendo as múltiplas necessidades de estrutura que a cultura do pinhão manso demanda e com a organização da cadeia produtiva para a bioenergia.

O projeto, que recebeu o financiamento de R$ 111.479,66 do CNPq, será desenvolvido pelo Pólo APTA Vale do Paraíba, em conjunto com o Instituto Biológico (IB-APTA), responsável pela certificação das sementes; Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), que fará o levantamento de custo de produção; e pelo Instituto Agronômico (IAC-APTA), responsável pela determinação da composição química das sementes do pinhão manso.

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