PESQUISADORA DO POLO REGIONAL CENTRO NORTE/APTA CONTRIBUI COM LIVRO FINALISTA AO PRÊMIO JABUTI 2012

 

 
Rose Meire Vidotti é autora de capítulo sobre silagem – subproduto que representa 70% do pescado e pode reduzir em 42% os custos com ração
 
A tilápia é, atualmente, a espécie de peixe de água doce mais industrializada no Brasil, processada para a obtenção de filés frescos e congelados. Pouca gente sabe, porém, que cerca de 70% das tilápias processadas vão para o lixo. São os chamados resíduos, constituídos de cabeça, carcaça, víscera, pele e escama. Geralmente, os produtores enterram esses materiais, causando prejuízos ao meio ambiente devido à alta carga bilógica, sendo proibido por lei. A opção seria o processamento desses resíduos para a produção de silagens, usadas na alimentação de aves e suínos, por exemplo, além de peixes de outras espécies. Pensando nisso, a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), por meio do Polo Regional Noroeste Paulista, desenvolve há anos trabalho na área. A pesquisadora responsável pelos estudos, Rose Meire Vidotti, é autora do capitulo “Aproveitamento de resíduos na forma de silagem”, que faz parte do livro “Tecnologia do Pescado – Ciência, Tecnologia e Legislação”. A obra é uma das 10 finalistas do 54.º Prêmio Jabuti, na categoria Tecnologia e Informática. Os vencedores serão conhecidos em 18 de outubro.
 
A silagem de peixe é uma das formas de aproveitamento dos resíduos gerados na cadeia aquícola na produção, industrialização e comercialização. De acordo com a pesquisadora do Polo Regional Centro Norte/APTA/SAA, os resíduos são gerados devido à heterogeneidade de crescimento dos peixes durante a produção e processamento em unidades de beneficiamento de pequeno porte. “Grande parte dos produtores de peixe acabam enterrando os resíduos gerados no solo, o que é proibido por lei e muito prejudicial ao meio ambiente. O pescado tem alta carga biológica e contamina o solo. A produção de silagem é uma alternativa para o descarte deste material e possibilita seu emprego na alimentação de outros animais, o que pode diminuir em até 42% os custos de compra de ração”, explica Vidotti, pesquisadora do Polo Regional Centro Norte/APTA, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
 
A silagem é usada na alimentação de suínos, aves, animais aquáticos e ruminantes. “No caso da alimentação de peixes, é necessário o cuidado para não alimentar animais da mesma espécie, para não ter problemas de retroalimentação – tomamos cuidado com isso desde a época dos problemas da vaca louca. No caso dos girinos, por exemplo, a substituição em 50% de farinha de peixe por silagem apresentou ótimos resultados”, afirma Vidotti.
 
 Segundo a pesquisadora do Polo Regional Centro Norte/APTA/SAA, a tecnologia de obtenção de silagem de pescado é simples e não implica a utilização de maquinários específicos, pois necessita apenas de triturador de resíduos e agitador de recipientes de plástico, sem exigência de mão de obra especializada. “Entretanto, essa tecnologia é indicada quando há cerca de 200 kg de resíduos. Essa restrição se deve a algumas características especificas do produto, entre elas o teor de umidade”, exemplifica a pesquisadora.
 
Existem duas formas para a fabricação de silagem: uma por meio da adição de ácidos minerais ou orgânicos e a outra com o emprego de micro-organismos produtores de ácido lático, juntamente com uma fonte de carboidratos. “Devido à adição dos ácidos, os subprodutos ficam sem cheiro e não atraem insetos. Também não há problemas em relação a alguns micro-organismos, como a salmonela, por exemplo”, afirma Vidotti.
 
 No caso da fabricação por ácidos láticos, são utilizados como fontes de micro-organismos resíduos de laticínios como iogurte vencido ou soro de queijo, com o devido cuidado. “Os grandes laticínios comercializam o iogurte no mercado varejista, realizando a troca do produto com prazo de validade vencido. Esse iogurte pode ser utilizado na produção, desde que mantidas as unidades formadoras de colônias dos micro-organismos, para que haja a produção do ácido lático e, consequentemente, a redução do pH”, explica a pesquisadora do Polo Regional Centro Norte/APTA/SAA.
 
Em outro método, o produtor deve utilizar os seguintes ácidos: fórmico, sulfúrico, clorídrico, propiônico, acético ou fosfórico. “Neste caso, porém, é necessário mais cuidado na manipulação dos materiais, sendo recomendado que o trabalho seja feito por um técnico”, afirma Vidotti. De acordo com a pesquisadora, a literatura, inclusive internacional, indica que o processo de produção de silagem dura cerca de 30 dias. Devido aos estudos e às técnicas desenvolvidas pela APTA, é possível produzir em sete dias e há redução de 5% de ácido para 2%. A pesquisadora Polo Regional Centro Norte trabalha em projetos de pesquisa que estuda outras tecnologias para a utilização dos resíduos de pescado como a compostagem orgânica.
 
 Tecnologia do Pescado - Ciência, Tecnologia e Legislação
 
 O assunto silagem é tema do capitulo “Aproveitamento de resíduos na forma de silagem” escrito pela pesquisadora do Polo Regional Centro Norte/APTA/SAA, Rose Meire Vidotti. O assunto faz parte da obra “Tecnologia do Pescado – Ciência, Tecnologia e Legislação”. O livro, editado por Alex Augusto Gonçalves, professor do Departamento de Ciências Animais da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), é um dos 10 finalistas da 54.ª edição do prêmio Jabuti, na categoria Tecnologia e Informática. Os vencedores do prêmio serão conhecidos em 18 de outubro.
 Lançado pela Editora Atheneu, o livro conta com a participação do editor e de mais 49 profissionais da área de Tecnologia do Pescado – Ciência, Tecnologia, Inspeção e Controle de Qualidade. “Esta obra é a realização de um sonho de mais de 20 anos, desde que comecei a trabalhar com pescado, já na graduação em Oceanografia, onde pude vivenciar a carência de literatura especializada. Ao longo da minha vida acadêmica e na carreira da docência, percebi que não existia, até o momento, um livro que contemplasse distintas áreas”, afirma Gonçalves.
 A obra está organizada em quatro sessões: Ciência do Pescado, Tecnologia do Pescado, Inovação e Legislação. O objetivo é promover o avanço da pesquisa e o desenvolvimento da área de pescado, além de estimular o progresso profissional de técnicos e pesquisadores da área.
 
 Prêmio Jabuti 2012
 
O Prêmio Jabuti é uma das mais tradicionais premiações de livros do Brasil. Este ano, o prêmio, criado em 1958, vai contemplar 29 categorias. De acordo com o site institucional, há um corpo de jurados altamente especializado para julgar as obras inscritas, composto por profissionais com ampla bagagem em suas respectivas áreas de atuação, para analisar as obras. A contagem dos votos é feita em sessões abertas ao público e dividida em duas etapas. Na primeira sessão pública, são selecionadas as 10 melhores obras em cada uma das categorias. A segunda sessão define os três primeiros lugares de cada categoria. Na cerimônia de premiação e entrega das estatuetas, são revelados os Livros do Ano de Ficção e Não Ficção. Os livros são escolhidos pelo voto dos jurados e de profissionais do mercado editorial.
 
Texto
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