Pesquisa da APTA aumenta em 50% a produtividade das lavouras de batata-doce de Presidente Prudente


A Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), por meio do Polo Regional Alta Sorocabana, em Presidente Prudente, realiza pesquisas com a cultura da batata-doce. Em um dos trabalhos, foi possível aumentar em 50% a produção de batata-doce ao disponibilizar plantas livres de vírus aos produtores. Em levantamento realizado de 2010 a 2012, pelos pesquisadores da Agência, foi constatado que a maior dificuldade no cultivo apontada por 28 produtores rurais entrevistados da região é o controle fitossanitário da cultura. A baixa produtividade da cultura também foi apontada por parcela significativa dos entrevistados. 

No Brasil, a batata-doce é explorada em todas as regiões e a baixa produtividade conseguida pelos produtores deve-se ao baixo investimento em tecnologia, o que está relacionado ao fato de a batata-doce ser de fácil cultivo e resistente a pragas e doenças.

Pesquisadores da APTA têm estudado a multiplicação e a utilização de ramas de batata-doce oriundas de matrizes livres de vírus. O resultado é o incremento na produção em quase 10 toneladas por hectare. “Nossos trabalhos científicos permitiram verificar acréscimo de produtividade em mais de 50%, comparando com a produção de plantas oriundas de plantios comerciais da região. Alguns produtores relatam aumento de 100% na produtividade”, afirma Sônia Maria Nalesso Marangoni Montes, pesquisadora da APTA, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Sônia conta que no início, poucos produtores aceitaram testar o material sem vírus, porém, com os bons resultados, outros se mostraram interessados em também montar um viveiro contendo plantas matrizes sem vírus em suas propriedades.Para disponibilizar matrizes livres de vírus aos produtores, os pesquisadores da APTA coletaram ramas de variedades de batata-doce plantadas na região de Presidente Prudente e realizaram a cultura de meristema – processo utilizado para obtenção de plantas livres de vírus. As plantas conseguidas por meio do processo foram adaptadas ao cultivo fora do laboratório até que fossem obtidas matrizes cultivadas em viveiros. “Essas plantas matrizes fornecem ramas que são plantadas no campo para que ocorra a multiplicação. Quando a quantidade suficiente é conseguida, essas ramas do campo de multiplicação são utilizadas no plantio comercial”, explica  Sônia.Antes da pesquisa realizada pela APTA, os produtores adquiriam as ramas utilizadas em seu plantio a partir de plantas de lavouras comerciais, já em época de colheita, sem considerar as condições de nutrição e sanidade. “A utilização dessas ramas, frequentemente, resulta em lavouras com produtividade inferior ao potencial produtivo da cultura e raízes desvalorizadas devido à presença de pragas e doenças”, afirma a pesquisadora da APTA.Os projetos de pesquisa na região de Presidente Prudente se iniciaram em 2001, com teste de comportamento de variedades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Atualmente, na área de fitotecnia, os pesquisadores trabalham com adubação e processos que possam proporcionar maior e mais rápida produção de ramas pelas plantas matrizes que são mantidas em viveiros adequados, impedindo assim, a entrada de insetos que possam transmitir vírus às plantas. Além disso, são feitos testes de adubação química e orgânica, aplicadas de forma isolada ou combinada, e condução de consórcio entre batata-doce e mandioca. Na área de fitossanidade, a unidade realiza experimento com silício visando conferir resistência à insetos do solo, testes de produtos para controle de insetos desfolhadores, avaliação de materiais genéticos para limpeza de vírus e teste de produtividade junto à produtores.

Perfil dos produtores

Para elaborar o perfil dos produtores e as principais dificuldades no plantio da batata-doce na região de Presidente Prudente, pesquisadores da APTA realizaram entre 2010 e 2012, entrevistas com 28 produtores rurais que conduzem suas atividades agrícolas em propriedades de diferentes tamanhos, localizadas em Presidente Prudente e Pirapozinho. Cerca de 70% das propriedades possuem áreas inferiores a 35 hectares e apenas 11%, são áreas superiores a 66,5 hectares. O total de 50% dos entrevistados apresentou a sanidade vegetal como o principal problema na cadeia produtiva e 10% deles apontaram dificuldades com baixa produtividade da cultura.Na pesquisa foi identificado que mais de 78% das propriedades são formadas por mão de obra familiar, sendo 32% delas ocupadas por pelo menos uma pessoa. Em torno de 14% das propriedades ocorre a contratação de temporários em épocas chave da atividade, como plantio e colheita, em conjunto com a mão de obra familiar, trabalhadores contratados de forma permanente e temporário. Mais de 14% dos entrevistados apontaram a falta de mão de obra como uma das dificuldades no setor.Outra característica regional é a utilização de apenas uma cultivar de batata-doce por 64% dos produtores, com ênfase nas cultivares de tipo Canadense e Uruguaiana. A comercialização é um problema apontado por 18% dos produtores, mas em torno de 60% do total de entrevistados disseram não conduzir qualquer processo de atividade na pós-colheita com as batatas retiradas da lavoura, comercializando a produção em estado bruto. No entanto, outros 21% realizam as práticas de lavagem, seleção e embalagem em caixas plásticas e 14% executam somente a operação de lavagem.De acordo com os pesquisadores da APTA, Sônia Maria Nalesso Marangoni Montes e Ricardo Firetti, as informações levantadas abrem novas perspectivas anteriormente não abordadas pela pesquisa com a cultura, realizadas pelo Polo da APTA. “Principalmente na área de fitossanidade e fitotécnica, em função das correspondências encontradas nas classes de respostas entre as variáveis ‘espaçamento entre plantas’ e ‘número de pragas’, além da necessidade do incremento da mecanização do sistema de produção em virtude da escassez de mão de obra”, afirma Sônia.A APTA lançou a publicação “A Cultura da Batata-Doce do Plantio à Comercialização”, na qual apresenta informações do plantio à comercialização da cultura, a propagação, preparo do solo, nutrição e adubação, pragas e doenças. O livro pode ser adquirido no site www.fundag.com.br. O valor é R$ 40, mais frete.

 
Produção

Presidente Prudente é a principal região produtora de batata-doce há 20 anos. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Estatística (IBGE), em 2012, a região produziu 25.034 toneladas, cultivadas em 1.492 hectares. Ainda de acordo com o IBGE, o Estado de São Paulo produziu, em 2012, 41.449 toneladas e o Brasil, 479.425.

A maior parte da produção de batata-doce é consumida in natura. Os produtores de Presidente Prudente comercializam o tubérculo no interior paulista e na grande São Paulo, Rio de Janeiro e até mesmo no Sul do País.

 

 

 

Texto: Fernanda Domiciano

 

Assessoria de Imprensa – APTA

 

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