ORGÂNICOS GANHAM INCENTIVOS E CADA VEZ MAIS ESPAÇO NAS MESAS DO MUNDO TODO

13/07/2006

Danielle Jordan e Mônica Pinto

A Copa do Mundo chegou ao fim, mas o Brasil mantinha representantes na Alemanha até esta terça-feira 11, na cidade de Berlim. Em vez de futebol, seu foco estava no Encontro Econômico Brasil-Alemanha 2006, cujos temas em debate incluíram o desenvolvimento sustentável e os cultivos orgânicos.

A opção pelos alimentos orgânicos ganha espaço entre os consumidores no mundo todo, revelando não só a preocupação com uma alimentação mais saudável, como também por um sistema de produção que não agride o meio ambiente.

No dia 06 passado, o portal Estadao.com.br – do jornal O Estado de Sâo Paulo – noticiava que o crescimento nas vendas de orgânicos, só nos Estados Unidos, tem sido entre 15% e 21% a cada ano, comparado com 2% a 4% para as vendas totais de alimentos – leia notícia completa em Demanda por alimentos orgânicos nos EUA já supera oferta.

A produção brasileira corresponde ao mercado em crescente desenvolvimento, mas ainda tem um longo caminho para atingir totalmente o seu potencial. No café da manhã orgânico, realizado na recente Semana de Alimentos Orgânicos, o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, ainda no cargo, falou sobre o cenário deste tipo de agricultura no país. Em sua avaliação, o Brasil ainda está engatinhando no processo, levando em consideração sua extensão produtiva, incluindo a parte extrativista da Amazônia, com produtos alimentares, medicamentos, perfumaria, etc. A área cultivada com esta forma de produção ainda é muito pequena, segundo ele. “Hoje a produção orgânica pouco passa de 3% da produção total de produtos agrícolas e podemos alcançar muito mais que isso”.

A lei que normatiza e regulamenta a produção e certificação será um grande passo para o crescimento da agricultura orgânica. Os altos custos decorrentes da produção diferenciada ainda deixam a desejar, tornando o produto inacessível para grande parte da população.

Mas Rodrigues defendeu, na ocasião, que o papel do Governo não é mexer em mercado e interferir nos preços e, sim, criar as regras que permitam o crescimento da produção, “principalmente o aumento do nicho desse mercado dando acesso à população a toda ordem desses produtos”.

O Paraná, maior produtor de orgânicos, recentemente deu mais um passo para a expansão dos cultivos livres de agrotóxicos. A criação do primeiro mercado público de produtos orgânicos do país, na capital, Curitiba, anunciada para o final deste ano ou início de 2007, deve fomentar ainda mais a comercialização. No local somente serão oferecidos produtos certificados, atendendo a diversos mercados no atacado e varejo. Haverá espaço para os agricultores venderem seus produtos “in natura”, assim como os empreendedores da área poderão comercializar alimentos processados a partir dos orgânicos.

A instalação de um mercado permanente de orgânicos muda os canais de oferta atuais, podendo alterar, também, o hábito de consumo. O produto é encontrado em feiras itinerantes e em sessões específicas nos supermercados, onde nem sempre os consumidores encontram informações sobre o que são orgânicos e quais seus benefícios. Segundo o diretor de Unidades de Abastecimento da Secretaria do Abastecimento de Curitiba, Luiz Gusi, o novo espaço tem como objetivo tornar-se uma referência em comércio de orgânicos, sendo peça importante na sua popularização.

O Paraná também se destaca pelo programa “Merenda Escolar Orgânica”, implantado em julho de 2005 como piloto em alguns municípios. “Por problemas operacionais a implantação nos 66 munícipios previstos será iniciada no próximo ano”, informa o engenheiro agrônomo Iniberto Hamerschmidt, coordenador de Agricultura Orgânica do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural - EMATER.

Aassessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Meio Ambiente esclarece que os problemas operacionais não permitiram que o programa se estendesse para todos os municípios, mas, nas localidades onde o projeto piloto foi implantado, o modelo continua. A demora na certificação dos produtores, item obrigatório para o cadastramento dos fornecedores, teria sido o motivo da demora no processo de implantação total.

Outro programa da Secretaria, para recuperação da biodiversidade através da criação de corredores ecológicos, estimula a produção de orgânicos. Os agricultores das propriedades inseridas nos corredores - Araucária, Iguaçu-Paraná e Caiuá-Ilha Grande – tiveram autorização para continuar produzindo no local, desde que implantassem o modelo de plantação sem o uso de agrotóxicos. Estes produtores foram certificados e incluídos no programa do Governo de distribuição de alimentos orgânicos para a merenda escolar.

Os estímulos do Estado alimentam uma vocação natural, mas têm também o objetivo de contrapor-se aos cultivos com organismos geneticamente modificados, a que o governador do Paraná, Roberto Requião, faz oposição radical. Não raras vezes, em discursos, ele classifica-os como "essa porcaria de transgênicos".

De qualquer forma, a decisão contempla uma cobrança nítida no seio da comunidade ambiental. Em recente enquete de AmbienteBrasil, que investigou a avaliação do modelo agropecuário brasileiro, 22,7% dos leitores assinalaram a opção A agricultura orgânica precisa ser mais incentivada. Foi a segunda alternativa mais escolhida, perdendo apenas para O modelo agrícola necessita de total reformulação e nova discussão nacional, campeã de votos (confira o resultado completo).

Fonte:
Ambiente Brasil

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