OFICINA DE GESTÃO AMBIENTAL SOBRE DIVERSIFICAÇÃO ARBÓREA E AGROFLORESTAL COM O GUANANDI

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“Oficina sobre impactos ambientais da diversificação arbórea com Guanandi” reuniu cerca de 30 profissionais no dia 11 de abril na centenária Fazenda Coruputuba, em Pindamonhangaba (SP). O evento foi promovido pelo Pólo do Vale do Paraíba/APTA Regional da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, com o apoio da Embrapa Meio Ambiente e da própria Fazenda Coruputuba.

 

Coleta de experiências e conhecimentos entre os participantes, visando à elaboração de um relatório de gestão da inovação tecnológica representada pela diversificação arbórea e agroflorestal, foi o principal objetivo da oficina. Pretende-se, com esse relatório, promover a transferência de tecnologia e incentivar iniciativas de pesquisa e de ampliação das áreas de agroflorestas, em favor do desenvolvimento sustentável do meio rural do Vale do Paraíba do Sul.

 

Os participantes eram ligados a setores governamentais (técnicos das Secretarias Estaduais de Agricultura e do Meio Ambiente), a universidades (UFRuralRJ e Unicamp), a empresas de fomento (Guanandi CP-4) e a administradoras de ativos florestais (Brazil Timber), além de produtores rurais ligados ao setor florestal de diversos municípios (Salesópolis, Pindamonhangaba, Guaratinguetá, Natividade da Serra e Roseira). Eles puderam trocar experiências e conhecer pesquisas em andamento sobre desenvolvimento agroflorestal.

 

 

Espécie para várzeas

 

O Guanandi, espécie florestal nativa que tolera o solo inundado das várzeas, é recomendado para reflorestamentos em áreas ciliares, explica Antonio Carlos Pries Devide, pesquisador do Polo Regional e coordenador do evento. No Vale do Paraíba, seu cultivo comercial ocorre em várzeas, terraços fluviais e áreas montanhosas.

 

A espécie destaca-se por produzir frutos que são dispersos pela fauna, de acordo com Antonio Devide. Assim, pode contribuir para a recuperação de áreas sujeitas às inundações, amortecendo as cheias atualmente agravadas pela falta de cobertura do solo, em bacias situadas em áreas declivosas à montante das terras baixas.

 

A ausência de cobertura florestal (nas amplas áreas de pastagem) ou o corte raso do eucalipto em diversas sub-bacias interligadas faz com que haja o escorrimento superficial da água das chuvas, sem que ocorra a infiltração favorecida pelas florestas, relata o pesquisador. Isto pode ocasionar o constante alagamento das várzeas, mesmo sem que a chuva ocorra nessas áreas. Esse alagamento, repentino e periódico, é uma situação de risco para os produtores de arroz e, também, para áreas sob expansão urbana e industrial.

 

Segundo Devide, os resultados obtidos na oficina também serão aproveitados para a elaboração de seu trabalho de doutoramento no curso de pós-graduação em Fitotecnia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (CPGF-UFRuralRJ).

 

 

Aulas práticas

 

No período da manhã, os participantes visitaram cinco áreas experimentais e produtivas. Nelas, eles observaram (1) sistema agroflorestal de guanandi em várzea, avaliando um perfil do solo argiloso; (2) sistema agroflorestal de guanandi consorciado com Acacia mangium, palmeira real, banana e mamona; (3) sistema agroflorestal de guanandi consorciado com mandioca e avaliação de um perfil de solo arenoso; (4) plantios de acácia, eucalipto e um sistema agroflorestal regenerativo natural, com angico e cafeeiro; e (5) com a avaliação da dinâmica da regeneração natural em terras baixas.

 

Essas observações de campo serviram como subsídio para as discussões sobre a importância da sucessão vegetal, conta Devide. Assim, foi feito um paralelo com os sistemas agroflorestais e discutidos os meios para se acelerar a regeneração natural em áreas sujeitas à inundação. A idéia era destinar parcelas como áreas de preservação permanente (faixa ciliar) e de reserva legal, para a regularização florestal da propriedade.

 

Segundo Devide, essas opções de manejo também têm a finalidade de promover a proteção dos recursos hídricos e a reabilitação de habitats naturais, constituindo corredores de fauna no entorno de toda a propriedade.

 

Essas visitas monitoradas permitiram estimular uma visão crítica e não apenas contemplativa. As situações vivenciadas são recorrentes e servem para todos, principalmente aos produtores, que podem aplicar os princípios de desenvolvimento agroflorestal para melhorar o planejamento do uso do solo de suas propriedades, ponderou o produtor Patrick Ayrivie de Assumpção, que realiza o fomento do plantio do guanandi no Vale do Paraíba.

 

Ainda na parte da manhã, ocorreram três palestras. A primeira abordou a história da centenária Fazenda Coruputuba, bem como as iniciativas de desenvolvimento agroflorestal. A segunda tratou dos desafios tecnológicos enfrentados nas pesquisas de conversão agroflorestal do guanandi.

 

Por fim, a terceira palestra apresentou uma metodologia de indicadores ambientais (conhecida como Ambitec-Agro), que, no período da tarde, foi utilizada por todos, na oficina realizada para avaliar os impactos das pesquisas de diversificação arbórea e dos sistemas agroflorestais para a sustentabilidade da Fazenda Coruputuba. Também foi apontada como opção tecnológica de diversificação produtiva no Vale do Paraíba.

 

Ao final da atividade, os participantes foram agraciados com um CD-ROM contendo trabalhos sobre a aplicabilidade do método Ambitec-Agro, um livro comemorativo da Fazenda Coruputuba, que completou 100 anos em 2011, e as apresentações.

 

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