NOVOS ASSISTENTES AGROPECUÁRIOS DA CATI PARTICIPAM DE CURSO SOBRE SISTEMAS AGROFLORESTAIS, NO POLO REGIONAL VALE DO PARAÍBA

mutirao

 

Novos assistentes agropecuários da CATI Pindamonhangaba/Vale do Paraíba, vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA-SP), participaram, no dia 3 de abril, do “Minicurso Mutirão Agroflorestal” cujo tema foi ensino-pesquisa-extensão sobre sistemas agroflorestais (SAFs). O treinamento atendeu demanda recebida durante o II Mutirão Agroflorestal, realizado nos dias 9 e 10 de fevereiro.

 

Os novos profissionais, contratados pela SAA-SP, interessaram-se em participar do II Mutirão, mas não havia mais vagas, conta o pesquisador e coordenador da atividade, Antonio Devide, do Polo Vale do Paraiba/APTA Regional. “O jeito foi organizar um treinamento específico para esses profissionais, que assim conheceram o método participativo fundamentado na interdisciplinariedade, na troca de experiências e no ´aprender fazendo´.”

 

Os mutirões são importantes para a troca de experiências, comenta Maria Márcia, produtora e assistente técnico da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), que já havia participado do I Mutirão em 2011. Os participantes compõem um público variado, as tecnologias são de base agroecológica e não se utilizam insumos externos, o que favorece a adoção dos SAFs por parte dos produtores e gestores ambientais para a recuperação da mata ciliar e da reserva legal.

 

A palestra introdutória do minicurso abordou SAFs e metodologia participativa. Em seguida, visita técnica de campo a quatro unidades focou os temas plantio regenerativo da mata ciliar a partir de mudas arbóreas e a partir de sementes, contendo culturas agrícolas (destaque para a banana BRS Conquista), abacaxi e adubos verdes consortes; manejo de SAF contendo a banana IAC 2001, fruta do conde e citros consorciados com culturas agrícolas, árvores e o arbusto margaridão, que na ocasião foi podado para adubação verde das frutíferas; manejo de SAF contendo goiabeiras em estágio mais avançado e manejo de SAF contendo pupunha, banana e espécies arbóreas em duas densidades de plantio. Este último sistema está instalado às margens dos tabuleiros de cultivo do arroz irrigado, fomentando de maneira prática a geração e a transferência de tecnologias para a conservação ambiental em torno do frágil ambiente de várzea.

 

A segunda etapa do curso focou os relatos de vivência e uma reunião técnica, que tratou da consolidação da Rede Agroflorestal do Vale do Paraíba. “Esses novos profissionais da CATI tem papel primordial na articulação, identificando iniciativas locais nos 21 municípios abrangidos pela Regional de Pindamonhangaba”, comentou Paulo Queiroz, diretor do EDR de Pindamonhangaba.

 

De acordo com Queiroz, a construção participativa dessa rede pode auxiliar na identificação de iniciativas locais e melhorar a articulação entre os órgãos de pesquisa e extensão. “Porém, necessitamos de um plano de metas para que a Rede não sirva apenas para informar o leitor sobre nossas iniciativas, sobre os prestadores de serviços, tais como os coletores de sementes florestais, ou sobre as unidades-piloto de SAFs que devem ser instaladas brevemente em regiões estratégicas.”

 

Os assistentes agropecuários Francisco Silva e Haley Carvalho propuseram-se a iniciar a formatação de um banco de dados e, para isso, tentarão autorização da CATI para o livre acesso a um link ou blog sobre a Rede Agroflorestal do Vale do Paraíba. A idéia é estimular os contatos entre os participantes dos mutirões, os técnicos e demais interessados sobre os SAFs. Devide disponibilizou as informações do Polo Regional Vale do Paraíba e os contatos das pessoas que participaram dos eventos realizados desde 2010.

 

Outro tema abordado foi a necessidade de instalação de unidades-piloto que priorizem o caráter local no desenvolvimento dos SAFs. O assistente técnico Dalmir Lopes Guedes relatou a sua experiência na recuperação de propriedade com a palmeira juçara há mais de 20 anos. Já Maria Márcia falou de um produtor que vem cultivando o cambuci na região, onde a assistente agropecuária Maria de Souza já realiza trabalhos.

 

Devide ressaltou a importância de se adotar uma metodologia de baixo custo para a escolha prévia de unidades-piloto para a instalação de módulos de SAFs. Na sua visão, deve caracterizar-se a bacia a partir de carta planialtimétrica, levando em consideração os ventos úmidos que sopram de Sudoeste e que podem favorecer o desenvolvimento do sistema. Ele destacou a importância do acesso aos trabalhos desenvolvidos pelo Laboratório de Manejo de Bacias Hidrográficas na região do Vale do Paraíba (http://www.ufrrj.br/institutos/if/lmbh/ ) que podem auxiliar nessa atividade.

 

A importância dos SAFs para a região do Vale do Paraíba está associada aos graves problemas ambientais que ocorreram desde a devastação da Mata Atlântica a partir do ciclo do café, conclui Devide. Isto impede o fluxo das espécies no Corredor da Serra do Mar-Mantiqueira, a ocupação de áreas sem aptidão agrícola, a mineração de areia e a expansão urbana nas várzeas, dentre outros vetores de degradação.

 

Notícias por Ano

Notícias por Polos