MUDANÇAS CLIMÁTICAS: PERDAS DE R$ 286 MILHÕES EM SAFRAS PAULISTAS

29/06/2005

O processo de produção na agricultura está condicionado pelos ciclos biológicos, que são fortemente influenciados pelas condições climáticas. Essa característica faz com que o planejamento na agricultura deva considerar essa fonte potencial de incerteza e risco. 

Condições favoráveis do tempo podem proporcionar maiores safras, ao passo que efeitos desastrosos podem resultar de condições meteorológicas adversas. Tais flutuações são importantes nas oscilações de oferta de produtos, com conseqüências na formação dos preços e na renda dos produtores, podendo comprometer o abastecimento interno e as exportações. 

Enfim, condições climáticas extremamente desfavoráveis podem dar origem a choques na oferta de produtos e comprometer todo o conjunto da economia, fazendo com que as incertezas geradas pelas condições do tempo devam ser avaliadas na formulação de políticas e na tomada de decisão nas áreas privada e pública1. Normalmente, tenta-se minorar esses problemas com a formação de estoques, recorrendo a importações e criando programas para recuperar os setores atingidos. 

O conhecimento dos impactos das condições do tempo sobre a produção agrícola, que permite separar os efeitos do tempo de outros fatores determinantes da produtividade, colabora na obtenção de previsões antecipadas e estimativas confiáveis sobre o volume de produção agrícola e subsidia as decisões que devem ser tomadas em resposta à ocorrência desses fenômenos. 

Pesquisa em desenvolvimento no Instituto de Economia Agrícola (IEA)2 permite mensurar a influência de deficiências hídricas e de geadas sobre a produtividade agrícola agregada no estado de São Paulo, para o período de 1961 a 2002; simular níveis de produtividade sem adversidades climáticas (deficiências hídricas e geadas); e estimar as perdas de produção (valor da produção) decorrentes. Para isso, foram relacionadas séries de Produtividade Total de Fatores (PTF)3 e de condições do tempo representadas por meio de interação entre suas medidas mais usuais - temperatura, precipitação pluviométrica e o comprimento do dia (latitude) -, de maneira a definir níveis de deficiências hídricas pelo cálculo dos balanços hídricos seqüenciais. 

Considerou-se uma capacidade de armazenamento de água pelo solo de 50mm e utilizaram-se dados de 16 postos representativos dos Pólos Regionais (figura 1). A ocorrência de geadas fortes e abrangentes, capazes de reduzir drasticamente a produtividade de lavouras sensíveis como o café, foi representada por meio de uma variável dummy que assume valor 1 em cada ano posterior às geadas e zero, nos demais. Tendências com interceptos e inclinações variando em cada década representaram o efeito de outros determinantes da PTF não inseridos nos modelos.

Leia o Artigo completo no site do Instituto de Economia Agrícola

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