MERCADO DA BATATA ORGÂNICA SERÁ DISCUTIDO EM ENCONTRO REGIONAL PROMOVIDO PELA APTA

 

     O potencial de mercado da batata semiorgânica e orgânica é o tema do “6º Encontro Regional da Batata” que  acontece no dia 13 de maio em Itararé (SP). O evento é promovido pelo Pólo Sudoeste Paulista/APTA, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, e conta com o apoio de empresas ligadas ao setor de produção de insumos agrícolas, além de instituições e propriedades rurais.

     O encontro é destinado principalmente a produtores rurais, mas podem participar técnicos, estudantes e outros interessados na atividade sustentável, “uma vez que as cultivares que trabalhamos são mais rústicas e necessitam de menor aplicação  de defensivos”, diz o pesquisador Yuji Watanabe, da Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Itararé, que é o coordenador do evento. O evento foi motivado pelo potencial agrícola e de mercado de alguns clones e cultivares de batata IAC, no âmbito regional, estadual e nacional.

     De modo geral, explica o pesquisador, esses mercados são atendidos por cultivares de origem importada, que possuem como características alta produtividade e qualidade visual (pele lisa e brilhante). Em contrapartida, exigem elevada quantidade de fertilizantes químicos e são extremamente sensíveis a doenças foliares, necessitando de constantes aplicações de defensivos/agrotóxicos. Além disso, nem sempre promovem satisfação aos consumidores, por proporcionar batatas fritas moles e encharcadas de óleo,  maionese com aspecto aguado e massas com consistência não adequada, no caso de pratos como nhoque e salgados.

     Um trabalho de divulgação de cultivares está em andamento, informa Watanabe, tendo como piloto a variedade IAC Aracy Ruiva. Inicialmente, foram doados 50 kg de batatas a alguns feirantes do município de Itararé, bem como a comerciantes do Mercado do Produtor de Itapeva, que repassaram a doação para alguns fregueses, e 5 kg a restaurantes de Itararé e Itapeva. Embora houvesse a recomendação de preparar na forma de palitos fritos, foram feitos outros pratos como nhoque e maionese, com carne de panela, cuja aceitação e aprovação foram boas.

     Esta divulgação, prossegue o pesquisador da APTA, está prevista para outros municípios como Capão Bonito, Itapetininga, Tatuí e Sorocaba. “Com relação aos restaurantes, podemos concluir que a grande maioria faz uso de batata congelada/processada na forma de palitos, devido sua praticidade.” Geralmente, esta batata é importada, mas a cultivar Aracy Ruiva tem potencial neste segmento, devido sua qualidade para fritura e formato de tubérculos alongados, que proporcionam palitos de comprimento médio/longo.

 

Desafio

     O fato de se iniciar o trabalho de divulgação de cultivares IAC de batata pela Aracy Ruiva, diz Watanabe, é um desafio, uma vez que ela possui a pele bem áspera/rústica, que no inglês é chamada de “rustle”. É que o consumidor brasileiro tem por costume adquirir batata de pele lisa e brilhante, resultando na insatisfação que afeta toda a cadeia produtiva e de comercialização do produto.

     Diante desta realidade, o coordenador do evento aponta a necessidade de se levar informações sobre a cultura da batata, bem como sobre variedades e aptidões culinárias, entre outras. Assim, o consumidor pode começar a perceber que pele lisa e brilhante nem sempre (na maioria dos casos) está relacionada a alimento saudável, produzido com menor quantidade de venenos e também com qualidade culinária.

     O 5º Encontro teve o foco no sistema de produção orgânica. De modo geral, as plantas e cultivares originadas na UPD/Itararé são selecionadas visando à rusticidade, produtividade e aptidão culinária para fritura e cozimento.

     As cultivares de batata IAC (já lançadas no mercado) e de outros clones promissores são direcionadas à rusticidade e potencializam o cultivo no sistema orgânico (sem defensivos/pesticidas, utilizados na agricultura convencional). Por isso, diz Watanabe, é necessário gerar muita informação através da pesquisa, para que se possa assegurar a isenção total do cultivo com o uso de pesticidas.
     Espera-se, diz Watanabe, que o evento promova trocas de informações, parcerias com empresas e produtores rurais que queiram iniciar a produção de batata em escala comercial,  novos projetos visando a estudos mais detalhados e seguros para que seja possível a prática de agricultura mais consciente e saudável, com maior respeito a quem produz e consome e, no caso da batata, com maior aptidão culinária.
     Estão previstas palestras na parte da manhã, abrangendo agricultura orgânica e situação da produção de  batata no Brasil. Já na parte de campo, à tarde, algumas empresas-parceiras poderão demonstrar a eficiência de seus produtos no cultivo da batata cultivar Aracy Ruiva.

     O 6º Encontro tem o apoio de empresas ligadas à agricultura orgânica, como Microbiol (Microgeo), Sudoeste, Ecosolo, Mineração São Judas, Itaforte Bioprodutos, Improcop e Composto Bressiani/RC Fértil. Além disso, participam empresas produtoras de insumos da agricultura convencional como Unical, Fertilizantes Heringer, FTR Sementes, Syngenta e Basf. Merece destaque ainda o apoio do Sebrae-Itapeva-SP e da Fazenda São Benedito do município de Bom Sucesso de Itararé.

 

Outras informações podem ser obtidas com o pesquisador Yuji Watanabe pelo telefone (15) 3532-4471 ou pelo e-mail yuji@apta.sp.gov.br

 

Assessoria de Comunicação da APTA

José Venâncio de Resende

Maitê Laranjeira/Eliane Cristina da Silva (estagiárias)

(11) 5067-0424 

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