LABORATÓRIO DE REFERÊNCIA INTERNACIONAL EM CITROS RECEBE NOME DA PESQUISADORA VICTORIA ROSSETTI


O Laboratório de Sanidade Vegetal da Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento (UPD) de Sorocaba, vinculada à APTA Regional da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, vai receber o nome de “Dra. Victoria Rossetti”, em homenagem à pesquisadora do Instituto Biológico (IB), reconhecida internacionalmente pelos seus trabalhos em patologia dos citros. A solenidade, presidida pela secretária Mônika Bergamaschi, será realizada no dia 9 de novembro, às 10 horas, em Sorocaba.

Na ocasião, serão inauguradas as novas instalações do laboratório, que receberam investimentos do Tesouro do Estado no valor de R$ 117,13 mil. O objetivo é aumentar a capacidade de geração de resultados de pesquisa e melhorar o atendimento na área vegetal, principalmente serviços de programas oficiais de sanidade como “teste de indução de sintomas de pinta preta dos citros” e “análises laboratoriais para a detecção de patógenos do gênero Phytophthora em materiais cítricos amostrados em viveiros de citros”.

O primeiro programa é federal e constitui-se de teste exigido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e pela União Europeia (UE) para a exportação de frutos cítricos para os países da Europa. A UPD-Sorocaba é credenciada junto ao MAPA para realizar este teste e, também, é auditada periodicamente por comitivas da UE.

Já o segundo programa, de caráter estadual, atende à produção de mudas certificadas de mudas sadias de citros, livres de patógenos (organismos vivos) causadores de doenças limitantes à cultura, como HLB (“greening”), clorose variegada dos citros (CVC), Cancro Cítrico, Leprose, Phytophthora spp. (agente causador da doença gomose de Phytophthora dos citros) ) e nematóides.

A UPD-Sorocaba também está credenciada no MAPA para a realização das análises laboratoriais para a detecção de Phytophthora em materiais amostrados em sementeiras e viveiros comerciais de citros no Estado, diz o pesquisador da APTA Regional Eduardo Feichtenberger. Após a implantação do programa, em 2000, a UPD-Sorocaba já realizou mais de 63 mil destas análises laboratoriais.

Contribuições de Rossetti

Entre as contribuições da pesquisadora Victoria Rossetti, falecida em 2010, o pesquisador Eduardo Feichtenberger, da Unidade de Sorocaba, cita a seleção do limoeiro Cravo como porta-enxerto tolerante à tristeza dos citros (CTV) e de porta-enxertos de citros e gêneros afins mais tolerantes à Phytophthora, em colaboração com o Instituto Agronômico (IAC) e outros pesquisadores do próprio Biológico.

Segundo Feichtenberger, que foi colaborador de Victoria Rossetti, a pesquisadora envolveu-se ainda com outras importantes doenças (viroses dos citros como a sorose) e doenças provocadas por viróides (cachexia, exocorte etc.), gerando informações relevantes aos programas de produção e certificação de materiais propagativos de citros livres desses patógenos.

Também participou ativamente da Comissão Técnica Assessora do Programa de Registro de Plantas Matrizes de Citros do Estado de São Paulo. Em decorrência desse trabalho, borbulhas das plantas matrizes selecionadas e sadias eram fornecidas aos viveiristas para a produção de mudas livres desses patógenos. “Esse programa foi fundamental para o futuro desenvolvimento da nova citricultura paulista, pois permitiu afastar a séria ameaça que essas doenças representavam na época.”

Em colaboração com outros pesquisadores, desenvolveu trabalhos sobre a leprose (doença provocada por vírus de ação local, cujo vetor no Brasil é o ácaro Brevipalpus phoenicis). Assim, conseguiu comprovar a transmissão da leprose por enxertia de tecidos e contribuiu para estudos sobre a etiologia da doença.

A partir do final da década de 1950, passou a trabalhar com o cancro cítrico, tendo presidido (entre 1975 e 77) a Comissão Permanente do Cancro Cítrico da Secretaria de Agricultura e Abastecimento que orientava os trabalhos de erradicação da doença no Estado. Também colaborou nos estudos iniciais da doença no Brasil e em muitos outros trabalhos e projetos desenvolvidos por vários pesquisadores do Instituto Biológico. Em 1982, publicou em conjunto com colaboradores do IB uma “Bibliografia Analítica sobre o Cancro Cítrico”.

No final da década de 70, passou a trabalhar com o declínio dos citros, doença cuja etiologia ainda não estava determinada. Em conjunto com pesquisadores do IB, contribuiu para o “melhor conhecimento da doença e a sua associação com a utilização de porta-enxertos de citros intolerantes à anomalia”.

Rossetti teve ainda participação fundamental na determinação da etiologia (causa) da CVC, relata Feichtenberger. Inclusive, o nome da doença foi dado por ela, quando constatada em 1987 na região norte do Estado de São Paulo. A bactéria Xylella fastidiosa, encontrada nos vasos do xilema de amostras enviadas por Rossetti ao Laboratório da Universidade de Bordeaux (França), foi confirmada, em estudos posteriores realizados pelos franceses, como sendo a agente causal da CVC. A bactéria foi depois objeto do projeto genoma da FAPESP, “sendo o primeiro fitopatógeno a ter o seu genoma sequenciado no mundo. O feito teve repercussão internacional e lançou o Brasil no seleto ´clube´ dos que dominam esta tecnologia, e contribuiu para a formação de uma nova geração de cientistas envolvidos nessa área biotecnológica”.

Segundo Feichtenberger, a pesquisadora desenvolveu ainda “métodos engenhosos para diagnosticar doenças dos citros, como o de avaliar o fluxo de seiva pelos vasos do xilema das plantas no diagnóstico do declínio dos citros, através de injeções com água no tronco das plantas”.

Rossetti não chegou a trabalhar com o “greening” (HLB), que foi detectado no país em 2004, mas sua preocupação com a doença era enorme, diz Feichtenberger. “Ela já antevia que a doença poderia colocar em risco a sustentabilidade de toda a cadeia produtiva envolvida. O “greening” sempre se constituiu no seu maior temor.” Tanto que ela escreveu artigos nos quais alertava sobre a ameaça que a doença representava e as medidas recomendadas para se evitar a sua introdução no país. “Ironicamente, o relato da ocorrência do HLB no Brasil só foi feito quando ela já se encontrava enferma e sem condições de participar dos trabalhos ora em desenvolvimento”, conclui o pesquisador.    

SERVIÇO:

Evento: Inauguração das novas instalações do Laboratório de Sanidade Vegetal “Dra. Victoria Rossetti” – Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Sorocaba – Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios – Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

Data: 09 de Novembro de 2012 – 10:00 horas

Local: Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Sorocaba – Rua Antonio Gomes Morgado, 340 – Jardim Cruzeiro do Sul – Sorocaba – SP

Contato: (15) 3227-5237 ou updsorocaba@apta.sp.gov.br
Assessoria de Comunicação da APTA

José Venâncio de Resende

(11) 5067-0424

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