LABORATÓRIO DE CARCINOCULTURA BENEFICIA PESCADORES DE CANANÉIA

11/12/2006

O Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento do Litoral Sul, do Instituto de Pesca, vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, desenvolve uma alternativa para a obtenção de isca-viva na região de Cananéia. A região tem a pesca amadora como um dos principais setores produtivos, gerando emprego e renda para diversas pessoas. No entanto, durante o inverno, o setor é comprometido pela diminuição da captura de camarões para isca-viva, afetando o turismo e a subsistência dos pescadores, observa o pesquisador Jocemar Tomasino Mendonça, jmendonca@pesca.sp.gov.br.

Desde abril de 2004, a Instituição realiza pesquisas, sob a coordenação geral de Jocemar, sobre o cultivo das espécies nativas de camarão-rosa, Farfantepenaeus paulensis, conhecido como “ferrinho”, e Farfantepenaeus brasiliensis, como “carijó”, em tanques-rede, para a produção de isca-viva, visando avaliar a eficiência econômica dessa técnica para pescadores artesanais daquela região.

Para o desenvolvimento dessas pesquisas, o Instituto de Pesca adquiria as pós-larvas utilizadas em cultivos experimentais do Laboratório de Carcinocultura da Fundação Universidade Federal do Rio Grande (FURG), que, por sua vez, realiza pesquisas de cultivo de camarão nativo junto à comunidade de pescadores artesanais do estuário da Lagoa dos Patos, Rio Grande (RS). Porém, explica Jocemar, esse Laboratório efetua apenas um ciclo de produção de pós-larvas de camarão por ano. Isso limitava a atividade na região de Cananéia, pela ausência de uma produção contínua que pudesse suprir a demanda dos cultivos ao longo do ano, principalmente no inverno, o período mais crítico.

Com base nessa realidade, explica a pesquisadora Laura Villwock de Miranda, miranda_lv@pesca.sp.gov.br, o Núcleo de Pesquisa do Litoral Sul montou um pequeno Laboratório de Carcinocultura para a produção de pós-larvas, de modo a facilitar o trabalho dos pescadores ao longo de todo o ano. Agora, a ampliação do Laboratório é um dos objetivos do projeto “Transferência de tecnologia de cultivo de camarão em tanque-rede e capacitação dos pescadores artesanais do Complexo Estuarino-lagunar de Cananéia, Iguape e Ilha Comprida, litoral sul do Estado de São Paulo”, desenvolvido em parceria com a Fundação São Vicente e financiado pela SEAP (Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca), do governo federal.

Em 2005, o Instituto de Pesca produziu 60.000 pós-larvas de camarão na pequena estrutura montada para funcionar como Laboratório. Segundo Jocemar Mendonça, até o final de 2006, a produção poderá chegar a 250.000 pós-larvas.

As pós-larvas produzidas pelo Instituto de Pesca são repassadas aos pescadores, ao longo do ano, para a engorda dos camarões e posterior comercialização como isca-viva. Normalmente obtêm-se três safras anuais de camarão, com despescas a cada três meses, aproximadamente.

O cultivo como alternativa

No litoral sul do estado de São Paulo há uma intensa atividade pesqueira em estuários direcionada à captura de camarões destinados, em forma de isca-viva, à pesca esportiva e amadora, para a captura de robalo e pescadas, principalmente. A captura de camarões utiliza diferentes artes de pesca, como: gerival, covos e peneiras. Atualmente, a atividade vem comprometendo os estoques do recurso, devido ao uso de petrechos de pesca predatórios, como o cambau e o picaré.

Laura Villwock comenta que nos estuários capturam-se camarões em estado juvenil, já que esse crustáceo completa seu ciclo de vida no mar. A produção de camarão no estuário, na forma de isca-viva, ultrapassa 250.000 animais por ano, número ainda insuficiente para suprir a demanda da pesca amadora, o que leva à diminuição do rendimento dos pescadores e do setor de turismo da região ligado à pesca, diz a pesquisadora.

Portanto, uma das alternativas para resolver, ainda que parcialmente, o problema é a implantação de cultivos de camarão em tanques-rede (gaiolas) e a capacitação dos pescadores de Cananéia para desenvolverem essa técnica.

Fonte: Antônio Carlos Simões, antoniosimoes@sp.gov.br, jornalista, Instituto de Pesca, www.pesca.sp.gov.br, dez. 2006

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