INVESTIMENTOS EM PESQUISAS: GARGALOS NO CAMPO

01/12/2005

Por Eduardo Geraque, de Brasília
Números apresentados por Roberto Rodrigues, ministro da Agricultura, na 3ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, em Brasília, mostram a importância de uma instituição como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Para o ministro, o retorno oferecido pelo órgão federal de pesquisa num ano é de R$ 13 para cada R$ 1 investido. “Isso gera um lucro social de R$ 11,9 bilhões anualmente”, afirmou o também engenheiro agrônomo formado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (USP).

O expressivo resultado é fruto da aplicação de um grupo de mais de 30 tecnologias desenvolvidas no país. “Essas iniciativas geram 206,8 mil empregos”, disse. Segundo Rodrigues, apesar dos bons resultados obtidos não apenas pela Embrapa, mas por todo o setor do agronegócio nacional, muitos problemas ainda estão longe de serem resolvidos.

“Um deles se refere aos recursos financeiros escassos. A própria Embrapa recebe apenas 0,6% do PIB agrícola. E a defesa sanitária – o Brasil teve recentemente vários focos de febre aftosa – recebe apenas 10% do total dado à Embrapa”, conta.

Além de dinheiro, o ministro cita a infra-estrutura, a logística e a sempre complexa questão dos mercados externos como outros gargalos que devem ser desobstruídos. “Temos ainda o problema dos marcos legais e da modernização da máquina pública”, lembrou.

Para Rodrigues, investir em tecnologia no campo serve para “armar o Brasil para a competição internacional do mercado agrícola”. Hoje, o país tem 62 milhões de hectares ocupados pela agricultura. Em 15 anos, pelos cálculos do ministério, será possível aumentar mais 30 milhões. Mas, antes que os ambientalistas protestem – muito do avanço da lavoura ocorreu sobre o Cerrado e, mais recentemente, sobre a Amazônia –, vem a explicação: “Essas áreas são ocupadas atualmente por pastagens. Com o avanço da tecnologia nesse setor, será possível alocá-las para a agricultura, sem prejuízo da produção de carnes do Brasil”, afirma.

Entre as ações de planejamento para o setor agrícola, Rodrigues admitiu que está pensando em mecanismos que criem uma espécie de fundo privado para apoiar as pesquisas e o desenvolvimento tecnológico no campo. “É justo que os agricultores também paguem algo por isso.”

Quanto à comunidade científica, o ministro, que também é professor da Universidade Estadual Paulista, no campus de Jaboticabal, deu o seu recado. “Precisamos formar pessoas para enxergar os problemas que ainda não estão postos. É preciso rasgar a cortina do futuro e obter respostas para perguntas que ainda nem foram feitas”, disse.

Agência FAPESP

Notícias por Ano