INTEGRAÇÃO ENTRE EUCALIPTO E OVINOS DE CORTE, PROJETO INÉDITO DE PESQUISA EM SÃO PAULO


integracao ovinos_eucalipto_2012

A instalação de sistemas integrados de produção de madeira de eucalipto com a produção de ovinos de corte por pequenos produtores, em condições viáveis do ponto de vista econômico, financeiro e técnico, é o objetivo de projeto inédito, que será desenvolvido em Itapetininga pela APTA Regional Sudoeste Paulista, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, Faculdade de Tecnologia de São Paulo (FATEC) e Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI/SAA). Para isso, serão avaliados os sistemas silvipastoril com fileira única de eucalipto e faixa de 12 metros e silvipastoril com duas fileiras de eucalipto e faixa de 12 metros; e estes serão comparados com os sistemas de ovinocultura em pastagens exclusiva e eucaliptocultura exclusiva.

Como resultados, serão publicados os dados econômico-financeiros comparativos, bem como as informações técnicas que possibilitem a implantação destes sistemas pelos pequenos agricultores, em cartilhas informativas a serem distribuídas aos interessados. Além disso, o projeto servirá de aprendizado aos alunos do curso de tecnologia em agronegócios sobre as questões gerenciais destes sistemas complexos, oferecendo estágios e oportunidades para o desenvolvimento de trabalhos de conclusão de curso.

Desenvolvimento regional

A contribuição para o desenvolvimento regional é evidente na medida em que os sistemas silvipastoris surgem como alternativa para agricultores familiares, diz a pesquisadora Cristina Maria Pacheco Barbosa, coordenadora do projeto. É que possibilita o rendimento contínuo, além do máximo aproveitamento da terra, garantindo também benefícios para o meio ambiente.

No entanto, observa a pesquisadora, esses sistemas são complexos e precisam ser avaliados quanto à sua viabilidade técnica e econômico-financeira antes de serem divulgados como alternativa aos pequenos produtores. Cabe aos órgãos competentes dar essa segurança aos produtores rurais através de estudos. É aí que entra instituições como a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), por meio da Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Itapetininga; a FATEC (Unidade Itapetininga) e a CATI. A UPD de Itapetininga, por exemplo, realiza estudos na área de caprinocultura e ovinocultura.

Resultados esperados

Os resultados desse projeto serão disseminados através das capacitações realizadas pelo grupo de pesquisa e também em eventos específicos de cada área (dias de campo, palestras, cursos de curta duração, folders, boletins técnicos, implantação de unidades demonstrativas em propriedades parceiras etc.). Como o estudo tem a participação de alunos e professores da FATEC, os resultados desses trabalhos também serão disseminados via trabalhos de conclusão de cursos, monografias, etc.

O término do projeto está previsto para dezembro 2014. Além da publicação em periódicos específicos, os dados de pesquisa serão apresentados em eventos importantes como Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia (2011, 2012, 2013 e 2014) e Congresso Internacional de Sistemas Silvopastoriles, Argentina, 2012.

Sistemas agroflorestais

Sistemas agroflorestais, com a utilização de Eucalyptus spp. para a produção de madeira, podem ser considerados como uma alternativa para pequenos produtores no sudoeste paulista, diz Cristina. Não apenas integram a produção de madeira de alto valor no mercado, porém com ciclos produtivos longos (de 6-7 anos), com a produção de alimentos, como também permitem ao pequeno agricultor obter renda contínua, reduzindo o impacto ambiental das plantações em grande escala.

A principal limitação para o desenvolvimento destes sistemas integrados para o pequeno produtor é a falta de informações técnicas na região para possibilitar sua implantação. A região de Itapetininga apresenta condições edafoclimáticas muito favoráveis ao cultivo do eucalipto, com a produtividade regional entre as maiores do Brasil e do mundo (35-55 m3de madeira/ha/ano-1).

O preço da madeira de eucalipto tem aumentado significativamente nos últimos anos, tornando esta cultura altamente rentável na região, observa a pesquisadora da APTA Regional. “No entanto, essa vantagem econômica é muito pouco aproveitada pelos pequenos agricultores pela falta de informações técnicas sobre o plantio de eucalipto, que majoritariamente é plantado como maciços florestais por empresas de grande porte ou por agricultores em sistemas de fomento florestal, dificultando seu plantio pelo pequeno agricultor.”

Outro entrave é o fato de esta cultura possuir um ciclo longo (6-7 anos), complementa Cristina. “O pequeno agricultor que precisa de fonte de renda contínua para garantir seu sustento, não tem condições financeiras de esperar até o final do ciclo para obter o retorno financeiro.”

Além de Cristina Barbosa, a equipe do projeto reúne a bióloga Luciana Ruggiero González, professora assistente do Curso Superior de Tecnologia em Agronegócios da FATEC; a zootecnista Ana Paula Roque, assistente agropecuária da CATI; e os bolsistas Pâmela Suellen Santos Nogueira e Roney Willian Santos Nogueira (FAPESP); Jucimara de Jesus Brito e Wagner J. Pereira (CNPq).

Assessoria de Comunicação da APTA

José Venâncio de Resende

(11) 5067-0424

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