IEA: preços agrícolas têm alta de 5,86% em março

04/04/2005

IEA: preços agrícolas têm alta de 5,86% em março

São Paulo, 4 - O índice de preços recebidos pelos agricultores (IPR) subiu 5,86% em março, com ganho de 4,12 pontos percentuais em relação a fevereiro. Os cálculos são do pesquisador Nelson Batista Martin, do Instituto de Economia Agrícola (IEA).

Segundo Martin, a forte alta observada no mês se deve à confirmação das perdas da safra de grão por estiagem no Centro-sul do País, além dos ganhos observados no mercado internacional pelos produtos de origem vegetal.

O pesquisador destaca que em março o tomate apresentou a maior alta de preço (+78,67%), em função de menor oferta devido às perdas pelas chuvas intensas verificadas em meados do mês. Dos 19 produtos pesquisados, onze apresentaram aumento no preço. Outro destaque foi a recuperação dos preços do milho, com as fortes perdas de produção pela estiagem nos estados do Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste, indicando possível necessidade de importação para atender à demanda interna.

No primeiro trimestre, a variação acumulada do IPR foi de 8,20%, em comparação com 1,55% do IGP-M e 1,63% do IPC-Fipe (estimativa). "Isto indica ganho do poder de troca dos agricultores de 6,65 pontos percentuais em relação ao IGP-M e de 6,57 pontos percentuais frente ao IPC-Fipe." Ele cita como destaque de baixa a queda de preços das aves (frango), que vêm enfrentando um mercado interno muito fraco e oferta com forte crescimento, diz Martin.

A variação dos últimos doze meses indica evolução contínua do IPR desde outubro do ano passado, destacando-se como a maior alta. "Com o desempenho em março, esse índice acumulado apresentou variação positiva de 22,13%, em comparação com 11,12% do IGP-M e 7,09% (estimado) do IPC-Fipe. Assim, os preços agrícolas, nos últimos 12 meses, apresentam ganho de 11,01 pontos percentuais em relação ao IGP-M e de 15,04 pontos percentuais frente ao IPC-Fipe."

A batata é um dos principais destaques de alta de preços nos últimos doze meses (acima de 100,00%) e no primeiro trimestre deste ano (+118,18%), em função da menor oferta, além de problemas climáticos que comprometeram a qualidade do produto nos últimos seis meses. No acumulado de doze meses, também se destaca a alta de preços do café (65,99%), por causa da safra menor nos países da América Central e da indicação de redução de 20% na safra brasileira de 2004/05, gerando um déficit mundial de dez milhões de sacas, explica Martin. A soja foi o destaque de baixa nos últimos doze meses (-36,29%), por causa da elevação da oferta mundial. Mas, devido à estiagem no Brasil, os preços se recuperaram parcialmente em março (+21,77%).

Venilson Ferreira

Portal Estadão
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