GOVERNADOR CLÁUDIO LEMBO INAUGURA, EM SANTOS, OBRAS DE MODERNIZAÇÃO DE CENTRO DE PESQUISA MARINHA

30/08/2006

Há muitos anos o conjunto arquitetônico, localizado em Santos (SP), onde funciona o atual Centro Avançado de Pesquisa Tecnológica do Agronegócio do Pescado Marinho (ipescapm@pesca.sp.gov.br), unidade que integra o Instituto de Pesca, vinculado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento), necessitava de ampla reforma. Era urgente a adequação de antigos laboratórios ao avanço da tecnologia, bem como, a construção de novas unidades laboratoriais especializadas, atendendo às necessidades da geração de pesquisadores que hoje atua na Instituição e que há muito defende tal modernização. Recentemente, felizmente, o apelo recebeu a atenção do então governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, que autorizou a realização de um conjunto de obras, a um custo de R$ 1,2 milhão, no conceituado centro de pesquisas, que abriga, inclusive, o histórico Museu de Pesca, tombado pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo). O conjunto das obras será então inaugurado no próximo dia 1º de setembro, às 11h30, pelo governador de São Paulo, Cláudio Lembo, acompanhado do secretário de Agricultura e Abastecimento, Alberto José Macedo Filho.

O Instituto de Pesca (diretoria@pesca.sp.gov.br), embora tenha surgido oficialmente em 8 de abril de 1969, a partir do antigo Departamento da Produção Animal da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, representa a continuidade, em termos mais avançados, dos trabalhos envolvendo a pesca e a aqüicultura realizados há décadas no Estado, comenta Edison Kubo, diretor do Instituto, cuja sede fica na cidade de São Paulo. Atualmente a instituição conta com 74 pesquisadores, que desenvolvem 64 projetos de pesquisa.

A atual reforma do Centro do Pescado Marinho, que resultará no ganho de modernas unidades laboratoriais para o desenvolvimento de estudos em maricultura, biologia pesqueira e tecnologia do pescado, incluiu, por exemplo, a reordenação tanto dos espaços técnicos de pesquisa quanto das instalações de uso comum, através da recuperação, demolição, construção e impermeabilização de alvenarias; substituição de telhados; recuperação de esquadrias de madeira; pintura; e substituição e ampliação de instalações elétricas, hidráulicas e de esgoto.

Demandas e agregação de valor

A tendência atual da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, por intermédio da APTA, é acentuar o perfil de aplicabilidade da pesquisa científica a serviço das diferentes cadeias produtivas que integram a agroindústria paulista, dentre as quais se inclui a do pescado. E, nesse particular de atendimento ao setor pesqueiro sob a óptica de uma cadeia produtiva integral, o Centro APTA do Pescado Marinho é considerado um paradigma institucional. Na prática, tratar o setor pesqueiro como um agronegócio implica vê-lo como gerador de demandas complexas, que exigem do Instituto de Pesca abordagens mais integradas e um quadro mais amplo de competências, tanto dos especialistas individualmente, como da organização como um todo.

Dentre as atribuições do Centro do Pescado Marinho, que conta com 35 pesquisadores científicos, destacam-se: 1) desenvolver ações de pesquisa em pesca extrativista, maricultura, economia e estatística pesqueiras e tecnologia e qualidade do pescado; e 2) atuar na análise e proposição de políticas públicas para o agronegócio do pescado marinho, com ênfase no aproveitamento integral da matéria-prima pela máxima agregação de valor, visando à geração de oportunidades de trabalho e renda, com o devido respeito à sustentabilidade ambiental. Portanto, o Centro desenvolve ações relacionadas diretamente com o setor produtivo, visando detectar problemas e oferecer respostas capazes de contribuir para a reorganização e sustentabilidade da cadeia produtiva do pescado no Estado de São Paulo. Neste particular, considera-se que mais importante que aumentar a produção pesqueira é agregar valor ao que já se pesca e oferecer técnicas criatórias que possibilitem novas alternativas para o aumento da rentabilidade do setor.

Tecnologia do Pescado

Uma das atuais áreas estratégicas do Centro do Pescado Marinho é a Unidade Laboratorial de Referência em Tecnologia do Pescado: tecnologia@pesca.sp.gov.br, fone: (13) 3261-2653. Dentre as suas atividades destacam-se pesquisas sobre: aproveitamento de diversas espécies (ou conjunto de espécies) de pescado como matéria-prima para a indústria; aperfeiçoamento/desenvolvimento de técnicas de processamento de pescado; aproveitamento de subprodutos da indústria de transformação do pescado; indicadores e parâmetros direcionados à definição, implementação e aplicação de sistemas de gerenciamento da qualidade do pescado. Além disso, a Unidade Laboratorial também é responsável pela emissão de laudos e pareceres relacionados à qualidade do pescado.

Com as obras de readequação física, essa unidade institucional passa a dispor de modernos equipamentos para experimentar/elaborar novos produtos alimentícios, com a utilização, por exemplo, da polpa, resultando no aproveitamento integral do pescado, diz a pesquisadora Cristiane Rodrigues Pinheiro Neiva (crpneiva@sp.gov.br).

Controle da produção pesqueira marinha

Desde a sua criação, o Instituto de Pesca é responsável pelo controle da produção pesqueira marinha, por meio da coleta, armazenamento, processamento e disponibilização de informações sobre a produção pesqueira marinha desembarcada no Estado de São Paulo. Esse serviço mantém coletores de dados nos principais pontos de desembarque de pescado: Cananéia, Iguape, Ilha Comprida, Santos, Guarujá, São Sebastião, Ilhabela e Ubatuba. O objetivo é a obtenção de dados sobre produção desembarcada, preços de primeira comercialização e esforço de pesca (por categoria de pescado), por meio de entrevistas com mestres de embarcações e pescadores. Paralelamente, esses dados de entrevistas ainda são complementados por dados constantes de mapas de bordo e de registros fornecidos pelas empresas de pesca.

A seguir, por meio do “Sistema gerenciador de banco de dados de controle estatístico da produção pesqueira marítima (ProPesq)”, desenvolvem-se as etapas de armazenamento, processamento, análise e disponibilização dessas informações, explica o pesquisador Antônio Olinto Ávila da Silva (aolinto@sp.gov.br), diretor da Unidade Laboratorial de Referência em Controle Estatístico da Produção Pesqueira Marinha. Os resultados desse trabalho estão disponíveis no item de menu “Estatística Pesqueira” do site do Instituto de Pesca (www.pesca.sp.gov.br), que, inclusive, possibilita consultas “on-line”. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone: (13) 3261-5160 ou 3261-8080.

Biologia pesqueira

Nesta área de estudo obtêm-se informações para o entendimento do ciclo de vida de espécies de peixes, crustáceos, moluscos e algas de interesse econômico e sob explotação, as quais, em conjunto com as informações de produção e esforço de pesca, permitem definir com maior exatidão como, quando e onde proteger as espécies contra a pressão pesqueira. Além disso, o estudo da biodiversidade das áreas de pesca tem evidenciado algumas espécies como potenciais recursos substitutivos. Novas instalações para o Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento, unidade responsável pelas pesquisas em biologia pesqueira e maricultura, também foram viabilizadas pelas reformas executadas.

Maricultura

Os principais objetivos das pesquisas nessa área são aprimorar técnicas de criação e disponibilizar a produtores formas jovens (sementes e larvas e alevinos) de diferentes espécies próprias para cultivo massivo.

Caranguejos, siris, camarões, todos crustáceos importantes, sobretudo para as populações ribeirinhas e de manguezais do litoral brasileiro, são, no entanto, recursos já bastante desgastados, exigindo, como medida reparadora, tanto econômica quanto preservacionista, a consolidação de tecnologias de cultivo que permitam diminuir, ou mesmo substituir, a extração dessas espécies. A obtenção de pós-larvas e juvenis e a sua liberação em locais previamente definidos, devem resultar, para algumas espécies, na possibilidade de reposição/regeneração dos estoques naturais reduzidos pela pesca intensiva.

Portanto, pesquisas em maricultura tornam-se cada vez mais importantes, sobretudo ao se considerar também a tendência atual de degradação do meio ambiente (poluição, aterro de manguezais, construção de barreiras), que, muitas vezes, compromete a migração de larvas ou juvenis para regiões estuarinas, pois muitos crustáceos obrigatoriamente realizam parte de seu ciclo de vida em águas salobras.

Nas obras do Centro do Pescado Marinho, o Laboratório de Maricultura foi contemplado com uma área de 1.000 m2 destinada a salas (sublaboratórios) de maturação, produção de larvas, larvicultura experimental e produção de organismos-alimento, por exemplo. E, ainda, sala para manutenção de bancos de microalgas e organismos zooplanctônicos; sala de microscopia, lavagem e esterilização de vidraria; sala de captação e filtragem mecânica e biológica de água do mar, dentre outros espaços.

No Estado de São Paulo, são raras as instituições especializadas em pesquisa sobre cultivo de organismos aquáticos, observa a pesquisadora Naoyo Yamanaka (naoyama@pesca.sp.gov.br). A existência de várias universidades particulares na Baixada Santista e, mais recentemente, a instalação de unidade da UNESP em São Vicente, originam uma demanda adicional por espaços para o desenvolvimento de estágios e pesquisas de ponta, que podem ser viabilizados por meio de parcerias com o Instituto de Pesca, cujos estudos em maricultura têm experimentado alguns bons resultados econômicos e sociais, como, por exemplo, o surgimento de segmentos organizados de criadores.

As novas instalações do Laboratório de Maricultura propiciarão: o desenvolvimento e/ou adaptação de técnicas criatórias (para moluscos, crustáceos, peixes, macroalgas, microalgas e organismos zooplanctônicos); a diminuição de riscos ambientais, pela instalação orientada de fazendas marinhas; a avaliação de áreas para cultivo (condições oceanográficas, qualidade da água e indicação de espécies mais apropriadas); a consolidação de informações para subsidiar a legislação e o zoneamento de áreas costeiras destinadas à maricultura; e, dentre outras ações na cadeia produtiva do pescado, a geração de empregos e de receita, pela implantação monitorada de parques de cultivo ao longo do litoral paulista.

Graças ao Laboratório de Maricultura, e às suas demais unidades constituintes, o Instituto de Pesca é uma das instituições pioneiras no Brasil em pesquisas de suporte à produção pesqueira, dentre elas, a de criação de mexilhões e ostras, área na qual é considerado referência nacional e internacional.

Fonte: APTA

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