FEIJÃO: MAIOR PREÇO EM DOIS ANOS DO FEIJÃO ESTIMULA PLANTIO

18/04/2005

Os preços aquecidos do feijão carioca, que chegaram a bater R$ 107 por saca de 60 quilos no atacado paulista - a maior cotação desde abril de 2003 - deve estimular o plantio da terceira safra, que começa a ser plantada em maio. Marcelo Lüders, diretor da paranaense Correpar, diz que há grande procura por sementes no mercado e é possível que a terceira safra seja mais favorável que as anteriores. "O preço deve se manter sustentado nas próximas semanas porque a oferta está muito escassa em função da quebra nas duas primeiras safras", diz Lüders.

Ele observa que, além das perdas já observadas na primeira safra, que está em comercialização neste momento, está havendo quebras no Paraná e São Paulo na segunda safra. Nelson Batista Martin, pesquisador do Instituto de Economia Agrícola (IEA), vinculado à Secretaria de Agricultura de São Paulo, observa que a quebra no Estado na segunda safra é estimada em 6,9%, para 69,44 mil toneladas. No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura estima quebra de 16,9%, para 121,9 mil toneladas.

Segundo João Ruas, analista da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o mercado começa a receber agora - e com atraso - as safras do Centro-Oeste, Paraná e São Paulo. Ele diz que a perda prevista de 1,2%, para 1,04 milhão de toneladas, deve ser ainda maior devido à estiagem que afeta essas regiões.

 

Ele observa que as indústrias estão refazendo os estoques e por isso os preços estão aquecidos. "Quando passar essa fase, tudo vai depender da safra do Nordeste, que responde por um terço da oferta nesse período", diz Ruas. Nesta semana, a Conab realiza leilão de 9,9 mil toneladas de feijão comprados em 2004 via Aquisições do Governo Federal (AGF). Para Lüders, da Correpar, o leilão vai interferir apenas nos preços na média de preços das variedades de baixa qualidade.

Para os analistas, é preciso ter cuidado com a euforia. O consumo tem se restringido neste ano por conta do aumento do custo de vida, medido pelos índices inflacionários. Para este ano, o setor estima consumo inferior a 3 milhões de toneladas, que foi a média alcançada em 2004.

Alberto Santos, da empacotadora Bocaiúva Alimentos, sediado em Feira de Santana (BA), observa que os preços, nas próximas semanas, será muito influenciado pela oferta de feijão que começa a chegar dos estados do Centro-Oeste. "Pelo quadro que se desenha hoje, a perspectiva é de oferta enxuta, preços em alta e estímulo à produção."

Cibelle Bouças, de São Paulo

Jornal Valor Econômico

Notícias por Ano

Notícias por Polos