FEIJÃO: IAC LANÇA QUATRO NOVAS VARIEDADES DE FEIJÃO

15/04/2005

O mercado da principal fonte de proteína vegetal do brasileiro vai ficar mais forte. É que o Instituto Agronômico (IAC) lançou quatro novas variedades de feijão — três tipo carioca e um preto. Mais produtivas e resistentes às principais doenças do feijoeiro, as novidades devem tornar mais saborosa a atividade de quem ganha o pão plantando e comercializando feijão.

As novas variedades foram lançadas no dia 13 de abril, em Capão Bonito, durante o XXI Dia de Campo de Feijão. O evento se estendeu até o dia 14, com debate e demonstração das mais recentes tecnologias de cultivo e colheita de feijão.

As três variedades do tipo carioca são a IAC-Votuporanga, IAC-Ybaté e IAC-Apuã, a de feijão preto é a IAC-Tunã. Para o produtor, segundo o pesquisador responsável, Antonio Sidney Pompeu, esses materiais representam novas opções com maior capacidade produtiva e maior resistência a patógenos, características que proporcionam maior rentabilidade por hectare. Isso porque tais qualidades reduzem o custo de produção ao exigir menos aplicações de agroquímicos. “Além de diminuir o número de pulverizações, o agricultor pode usar fungicidas de menor custo, apenas em caráter de prevenção”, explica Pompeu.

As quatro novas variedades são resistentes aos fungos da antracnose, ferrugem e murcha de Fusarium, e ao vírus do mosaico comum. Essa resistência recobre as variedades de enorme benefício, já que as doenças do feijoeiro abalam — e muito — toda a cadeia produtiva. Para entender melhor quanto vale um material resistente, basta dizer que a antracnose — principal doença da cultura — pode reduzir em até 95% a produtividade da lavoura. A ferrugem, existente no Brasil em 53 diferentes raças, derruba a produtividade em torno de 43%, a murcha de Fusarium a reduz drasticamente e pode até matar a planta. Já o mosaico baixa a produtividade em 50%. Vê-se, portanto, quanto vale adotar um material resistente a esses patógenos. Ressalta-se que as vantagens não se restringem aos cifrões economizados. Poupa-se também os capitais verde e humano pois, ao plantar essas variedades, reduz-se também o impacto ambiental e os riscos para a saúde do trabalhador rural.

Desde o início do Programa de Melhoramento do Feijão, no IAC, por volta de 1930, busca-se desenvolver plantas que aliem alta capacidade produtiva com resistência a vários patógenos. Esse objetivo vem sendo plenamente alcançado e a produtividade dos materiais IAC saltou de 1700 kg/ha para 2800 kg/ha, desde o começo dos estudos.

Resultantes de pesquisas que duraram dez anos, as quatro novas variedades — IAC-Votuporanga, IAC-Ybaté e IAC-Apuã e IAC-Tunã — apresentam excelente produtividade, superior aos materiais já existentes — de 2853 kg/ha, 2778 kg/ha, 2778 kg/ha e2806 kg/ha, respectivamente. Essa é a média geral produzida nas três épocas de cultivo — águas, seca e inverno.

A semelhança nas variedades está também no teor protéico, em torno de 20%. O ciclo produtivo é de 90 dias, em média, para as quatro variedades. Já o porte das plantas é semi-ereto a ereto na IAC-Votuporanga e IAC-Ybaté, semi-ereto na IAC-Apuã e ereto a semi-ereto na IAC-Tunã. Os novos matérias se distinguem nas características de grãos, que é maior na IAC-Apuã.

Essas variedades IAC devem impactar o mercado de feijão, já que, de acordo com Pompeu, cerca de 80% do feijão produzido em São Paulo é tipo carioca. São Paulo é quarto maior produtor do país, com 303 mil toneladas, na safra 2003/2004. Em solos paulistas, a produção de feijão está concentrada no sudoeste do Estado, envolvendo os municípios de Sorocaba, Avaré, Itararé, Itapetininga e outros — região que já concentrou 60% da produção paulista.

O líder nacional é o Paraná, com 668 mil toneladas, seguido de Minas Gerais, 453 mil, e Bahia, 318 toneladas. Apesar de ser o terceiro maior produtor mundial de feijão, o Brasil ainda importa o produto. Diante desse quadro, amplia-se a relevância da contribuição que esses resultados IAC deverão trazer para o agronegócio do feijão, sobretudo porque, além de desenvolver variedades, o IAC dedica-se também à transferência de tecnologia, como ocorreu de forma intensa no XXI Dia de Campo de Feijão, nos dias 13 e 14 de abril, em Capão Bonito. O evento é uma realização do IAC e do Pólo Regional do Sudoeste Paulista (Apta Regional), ambos órgãos da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
 
Texto produzido por Carla Gomes - Assessora de Imprensa do IAC

 

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