ESTUDO REVELA PERFIL DA PRODUÇÃO DE MANDIOCA NA REGIÃO

02/05/2006

 

A região de Assis é destaque no Estado na produção de mandioca para indústria. Este é um dos resultados apontados por um levantamento feito no primeiro trimestre deste ano pelos pesquisadores científicos da APTA (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios) - Médio Paranapanema, órgão da Secretaria Estadual de Abastecimento. O trabalho tem como tema "Agronegócio da mandioca na região Paulista do Médio Paranapanema" e foi publicado no início deste mês no site do IEA (Instituto de Economia Agrícola). Fernanda Paiva Badiz Furlaneto da área de Sócio-economia e Ricardo Augusto Dias Kanthack, especialista em mandioca, analisaram dados das produções e as características da mandioca na região e no estado de São Paulo. O trabalho contou ainda com a colaboração da estagiária na área de Comunicação, Kassiana Cristina Bonissoni.

 

A mandioca é uma das principais explorações agrícolas mundiais, com produção acima de 160 milhões de toneladas/ano. Entre as tuberculosas, perde apenas para a batata e encontra-se entre os cinco principais produtos alimentares (trigo, arroz, milho, batata, cevada e mandioca). Dentre os continentes, a África é a maior produtora (53,32%), seguida de Ásia (28,08%), América (18,49%) e Oceania (0,11%). Já o Brasil é o maior produtor de mandioca da América, com 24 milhões de toneladas. A mandioca sempre foi o maior volume de produção após a cana-de-açúcar, mas nos últimos anos a cultura perdeu essa posição para o milho e a soja. A produção nacional aumentou 35% no período de 1998 a 2005.

 

Estima-se que o consumo per capita de mandioca, no País, seja da ordem de 70kg/ano, equivalente a raiz. A farinha, principal derivado da mandioca, é consumida em todo o Brasil, especialmente pela população de renda mais baixa. De acordo com Fernanda, o consumo médio de farinha é de aproximadamente 18 kg/habitante/ano. Ela explica ainda que “atualmente, cerca de 85% da produção de mandioca são destinados à fabricação de farinha e amido e o restante vai para consumo in natura (raízes frescas) e indústrias de congelados”.

 

No estado de São Paulo esse cenário de grandes produções da cultura não poderia ser diferente. O estudo aponta que o valor da produção da mandioca para indústria no estado atingiu cerca de R$ 119 milhões em 2005, uma queda de 33,88% em relação ao ano anterior. Apesar da redução, a produção no ano passado foi de 984,447 mil toneladas, 25,54% a mais em relação a 2004. Com esses valores, o estado ocupa a sétima posição na hierarquia nacional, com uma área de cerca de 64 mil hectares.

A pesquisa revela que o Vale Médio Paranapanema é a principal região produtora do Estado de mandioca para indústria, respondendo por 27% da produção paulista (204,06 mil toneladas). A região de Assis é a primeira em produção, seguida por Ourinhos, Mogi-Mirim, Tupã e Presidente Prudente. Kanthack explica que uns dos fatores dessa posição são as condições climáticas regionais. “Elas possibilitam uma produtividade média de 28,1 toneladas de raízes de mandioca por hectare. Essa produtividade é maior do que a produtividade média paulista e nacional que são respectivamente de 25 e 12 toneladas de raízes de mandioca por hectare” destaca.

 

O trabalho mostra ainda que na região a mandioca é predominantemente cultivada em pequenas e médias propriedades, num total de até 20% da área.  Segundo Fernanda, no Médio Paranapanema existe uma rotação da cultura da mandioca com lavouras de soja e milho, que é outro fator favorável para as altas produtividades de raízes, pois os resíduos deixados pelas outras culturas são aproveitados pela mandioca. A pesquisadora afirma também, que isso acaba gerando um aumento na rentabilidade do produtor, já que o custo de produção se torna menor.

 

A agroindústria, de acordo com Kanthack é uma alternativa para o produtor, pois transforma o produto in natura em industrializado. Ele explica que no Médio Paranapanema, existem cerca de 20 empresas processadoras de mandioca. Algumas realizam contrato de parceria entre empresa e produtor, os chamados fornecedores fixos, e outras adquirem o produto de acordo com a demanda de mercado.

 

Os pesquisadores concluíram também que a mandioca é uma boa fonte de renda. Os preços mensais do tubérculo geralmente são mais altos no período de outubro a março em decorrência da escassez de oferta do produto. De abril a setembro, época de maior produção, os preços praticados situam-se em patamares inferiores, sendo o preço mais baixo verificado no mês de junho.

 

Pesquisas na área 

A APTA do Médio Paranapanema possui vários projetos em andamento na área da cultura da mandioca. Um deles é sobre o aproveitamento dos subprodutos da mandioca na alimentação de Ovinos e Peixes. Além disso, o Pólo faz parte do programa de melhoramento genético da mandioca do Instituto Agronômico (IAC), que é desenvolvido em parceria com a APTA Regional. Entre essas unidades, destacam-se os seguintes Pólos Regionais: Centro Norte, principal unidade de multiplicação de ramas de alta qualidade, Vale do Paraíba, com trabalhos de cultivares para consumo in natura e com o maior banco de germoplasma do mundo localizado em Ubatuba/SP, Centro Sul, onde são realizadas as hibridações para o melhoramento genético. O Pólo Médio Paranapanema é responsável pelas pesquisas de avaliação de clones de mandioca, estudos de adubação, nutrição de plantas, espaçamento e densidade populacional. Os cruzamentos realizados, tanto no IAC quanto nas outras unidades, são avaliados nas condições do Médio Paranapanema.

 

Os cultivares lançados, bem como os clones gerados pelo programa, são exportados para outras regiões paulistas, e também para outros estados como Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Muitos desses clones são cultivares efetivos dentro das regiões avaliadas, tais como IAC-12, IAC-13, IAC-14, IAC-15 e IAC-90. A IAC 576-70 é a cultivar mais difundida no Brasil para consumo in natura pelas qualidades agronômicas e organolépticas, cheiro, cor e sabor.

 

Fonte: IAC 14 - APTA

  

Fonte: Kassiana Cristina Bonissoni
Estagiária - Assessoria de comunicação

polomedioparanapanema@aptaregional.sp.gov.br

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