CICLO VIRTUOSO

26/05/2006

Agência FAPESP - Vários pesquisadores brasileiros, nos últimos anos, perceberam que um dos caminhos para o crescimento profissional é tentar juntar ciência e inovação tecnológica. Soma-se a isso a necessidade de correr riscos, de ter vontade de ser um “resolvedor” de problemas e de estar sempre buscando informação científica nova.

Diante desses desafios, a Sociedade Brasileira de Química (SBQ) decidiu criar uma distinção específica para inovação tecnológica em química, o Prêmio Fernando Galembeck. O ganhador da primeira edição foi o próprio Galembeck, do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Instituto do Milênio de Materiais Complexos.

“O prêmio é uma homenagem ao professor Galembeck e resolvemos que ele deveria ser o primeiro a recebê-lo por sua contribuição à inovação tecnológica brasileira”, disse Paulo Cezar Vieira, professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e presidente da SBQ, à Agência FAPESP.

“Sempre achei que ciência e tecnologia deviam ser pensadas em conjunto, pela mesma cabeça e na mesma hora”, disse Galembeck, durante sua palestra Química, a inesgotável fonte feita na reunião anual da SBQ, encerrada segunda-feira (22/5), em Águas de Lindóia (SP).

Além dos problemas com as políticas governamentais – nem sempre preocupadas em criar condições ou alimentar um ciclo virtuoso de ciência e tecnologia -, Galembeck também não se esquivou de lembrar que, “muitas vezes, o problema também está no próprio pesquisador”.

Segundo o professor da Unicamp, que no ano passado viu a multinacional Bunge lançar um pigmento branco para tintas fabricado a partir de nanopartículas de fosfato de alumínio – projeto de pesquisa coordenado por ele durante nove anos -, é importante, no momento de uma negociação com o setor privado, mostrar mais do que apenas confiança pelo conhecimento acumulado ao longo dos anos.

“Em alguns momentos, os papers publicados também são decisivos. Além disso, é preciso não demonstrar ignorância sobre a importância das patentes”, explica. Apesar dos grandes obstáculos – e da química, segundo aponta, ser uma “inesgotável fonte de riquezas, mas também de problemas em algumas situações, tanto para o homem como para o meio ambiente” –, Galembeck se diz otimista com o cenário brasileiro para a inovação tecnológica. “Ou melhor, razoavelmente otimista, eu diria”, corrige rapidamente.

Fonte:
Agência FAPESP

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