ARROZ: IAC LANÇA DUAS NOVAS VARIEDADES DE ARROZ TRADICIONAL - IAC 105 E IAC 106

11/03/2005

Aumentar os lucros em 10% já é uma maravilha! Imagine isso somado ao afastamento de doenças que sempre geram prejuízos. Essas oportunidades estão chegando para os agricultores com as novas variedades de arroz que serão lançadas pelo Instituto Agronômico (IAC). A IAC 105 e IAC 106 — variedades de arroz tipo tradicional para cultivo em sistema irrigado por inundação — serão lançadas no próximo dia 17 de março, das 9 às 16h, em Pindamonhangaba, no Dia de Campo de Arroz. Durante o evento, os participantes terão acesso a novas tecnologias de cultivo e colheita e contato com especialistas da área.

As novas variedades destacam-se por ter produtividade superior, moderada resistência à brusone e qualidade de grãos que atende aos padrões da indústria e do consumidor. A nova variedade IAC 105 supera em 9,8% em produtividade as duas variedades que atualmente são cultivadas na região do Vale do Paraíba, principal área de produção no Estado, e que serviram de testemunhas durante a pesquisa. Já a IAC 106 produz 7% a mais que as testemunhas, que são as variedades com as quais é comparado o novo material. "Pensando só em termos de produtividade, o produtor terá cerca de 10% a mais de lucro", afirma o pesquisador do IAC, Luiz Ernesto Azzini, ao destacar uma das vantagens da nova variedade IAC 105. Ele destaca que a maior produtividade resulta em menor custo de produção por saca. Falando nisso, é bom lembrar que as despesas também são reduzidas no cultivo desses novos materiais em função da dispensa ou da redução dos defensivos, já que as variedades IAC são moderamente resistente à brusone — principal doença do arroz.

De porte baixo e ciclo intermediário (135 dias do plantio à colheita), a IAC 105 produz 6.500 kg por hectare e a IAC 106, 6.300 kg/ha. As variedades apresentam também qualidade de grãos industrial e culinária que atendem aos padrões nacional e internacional de mercado.

A qualidade industrial está relacionada ao rendimento de grãos inteiros no beneficiamento. A IAC 105 tem rendimento em torno de 60% e a IAC 105, 59%. Ressalta-se que a qualidade industrial reflete na comercialização do produto e no ganho do rizicultor, já que o preço da saca é fixado com base em ponto por grão inteiro. Os grãos inteiros garantem o bom visual do produto, indispensável para a aceitação no mercado. Os pesquisadores explicam que a qualidade industrial depende não só da genética da planta, mas também do ambiente de produção.

Outro aspecto do produto é a qualidade culinária, ou seja, como o arroz chega ao prato do consumidor, que prefere o arroz solto e macio, além de sabor e textura agradáveis. Atendidas a essas exigências, o arroz é valorizado pela indústria e pelos consumidores.

A IAC 105 e a IAC 106 destacam-se também por terem sido desenvolvidas para cultivo no Estado de São Paulo. Para a cadeia produtiva do arroz, a vantagem de se plantar variedade adaptada às condições edafoclimáticas paulistas é a certeza de que essas variedades terão bom desempenho. Ao investir em variedades importadas de outras regiões — como ocorre com freqüência — o rizicultor abraça um lucro imediato, que pode cair rapidamente com o aparecimento de doenças. Isso porque as variedades vindas de outras localidades oferecem dois riscos ao serem plantadas em São Paulo: o lucro pode ser passageiro e a planta pode trazer doenças que acarretem altos prejuízos. "A importação de material não estudado no local importa também risco de doenças. Lá (na origem do material) pode haver raça de brusone que com aquele ambiente não causa estrago, mas em São Paulo as interações climáticas podem ser mais patogênicas", alerta o pesquisador do IAC, Cândido Ricardo Bastos.

Com essas novas opções desenvolvidas para o Estado de São Paulo, o IAC, órgão da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, espera estimular os produtores paulistas a cultivarem arroz e, assim, ampliar a área de plantio, que atualmente atinge cerca de 15 mil hectares, com concentração no Vale do Paraíba. São Paulo é o maior consumidor de arroz do País, garantindo mercado a quem se dedicar ao setor.

Os interessados em cultivar as novidades IAC terão sementes disponíveis a partir da próxima safra - julho/agosto deste ano. Os pesquisadores alertam para a importância de os produtores adquirirem sementes de fontes seguras, evitando atravessadores, já que o sucesso da lavoura depende da qualidade da semente.

Texto produzido por Carla Gomes - Assessora de Imprensa do IAC

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