APTA REGIONAL: DIA DE CAMPO DE ARROZ NO PÓLO REGIONAL DO VALE DO PARAÍBA

11/03/2005

Oportunidade para conversar e tirar dúvidas junto aos pesquisadores e ainda informar-se sobre as tecnologias que envolvem máquinas, fertilizantes, herbicidas e fungicidas. No Pólo Regional de Desenvolvimento Tecnológico dos Agronegócios do Vale do Paraíba, onde será realizado o Dia de Campo de Arroz, dia 17, o público ainda poderá visitar os campos de demonstração das duas novas variedades de arroz tradicional e outras duas do tipo especial — a IAC 400, arroz para culinária japonesa, e a IAC 600, arroz preto. Ambas já foram apresentadas ao público e serão oficialmente lançadas durante o evento.

A IAC 600, primeira variedade de arroz preto desenvolvida para cultivo em São Paulo foi apresentada pelo IAC no ano passado. Até então, não existia nenhuma variedade brasileira desse tipo exótico de arroz – o que se consome no país é material importado.

Com esse resultado gerado no IAC, abrem-se novos mercados para os produtores atingirem um nicho específico, com potencial no consumo interno e externo, já que o arroz preto tem amplo mercado na Europa e Estados Unidos.

Desenvolvida para o cultivo em São Paulo em condição de arroz irrigado e sequeiro, a IAC 600 é produzida da mesma forma que o arroz tradicional e com igual custo de produção. A principal diferença está no preço: o quilo do arroz preto importado custa cerca de dez vezes mais que o arroz tradicional. Quanto às características agronômicas, a IAC 600 é um material altamente resistente à brusone, tem porte baixo e é precoce, com cerca de 85 dias do plantio à colheita.

Para o consumidor, a IAC 600 é agradável ao paladar, com aroma e sabor acastanhados, em grãos inteiros e muito macios. Comparado com o arroz integral, a novidade supera a quantidade de proteínas, de fibras e de carboidrato, além de ter menor valor calórico e menos gordura. A IAC 600 tem dez vezes mais compostos fenólicos, que beneficiam a saúde humana, que o melhor material já analisado em testes na Universidade do Texas.

IAC 400
Outra variedade a ser  vista pelos participantes do Dia de Campo de Arroz é a IAC 400, especial para a culinária japonesa, a primeira desse tipo selecionada para o cultivo em São Paulo.

A IAC 400 foi selecionada para atender ao nicho específico de mercado — a culinária japonesa, especialmente para produção de sushi. Esse tipo de arroz é o que apresenta maior demanda dentre os tipos especiais de arroz . Os demais especiais são o arroz aromático, o exótico e o arbóreo (rizotto).

Apesar da grande demanda, até então, não havia nenhuma variedade especial selecionada para o cultivo em São Paulo. O Estado tem condições de clima favoráveis para esse tipo de arroz, com padrão compatível com a produção da melhor região do Japão. Por enquanto, as variedades cultivadas em campos paulistas vêm de outros estados ou são importadas de outros países. Esse fator, além de encarecer o produto, tem outra agravante: as variedades importadas não são adequadas para as características de solo e clima paulistas, além de serem suscetíveis a doenças.

Segundo o pesquisador do IAC, Cândido Ricardo Bastos, a nova variedade IAC tem qualidade excelente, comparada aos melhores materiais importados, especialmente para fazer sushi. A IAC 400 é moderamente suscetível à brusone, enquanto os materiais importados são altamente suscetíveis a essa doença.

A variedade apresentou uma produtividade média de 5200 kg por hectare, equivalente aos tipos tradicionais. Para o tipo especial essa produtividade é considerada excelente. De acordo o pesquisador do IAC, Luiz Ernesto Azzini, os materiais importados não ultrapassam 2000kg/ha. Outras características dessa variedade são ciclo intermediário, de 120 a 130 dias do plantio à colheita, porte baixo, com 97 cm em média, e grão médio, com 5 ou 6 milímetros de comprimento.

A forma de cultivo é o plantio tradicional de arroz irrigado por inundação, chamado arroz de várzea. “O produtor de arroz irrigado não precisa mudar nada, não precisa investir em nada — é uma simples troca de uma variedade por outra”, afirma Bastos.

O Programa de Melhoramento de Arroz do Instituto Agronômico funciona desde 1935. Na última década, tornou-se mais eclético em atendimento às exigências de mercado e visando a cadeia produtiva. Nos últimos dez anos, seis novas variedades foram selecionadas, sendo cinco do tipo tradicional e uma do especial. A última variedade lançada, em 2001, é a IAC 500, arroz aromático que também é do tipo especial.

Texto produzido por Carla Gomes - Assessora de Imprensa / IAC

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