APTA: EM CAMPINAS, PESQUISADORES REALIZAM A 1ª REUNIÃO NACIONAL DA CADEIA PRODUTIVA DO URUCUM

Corante mais usado, o urucum tem pálido suporte em pesquisa

O corante mais utilizado no mundo tem origem no campo e o progresso da sua produção requer pesquisa científica que melhore o manejo da cultura e as características do produto. O urucum, embora pouco destacado no cenário agrícola, é usado em alimentos, como laticínios, doces, massas, salsicha, sorvetes, bebidas e desidratados. E os produtores precisam de melhor suporte tecnológico. Com o objetivo de disponibilizar tecnologias que apóiem o setor produtivo de urucum, a APTA (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios), por meio do Pólo Alta Paulista e do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL), irá realizar a 1ª Reunião Nacional da Cadeia Produtiva de Urucum, nos dias 05 e 06 de dezembro de 2007, a partir das 9h, em Campinas.

 

Com pesquisas na área de fitotecnia, melhoramento e agregação de valor para a cadeia de produção do Urucum, a APTA objetiva oferecer melhores condições ao produtor de urucum da região da Alta Paulista, onde está a maior produção dessa cultura no Estado de São Paulo, com cerca de um milhão de plantas da variedade Piave – a principal utilizada pelas indústrias de corantes. “Apenas fomentar a cultura não resolve, com esse trabalho estamos viabilizando ferramentas aos produtores para viabilizar a produção, diz o coordenador da APTA, João Paulo Feijão Teixeira, ao comentar que no passado já houve fomento ao urucum.

 

Estimativas da APTA, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, apontam que no interior do Estado existem, no mínimo, 1,7 milhões de hectares de plantações de urucum, distribuídos em propriedades de 300 pequenos produtores. A cultura do urucum surgiu como alternativa para o desenvolvimento da região, principalmente das pequenas propriedades, após a decadência do café.

 

Na Alta Paulista, a APTA tem o Pólo de pesquisa sediado em Adamantina, onde os estudos relacionados com o urucum são desenvolvidos em parcerias com produtores de diversos municípios de abrangência do Pólo, como Lucélia, Monte Castelo e outros. Segundo a pesquisadora da APTA e coordenadora da reunião, Eliane Gomes Fabri, os principais obstáculos para a cultura do urucum no Estado estão relacionados ao manejo da cultura e condições de solo e clima, associados à falta de pesquisa na área de fitotecnia, melhoramento genético e morfologia e fisiologia de plantas. Por isso, APTA, no Pólo Alta Paulista e no ITAL, vem realizando estudos nessas áreas, a fim de disponibilizar tecnologias que apóiem o setor produtivo de urucum. “É uma ação para pequenos produtores, mas envolvendo toda a cadeia produtiva, desde o cultivo até a extração do pigmento, considerando a qualidade e a conseqüente agregação de valor, para proporcionar ganhos reais ao setor”, explica Feijão.

 

Embora pesquisadores do ITAL tenham desenvolvido trabalhos anteriores com o urucum, o tema foi retomado pela APTA em 2006, com a realização de um evento que reuniu produtores e potenciais clientes de diferentes indústrias. O pesquisador do Instituto, Paulo Eduardo da Rocha Tavares, que também coordena a reunião, conta que a primeira iniciativa já teve como reflexo a valorização do produto, resultado do aumento do escopo de compradores.

 

Ainda segundo Tavares, o trabalho que a APTA e o ITAL desenvolvem é pioneiro. “O urucum nunca foi estudado dessa forma e mesmo os estudos existentes eram bem escassos. As pesquisas foram retomadas com toda a força e, agora, temos equipamentos mais sofisticados para conhecer o urucum”, relata.

 

Entre os projetos futuros e em andamento pode ser destacado o estudo de diferentes acessos da semente, em busca de material com melhor rendimento de corante. O melhor ponto de maturação para a colheita e o tempo correto de secagem também serão identificados.

 

Segundo os pesquisadores, a otimização dos processos de análises do teor de corante na semente, realizadas pelas indústrias na aquisição do produto, está sendo estudada. Isso vai permitir uma uniformização e maior poder de negociação para os produtores, já que, por se tratar de um processo simples, pode ser feito no local de produção para comparação dos resultados. O coordenador da APTA ressalta que essa transferência de tecnologia trará a escala de qualidade para dentro da propriedade rural. “O produtor pode deixar de trabalhar com a cultura bruta e passa a oferecer o produto demandado pelo mercado”, diz Feijão.

 

O estudo envolve também um pré-processamento para ser feito pelos produtores, que utiliza água como solvente. “O produtor vai extrair o corante e obter uma massa ou um pó que vai ser comercializado para a indústria, ao invés de vender a semente. Isso evita o problema de ter que descartar a semente na cidade, promove uma economia com transporte e permite que o produtor armazene o produto e comercialize na entressafra, conseguindo agregar valor”, exemplifica o pesquisador do ITAL, Paulo Roberto Nogueira Carvalho, que também compõe a coordenação da reunião.

 

 

A reunião

Durante o evento, os participantes terão acesso a informações sobre manejo da cultura, controle de doenças e pragas e adoção de tecnologias para melhorar a qualidade do corante, além de colheita e pré-processamento. Os usos do produto também serão debatidos — além da utilização do urucum como colorífico, serão abordadas as aplicações do corante na alimentação animal, em laticínios e massas alimentícias. O público terá acesso ainda ao resultado da análise de pigmentos em sementes de urucum.

 

Os pesquisadores irão abordar também a situação atual e perspectivas do urucum nas regiões, sul, sudeste e nordeste. “Vamos unir todas as regiões produtoras e trazer os grandes pesquisadores da área para a discussão. Todos os elos da cadeia vão estar reunidos”, diz Tavares.

 

 

Mercado

O urucum dá origem ao corante mais utilizado no mundo. É aplicado em alimentos como laticínios, doces, massas, salsichas, sorvetes, bebidas e desidratados. E a perspectiva é de ampliação, principalmente com a busca de novas alternativas ao uso de corantes artificiais e sintéticos em alimentos, já que há uma imposição, por parte do consumidor, da utilização de ingredientes naturais na formulação dos produtos. Além disso, na indústria de cosméticos, farmacêutica, têxtil e de tintas, entre outras, seu uso é bastante difundido. A utilização de urucum não é permitida em carnes e em óleos.   

 

O maior destaque que os alimentos funcionais alcançaram nos últimos anos chamou a atenção, também, para os elementos contidos no urucum, que podem trazer benefícios adicionais à saúde, abrindo outra perspectiva de mercado. Sabe-se, por exemplo, que sua semente contém um alto teor de antioxidantes, que combatem a formação de radicais livres. Outro componente — cerca de 2% da semente — é uma sustância chamada geranil-geraniol, que está sendo usada como coadjuvante no tratamento do câncer, junto com outras drogas.

 

Os benefícios diretos que essas características oferecem ao consumidor, depois do processamento da semente do urucum, precisam de um estudo mais aprofundado. A pesquisa é um caminho para isso. E incentivar um crescimento da produção de estudos nesse sentido é um dos objetivos da reunião, além de promover o intercâmbio de informações.

 

Serviço

1ª Reunião Nacional da Cadeia Produtiva de Urucum

Data: 05 e 06 de dezembro de 2007, a partir das 9h.

Local: Auditório Central do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL-APTA)

Av. Brasil, 2.880 – Jardim Chapadão – Campinas/SP

Informações: www.ital.sp.gov.br/quimica

(19) 3743-1782

 

Central de Comunicação APTA

Colaboraram Carla Gomes (MTb 28156) , Cleide Elizeu e Leila Ming

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