ALGAROBA PARA COMER E BEBER

09/05/2006

Agência FAPESP - Uma leguminosa com alto valor nutritivo, que não exige muita água e nem solos férteis para frutificar, tem se mostrado uma importante fonte alternativa para a alimentação humana.

Originária dos Andes peruanos, a algaroba (Prosopis juliflora) produz uma vagem rica em proteínas, fibras, sais minerais, carboidratos e açúcares. No Brasil, desde a década de 1940, as vagens do vegetal têm servido para produção de ração de animais. No município de Serra Branca, no semi-árido paraibano, por exemplo, a ração beneficiada com algaroba é responsável por 90% da alimentação de caprinos e ovinos e por cerca de 20% do rebanho bovino.

Um estudo feito na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) tem avaliado o potencial econômico e social da algaroba no semi-árido. A pesquisa mostra a versatilidade da leguminosa também para consumo humano, com grande potencial para produção de artigos como farinha, pães, biscoitos, bolo, mel, vinagre e aguardente.

“A algaroba possibilita um leque muito amplo de oportunidades. Por isso, ela é conhecida como ‘planta mágica do Nordeste’. Como bebida láctea, por exemplo, ela pode ser servida junto à merenda escolar em regiões carentes”, explica o engenheiro de alimentos Clóvis Gouveia da Silva, principal autor da pesquisa, à Agência FAPESP.

Por não exigir muita água, a algaroba apresenta bom rendimento mesmo nos períodos de seca. A leguminosa supera o trigo e o milho em proteínas e aminoácidos. Segundo a Embrapa Semi-Árido, a espécie também possui uma estrutura biológica que ajuda na fixação do nitrogênio ao solo e na recuperação de áreas degradadas. Por outro lado, se não for bem manejada, a algaroba é capaz de invadir hábitats naturais e inibir a regeneração das espécies de caatinga, reduzindo a biodiversidade vegetal do bioma.

Silva depositou três pedidos de patentes com derivados da algaroba no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Um deles, a aguardente de algaroba bidestilada envelhecida em barris de carvalho, foi indicado para concorrer ao Prêmio Finep de Inovação Tecnológica 2006.

Além do incentivo à indústria de alimentos, Silva estuda ainda a produção de álcool combustível. “Devido aos altos teores de açúcares que podem sofrer fermentação, presentes na vagem da algaroba, estamos analisando a construção de uma minidestilaria de álcool que poderá servir como alternativa para a entressafra de cana-de-açúcar”, conta.

Fonte: Agência FAPESP

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